{"id":5174,"date":"2010-12-29T10:00:00","date_gmt":"2010-12-29T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/os_sete_pecados_do_hifen_na_virada_do_ano\/"},"modified":"2015-11-12T19:32:12","modified_gmt":"2015-11-12T21:32:12","slug":"os_sete_pecados_do_hifen_na_virada_do_ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/os_sete_pecados_do_hifen_na_virada_do_ano\/","title":{"rendered":"Os sete pecados do h\u00edfen na virada do ano"},"content":{"rendered":"<p><b> <\/p>\n<p><\/b> Deus criou o mundo em sete dias. Da\u00ed o sete ser o n\u00famero da  completude. Que nome dar ao suceder dos dias e das noites? Eureca! Os romanos  encontraram a resposta. Consagraram cada amanhecer a uma divindade da mitologia.  O primeiro ficou com o deus Sol. O segundo, com a deusa Lua. O terceiro, com  Marte, o deus da guerra. O quarto, com Merc\u00fario, o deus da eloqu\u00eancia. O quinto,  com J\u00fapiter, o deus do raio e do trov\u00e3o. O sexto, com V\u00eanus, a deusa do amor. O  s\u00e9timo, com Saturno, o deus do tempo.   <\/p>\n<p>Com o cristianismo, as coisas mudaram. L\u00e1 pelo quinto  s\u00e9culo, a Igreja decidiu:  <\/p>\n<div>\n<p>&#8212; Vamos depurar o  latim. X\u00f4, express\u00f5es do mundo pag\u00e3o!<\/p><\/div>\n<p>Pronto. A semana foi purificada. Os dias ganharam nomes  referentes ao&nbsp;universo crist\u00e3o ou nomes  neutros. Algumas l\u00ednguas desconheceram a mudan\u00e7a. Outras s\u00f3 adotaram o s\u00e1bado e  o domingo. O portugu\u00eas, que nasceu no s\u00e9culo 13, aceitou-a  integralmente.  <\/p>\n<p>O s\u00e1bado veio do hebraico <i>Shabbat<\/i>, dia de descanso.  (&#8220;Deus descansou no s\u00e9timo dia&#8221;, diz a <i>B\u00edblia<\/i>.) Dia do Sol virou domingo,  de dominica, dia do Senhor (Cristo ressuscitou no domingo). Os outros  dias s\u00e3o dedicados ao trabalho. Feira, em latim, significa mercado.  Segunda-feira \u00e9 o segundo dia da semana.   <\/p>\n<p>Com a novidade, nasceram os nomes compostos. Com eles, o  h\u00edfen \u2014segunda-feira, ter\u00e7a-feira, quarta-feira, quinta-feira e sexta-feira. Com  o h\u00edfen, o castigo de Deus. O emprego do tracinho \u00e9 t\u00e3o confuso que nem o Senhor  consegue memorizar as regras. O jeito \u00e9 comer pelas beiradas. Aprender aos  poucos. E, em caso de aperto, pedir socorro ao dicion\u00e1rio. Comecemos pelo  vocabul\u00e1rio que marca a virada do calend\u00e1rio.<b> &nbsp;  <\/p>\n<p>Ano-novo<\/b>  <\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o, crist\u00e3os novos. <i>Ano-novo<\/i> \u00e9 substantivo  comum. Vira-lata, escreve-se com as iniciais min\u00fasculas. Tem plural: <i>Feliz  ano-novo. Passei dois anos-novos na praia. A festa do r\u00e9veillon recebe o  ano-novo com m\u00fasica, champanhe e boa comida.<\/i><b> &nbsp;  <\/p>\n<p>Boas-entradas<\/b>  <\/p>\n<p>Fim de ano tem uma marca. \u00c9 o clima de festa e boas  inten\u00e7\u00f5es. A l\u00edngua faz o que as pessoas querem que fa\u00e7a. Criou  <i>boas-entradas<\/i>. Trata-se dos cumprimentos e votos de felicidades que se  desejam no princ\u00edpio ou no fim do ano. A dupla funciona tamb\u00e9m como  interjei\u00e7\u00e3o:   <\/p>\n<p>&#8212; Boas-entradas!, saudamos conhecidos e  desconhecidos.<b> &nbsp;  <\/p>\n<p>Boas-vindas<\/b>  <\/p>\n<p>Parentes e amigos se mexem. Saem de casa e visitam os entes  queridos. Os homenageados n\u00e3o deixam por menos. Recebem-nos com express\u00e3o de  acolhimento afetuoso e hospitaleiro:  Boas-vindas!<b> &nbsp;  <\/p>\n<p>Boa-nova<\/b>  <\/p>\n<p>Not\u00edcia feliz, novidade fortunosa? \u00c9 boa-nova. Se uma  borboleta branca entrar em casa, oba! \u00c9 boa-nova. O plural?  Boas-novas.<b> &nbsp;  <\/p>\n<p>Bom-dia<\/b>  <\/p>\n<p>Bom-dia, flor do dia. Como vai a tia? Toma banho na bacia?  Com \u00e1gua fria? Na Bahia?&nbsp;Ops! Tanta rima  tem raz\u00e3o de ser. Lembra que a sauda\u00e7\u00e3o n\u00e3o anda sozinha. Vem acompanhada e  ligadinha.   <\/p>\n<p>Boa-tarde e boa-noite jogam no mesmo time.  &#8220;Boa-tarde&#8221;, dizemos ao entrar no elevador depois do meio-dia. &#8220;Boa-tarde&#8221;,  responde o outro. Se o escurinho pareceu, o boa-noite pede  passagem.<b> &nbsp;  <\/p>\n<p>Meia-noite<\/b>  <\/p>\n<p>Meia-noite marca o fim de um dia e o come\u00e7o de outro. Ao  bater as 12 badaladas, o rel\u00f3gio anuncia o ano-novo. Viva!  <\/p>\n<p>Meio-dia tamb\u00e9m forma casal. Vem preso por senhora alian\u00e7a:  <i>Eu almo\u00e7o ao meio-dia. E voc\u00ea?<\/i><b> &nbsp;  <\/p>\n<p>Tim-tim<\/b>  <\/p>\n<p>Os animados recebem 2011 com champanhe. Que tal um brinde?  Tim-tim. &nbsp; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deus criou o mundo em sete dias. Da\u00ed o sete ser o n\u00famero da completude. Que nome dar ao suceder dos dias e das noites? Eureca! Os romanos encontraram a resposta. Consagraram cada amanhecer a uma divindade da mitologia. O primeiro ficou com o deus Sol. 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