{"id":5097,"date":"2010-12-18T00:00:00","date_gmt":"2010-12-18T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/os_sete_pecados_do_pronome_atono\/"},"modified":"2015-11-12T19:32:14","modified_gmt":"2015-11-12T21:32:14","slug":"os_sete_pecados_do_pronome_atono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/os_sete_pecados_do_pronome_atono\/","title":{"rendered":"Os sete pecados do pronome \u00e1tono"},"content":{"rendered":"<p>  <BR>&nbsp; &nbsp; Antigamente, quando o mundo usava fraldas, os astr\u00f4nomos faziam o que fazem hoje. Namoravam o c\u00e9u. Sem dispor dos instrumentos atuais, usavam os olhos pra discriminar os moradores celestes. Descobriram, ent\u00e3o, que alguns se moviam. Outros se mantinham fixos. Contaram os caminhantes. Eram sete. Cinco receberam o nome de deuses da mitologia \u2014 Marte, Merc\u00fario, J\u00fapiter, V\u00eanus e Saturno. O Sol e a Terra eram velhos conhecidos.  <BR> &nbsp; Os estudiosos foram al\u00e9m. Chamaram os parad\u00f5es de astros e estrelas. Os passeadores ganharam um adjetivo. Viraram asteres planetai. Em bom portugu\u00eas: estrelas errantes. O tempo passou. A lei do menor esfor\u00e7o entrou em cena. Asteres planetai tornaram-se planetas. O nome pegou.  <BR> &nbsp; Na l\u00edngua tamb\u00e9m existem criaturas errantes. S\u00e3o os pronomes \u00e1tonos. Me, te, se, lhe, o, a adoram bater perna. Ora aparecem antes do verbo. Ora, depois. H\u00e1 tamb\u00e9m os que se metem no meio. Mas, apesar da flexibilidade, muitos abusam. Cometem pecados. Sete se destacam.  <BR>&nbsp;  <BR> <STRONG>Iniciar a frase com o fracote  <BR><\/STRONG> &nbsp; O pronome se chama \u00e1tono porque \u00e9 fraco. T\u00e3o fraco que precisa de apoio. Onde se encostar? Em outra palavra. Por isso, na norma culta, \u00e9 proibido iniciar a frase com pronome \u00e1tono. O pecador deixa a v\u00edtima desamparada. Ela tomba. Na queda, atropela a reputa\u00e7\u00e3o do \u00edmpio.  <BR>&nbsp;  <BR> <STRONG>Ignorar a abrang\u00eancia de iniciar<\/STRONG>  <BR> &nbsp; Olho vivo! Iniciar a frase tem duas acep\u00e7\u00f5es. Uma \u00e9 iniciar mesmo, ser a primeira palavra do per\u00edodo. Assim: Me d\u00e1 um cigarro? Te telefono amanh\u00e3. Lhe deu a resposta ontem.  <BR> &nbsp; A outra usa m\u00e1scaras. Deixa, como na acep\u00e7\u00e3o anterior, o pronome desprotegido. Mas n\u00e3o inicia a frase. Em geral vem depois de v\u00edrgula. Compare: Aqui se fala portugu\u00eas. ( O aqui ampara o pronome.) Aqui, fala-se portugu\u00eas. (Ops! A v\u00edrgula impede o apoio.)  <BR> &nbsp; Nem sempre a v\u00edrgula expulsa o pequenino para depois do verbo. H\u00e1 casos em que ela separa termos intercalados. O apoio se distancia, mas permanece. Preste aten\u00e7\u00e3o na malandragem: Bras\u00edlia se localiza no Planalto Central. Bras\u00edlia, a capital do Brasil, se localiza no Planalto Central. (Mesmo de longe, Bras\u00edlia ampara o pronome.)  <BR>&nbsp;  <BR> <STRONG><\/STRONG>&nbsp; <STRONG>Desrespeitar a atra\u00e7\u00e3o  <BR><\/STRONG> &nbsp; H\u00e1 palavras que funcionam como \u00edm\u00e3s. Puxam o pronome para junto de si. Lembra-se delas? Eis algumas: a gangue do qu (que, quem, quando, quanto, qual), a turma negativa (n\u00e3o, nunca, jamais, ningu\u00e9m, nada), as senhoras conjun\u00e7\u00f5es subordinativas (como, porque, embora, se, conquanto): Quero que se retirem logo. N\u00e3o me disse nada. Se me convidarem, irei.  <BR>&nbsp;  <BR> <STRONG><\/STRONG>&nbsp; <STRONG>Bobear com o futuro  <BR><\/STRONG> &nbsp; Sabia? A termina\u00e7\u00e3o do futuro tem alergia ao pronome. Ambos, futuro do presente (irei) e futuro do pret\u00e9rito (iria), ficam cheinhos de brotoejas diante do \u00e1tono. A sa\u00edda? H\u00e1 duas.  <BR> &nbsp; Uma: levar o pronome para antes do verbo. No caso, o pequenino tem de ter amparo: Maria me telefonar\u00e1 amanh\u00e3. Se pudesse, Lula, o presidente do Brasil, se manteria no Planalto.  <BR> &nbsp; A outra: ficar no meio do caminho. Sem apoio e impedido de se colocar na rabeira do verbo, fica no meio do caminho. Como? Posiciona-se entre o infinitivo e a termina\u00e7\u00e3o do verbo. Veja: Telefonar-lhe-ei amanh\u00e3. Falar-se-iam mais tarde.  <BR>&nbsp;  <BR> <STRONG>Esquecer a maquiagem<\/STRONG>  <BR> &nbsp; Ops! Olho nos pronomes o e a. Antecedidos de r, s, z, viram lo, la: Vou p\u00f4r o livro na estante. (Vou p\u00f4-lo na estante.) Ajudamos os amigos. (Ajudamo-los.) Fez a filha feliz. (F\u00ea-la feliz.)  <BR> &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Antigamente, quando o mundo usava fraldas, os astr\u00f4nomos faziam o que fazem hoje. Namoravam o c\u00e9u. Sem dispor dos instrumentos atuais, usavam os olhos pra discriminar os moradores celestes. Descobriram, ent\u00e3o, que alguns se moviam. Outros se mantinham fixos. Contaram os caminhantes. Eram sete. 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