{"id":518,"date":"2015-07-13T10:00:00","date_gmt":"2015-07-13T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/2015\/07\/13\/virgula_6\/"},"modified":"2015-10-23T16:54:52","modified_gmt":"2015-10-23T18:54:52","slug":"virgula_6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/virgula_6\/","title":{"rendered":"V\u00edrgula 6"},"content":{"rendered":"<p>A palavra v\u00edrgula vem de longe.  Nasceu no latim. L\u00e1, queria dizer varinha. Tamb\u00e9m significava pequeno tra\u00e7o ou  linha. Depois, virou sinal de pontua\u00e7\u00e3o. Indica pausa r\u00e1pida, menor que o ponto.  A criatura atravessou os s\u00e9culos. No caminho, suscitou  discuss\u00f5es. Alguns afirmam que empreg\u00e1-la \u00e9 quest\u00e3o de gosto. Outros, de respira\u00e7\u00e3o.Outros, ainda, acham que devem usar todas as  v\u00edrgulas a que t\u00eam direito \u2013 as obrigat\u00f3rias e as facultativas.    <\/p>\n<p> \u00c9 o caso do amanuense Borjalino  Ferraz. O homem estudou o assunto anos a fio. Aprendeu tudo. Esnobava o saber em  of\u00edcios e memorandos. N\u00e3o deixava passar uma. O chefe reclamou do exagero.  \u201cDesse jeito\u201d, disse ele, \u201co amigo acaba com o estoque. O munic\u00edpio n\u00e3o tem  dinheiro pra comprar v\u00edrgulas novas\u201d. O pux\u00e3o de orelhas entrou por um ouvido e  saiu pelo outro. O prefeito n\u00e3o p\u00f4de fazer nada. Borjalino  tinha estabilidade.  <\/p>\n<p> <b>Variedade<\/b>  <\/p>\n<p> H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es e situa\u00e7\u00f5es. Nalgumas,  a v\u00edrgula \u00e9 facultativa. A\u00ed, n\u00e3o h\u00e1 erro. Acerta-se ou&#8230; acerta-se. Noutras, obrigat\u00f3ria. \u00c9 o caso da separa\u00e7\u00e3o dos  termos coordenados, explicativos e deslocados. Os coordenados foram assunto da  coluna anterior. Agora \u00e9 vez dos  explicativos.  <\/p>\n<p> <b>O  que \u00e9?<\/b>  <\/p>\n<p> O termo explicativo tem v\u00e1rias caras. Uma \u00e9 velha  conhecida. Chama-se aposto. Lembra-se?  <\/p>\n<p> <i>D. Pedro II, imperador do  Brasil, morreu em Paris.<\/i>  <\/p>\n<p> Os professores frisam que  o aposto n\u00e3o faz falta. Pode cair fora. Verdade? \u00c9. Ele facilita a vida do  leitor. Mas a aus\u00eancia dele n\u00e3o causa preju\u00edzo ao entendimento da frase. Se  algu\u00e9m n\u00e3o sabe quem \u00e9  D. Pedro II, tem sa\u00edda. D\u00e1 uma  espiadinha num livro de hist\u00f3ria. Ou no  Google. Est\u00e1 tudo ali. Compare as  frases:  <\/p>\n<p> <i>O presidente do Senado, Renan Calheiros, prepara nova viagem.<\/i> <i>O ex-presidente do Senado Jos\u00e9 Sarney deixou a  pol\u00edtica.<\/i>  <\/p>\n<p> Por que um nome vem entre v\u00edrgulas  e o outro n\u00e3o? As situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o pra l\u00e1 de  parecidas. \u00c9 chute? N\u00e3o. O segredo est\u00e1 no que vem antes do nome. No primeiro  caso, \u00e9 <i>presidente  d<\/i><i>o<\/i> <i>Senado<\/i>.  Quantos existem? S\u00f3 um. <i>Renan Calheiros<\/i> \u00e9 termo explicativo. Funciona como aposto. Da\u00ed as  v\u00edrgulas.  <\/p>\n<p>Mas h\u00e1 mais de um  ex-presidente. Se voc\u00ea n\u00e3o disser a quem se refere, deixa o leitor numa enrascada.  Voc\u00ea  pode estar  falando de Jos\u00e9 Sarney, Ramez Tebet, Antonio Carlos  Magalh\u00e3es etc. e tal. A\u00ed, s\u00f3 h\u00e1 um jeito: dar nome ao boi.  <i>Jos\u00e9  Sarney<\/i>  \u00e9 termo  restritivo. N\u00e3o aceita v\u00edrgula.  <\/p>\n<p> Mais exemplos? Ei-los:  <\/p>\n<p> <i>A capital do Brasil, Bras\u00edlia,  tem 2,5 milh\u00f5es de habitantes.<\/i>  (O Brasil tem uma s\u00f3  capital.) <i>O pai de Jo\u00e3o, Marcelo Silva,  trabalha no Banco do Brasil.<\/i> (Jo\u00e3o  s\u00f3 tem um pai.) <i>O ex-ministro da Fazenda  <\/i><i>Guido Mantega vai processar quem  o vaiou no restaurante. <\/i><i><\/i>(H\u00e1 um  mont\u00e3o de ex-ministros da Fazenda.)   <\/p>\n<p> <b>Enrascada<\/b>  <\/p>\n<p>\u00c0s vezes, a gente se v\u00ea  numa enrascada:  <\/p>\n<p><i>Meu filho Marcelo  estuda na universidade.<\/i>  <\/p>\n<p>Restritivo ou explicativo? Depende. Do qu\u00ea? Do antecedente do termo  <i>Marcelo<\/i>. Eu tenho um  filho ou mais de um filho? Se um, o termo \u00e9 explicativo. Se mais de um,  restritivo.  <\/p>\n<p><i>Minha m\u00e3e, Rosa, mora  em S\u00e3o Paulo.<\/i> <i>Minha tia Maria chega  amanh\u00e3; minha tia Carla vem na pr\u00f3xima semana.<\/i> Viu? Eu s\u00f3 tenho uma m\u00e3e. <i>Rosa<\/i>  \u00e9 termo explicativo.  Tenho mais de uma tia. <i>Maria<\/i>  e <i>Carla<\/i> s\u00e3o termos restritivos.  <\/p>\n<p><b>Servi\u00e7o completo<\/b>  <\/p>\n<p>N\u00e3o fique pela metade. O  termo explicativo vem presinho da silva. Ora entre v\u00edrgulas. Ora entre a v\u00edrgula  e o ponto: <i>Dom Casmurro, de  Machado de Assis, \u00e9 obra-prima do Realismo brasileiro.<\/i> <i>Comprei um Uno, carro  da Fiat.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A palavra v\u00edrgula vem de longe. Nasceu no latim. L\u00e1, queria dizer varinha. Tamb\u00e9m significava pequeno tra\u00e7o ou linha. Depois, virou sinal de pontua\u00e7\u00e3o. Indica pausa r\u00e1pida, menor que o ponto. A criatura atravessou os s\u00e9culos. No caminho, suscitou discuss\u00f5es. Alguns afirmam que empreg\u00e1-la \u00e9 quest\u00e3o de gosto. 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