{"id":5079,"date":"2010-12-16T00:05:00","date_gmt":"2010-12-16T02:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_peneira_que_tapa_o_sol\/"},"modified":"2010-12-16T00:05:00","modified_gmt":"2010-12-16T02:05:00","slug":"a_peneira_que_tapa_o_sol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_peneira_que_tapa_o_sol\/","title":{"rendered":"A peneira que tapa o sol"},"content":{"rendered":"<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\n<p>DAD SQUARISI \/\/ dadsquarisi.df@dabr.com.br  <\/p>\n<p>Imagine a situa\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea matricula seu filho no primeiro ano do ensino  fundamental. Leva-o todos os dias \u00e0 escola. Ele cumpre o hor\u00e1rio, faz as  tarefas, segue as orienta\u00e7\u00f5es do professor. No fim do per\u00edodo letivo, a  surpresa: a crian\u00e7a n\u00e3o aprendeu a ler. Ops! O que aconteceu? Voc\u00ea pergunta ao  diretor, professor ou orientador. A resposta: <\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o se preocupe. Seu filho n\u00e3o ser\u00e1 reprovado. Mesmo analfabeto, passar\u00e1  para o 2\u00ba ano. Estudar\u00e1 matem\u00e1tica, hist\u00f3ria, geografia, ci\u00eancias como os  coleguinhas alfabetizados. Se, passados mais dois semestres, ele ainda n\u00e3o  dominar o c\u00f3digo escrito, fique tranquilo. Ele vai cursar o 3\u00ba ano.     <\/p>\n<p>Voc\u00ea acredita? Nem voc\u00ea nem Papai Noel. Mas os conselheiros federais de  educa\u00e7\u00e3o juram que a m\u00e1gica \u00e9 poss\u00edvel. O MEC reza na mesma cartilha. &#8220;A  iniciativa&#8221;, disse a secret\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica do minist\u00e9rio, &#8220;traz \u00f3timos  resultados. O principal deles: evitar que alunos com baixo rendimento no 1\u00ba ano  se sintam desestimulados.&#8221;  <\/p>\n<p>Vale a quest\u00e3o. Como a crian\u00e7a incapaz de decifrar o c\u00f3digo escrito pode  acompanhar as disciplinas com os colegas que leem? Simplesmente n\u00e3o pode. Ela  ficar\u00e1 depositada em sala de aula, entediada, perdendo tempo. Na primeira  oportunidade, n\u00e3o retornar\u00e1. Vai engrossar a estat\u00edstica dos evadidos que, sem  chance de recupera\u00e7\u00e3o ou emprego, se tornam presas f\u00e1ceis do submundo da  marginalidade. Fora do sistema, o futuro deles tem duas portas. Uma se abre para  a cadeia. A outra, para o cemit\u00e9rio.  <\/p>\n<p>Depois de tantas avalia\u00e7\u00f5es, tantos diagn\u00f3sticos e tantas juras em favor da  educa\u00e7\u00e3o, esperava-se resposta efetiva das autoridades. O que se v\u00ea, por\u00e9m, \u00e9  mais do mesmo. Empurram o problema com a barriga. Fingem que mudam pra n\u00e3o  mudar. Imp\u00f5e-se p\u00f4r o dedo na ferida. A escola tem de ensinar. N\u00e3o ensina. Por  qu\u00ea? Porque falta qualidade, compromisso e cobran\u00e7a.   <\/p>\n<p>Que tal pegar o boi pelos chifres? Em vez de falar em reprova\u00e7\u00e3o, o MEC  deveria falar em aprova\u00e7\u00e3o. A crian\u00e7a tem de ser alfabetizada na primeira s\u00e9rie.  Diretor, professores, psic\u00f3logos, merendeiras &amp; cia. precisam acompanhar  cada passo do alfabetizando. Se ele trope\u00e7ar, devem tirar a pedra que se  interp\u00f4s no caminho. \u00c9 proibido mant\u00ea-lo no ch\u00e3o. Toler\u00e2ncia zero para escolas  analfabetas \u2014 as que <a name=\"Save1\"><\/a>exibem corpinhos estendidos no solo.  <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DAD SQUARISI \/\/ dadsquarisi.df@dabr.com.br Imagine a situa\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea matricula seu filho no primeiro ano do ensino fundamental. Leva-o todos os dias \u00e0 escola. Ele cumpre o hor\u00e1rio, faz as tarefas, segue as orienta\u00e7\u00f5es do professor. No fim do per\u00edodo letivo, a surpresa: a crian\u00e7a n\u00e3o aprendeu a ler. Ops! O que aconteceu? Voc\u00ea pergunta ao diretor, professor ou orientador. A resposta: &#8212; N\u00e3o se preocupe. 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