{"id":5053,"date":"2010-03-09T05:00:00","date_gmt":"2010-03-09T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/parece_mas_nao_e\/"},"modified":"2010-03-09T05:00:00","modified_gmt":"2010-03-09T08:00:00","slug":"parece_mas_nao_e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/parece_mas_nao_e\/","title":{"rendered":"Parece, mas n\u00e3o \u00e9"},"content":{"rendered":"<p><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p><\/b>  <\/p>\n<p>Maria \u00e9 cuidadosa leitora de jornais. Presta aten\u00e7\u00e3o \u00e0s not\u00edcias. Mas n\u00e3o se  descuida da l\u00edngua. Grafia, concord\u00e2ncia, reg\u00eancia, nada escapa da mo\u00e7a pra l\u00e1  de exigente. Outro dia, ela leu esta frase: &#8220;Deputado reav\u00ea velho estilo&#8221;.  Arrepiou-se. Mais um descuidado trope\u00e7a no <i>reaver<\/i>. \u00c9 que o verbo arma  baita cilada. Nela, trope\u00e7am as melhores fam\u00edlias. Jornalistas tamb\u00e9m.   <\/p>\n<p>Voc\u00ea consegue identificar a falha que enfureceu Maria?   <\/p>\n<p>a. Ao escrever &#8220;reav\u00ea&#8221;, o rep\u00f3rter desconheceu a origem do verbo. Pensou que  reaver fosse derivado de ver (eu vejo, ele v\u00ea).  b. O significado de reaver n\u00e3o \u00e9 adequado \u00e0 frase. Recuperar cai melhor.  <b>  <\/p>\n<p>E da\u00ed?<\/b>  <\/p>\n<p>Escolheu a letra a? Acertou. <i>Reaver<\/i> parece derivado de ver. Mas n\u00e3o \u00e9.  O pai dele \u00e9 <i>haver<\/i>. O danadinho significa <i>haver de novo<\/i>. Em outras  palavras, recobrar, recuperar. Por isso se fala em reaver o tempo perdido,  reaver os bens, reaver a amizade. <b>  <\/p>\n<p>Conjuga\u00e7\u00e3o <\/b>  <\/p>\n<p>Filho de peixe sabe nadar. Reaver s\u00f3 se conjuga nas formas em que o <b>v<\/b>,  de ha<b>v<\/b>er, aparece. Nas demais, ele n\u00e3o tem vez. O presente do indicativo  tem duas pessoas. Uma: rea<b>v<\/b>emos. A outra: rea<b>v<\/b>eis.  <\/p>\n<p>Sem a primeira pessoa do singular do presente do indicativo, o presente do  subjuntivo inexiste. N\u00e3o caia na esparrela do &#8220;reaveja&#8221;. &#8220;Reaveja&#8221; n\u00e3o existe.  Em vez desse horror, diga recupere, recobre. <b>  <\/p>\n<p>Olho vivo <\/b>  <\/p>\n<p>O perigo mora no pret\u00e9rito perfeito. Os distra\u00eddos o flexionam como se o  pobrezinho descendesse de ver. N\u00e3o falta quem escreva &#8220;reaviu&#8221;. Cruz-credo! O  pret\u00e9rito perfeito de <i>haver<\/i> \u00e9 <i>houve<\/i>. De reaver, \u00e9 reouve,  reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes, reouveram.<b>  <\/p>\n<p>Moleza <\/b>  <\/p>\n<p>Os demais tempos e modos s\u00e3o moleza: reavia, reav\u00edamos, reaviam; reouvera,  reouveras, reouveram; reaverei, reaver\u00e1s, reaver\u00e1; reaveria, reaver\u00edamos,  reaveriam. E por a\u00ed vai.  &nbsp;<b> Teste <\/b>  <\/p>\n<p>Est\u00e1 pra l\u00e1 de certa a frase: a. Talvez ele tenha reavisto as j\u00f3ias roubadas. b. Talvez ele tenha reavido as j\u00f3ias perdidas.<b> &nbsp; Acertou?<\/b> <a name=\"Save1\"><\/a> <\/p>\n<p>Moleza, n\u00e3o? O partic\u00edpio de haver \u00e9 havido. De reaver,  reavido.  &nbsp;<b><\/b> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria \u00e9 cuidadosa leitora de jornais. Presta aten\u00e7\u00e3o \u00e0s not\u00edcias. Mas n\u00e3o se descuida da l\u00edngua. Grafia, concord\u00e2ncia, reg\u00eancia, nada escapa da mo\u00e7a pra l\u00e1 de exigente. Outro dia, ela leu esta frase: &#8220;Deputado reav\u00ea velho estilo&#8221;. Arrepiou-se. Mais um descuidado trope\u00e7a no reaver. \u00c9 que o verbo arma baita cilada. Nela, trope\u00e7am as melhores fam\u00edlias. Jornalistas tamb\u00e9m. 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