{"id":5192,"date":"2010-03-21T00:00:00","date_gmt":"2010-03-21T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/urros_e_hematomas\/"},"modified":"2010-03-21T00:00:00","modified_gmt":"2010-03-21T03:00:00","slug":"urros_e_hematomas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/urros_e_hematomas\/","title":{"rendered":"Urros e hematomas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-dad\/6f50d505a1cd30b4aa48aa2c8eb040af.jpg\"> <\/p>\n<p><b><\/b><b>&nbsp;<\/b>Ela frequenta o andar de cima. Ministros, desembargadores,  presidentes a recebem nos gabinetes. O andar de baixo pode acess\u00e1-la na  internet. Trata-se da revista <i>Em quest\u00e3o<\/i>. Publicada pela Presid\u00eancia da  Rep\u00fablica, ela chegou \u00e0 1000\u00aa edi\u00e7\u00e3o. O feito mereceu n\u00famero comemorativo. E,  claro, chamou a aten\u00e7\u00e3o de gregos, troianos e tupiniquins. Ops! Nesta terra  descoberta por Cabral, leitores arrepiaram os pelos da cabe\u00e7a aos p\u00e9s. A raz\u00e3o:  a criatura n\u00e3o combina com o criador.  <\/p>\n<p>Folhas soltas dificultam o manuseio. T\u00edtulos incompletos  comprometem a compreens\u00e3o. Zigue-zagues nos tipos de letras confundem o leitor.  Pior: trope\u00e7os e pontap\u00e9s na l\u00edngua ofendem os amantes do vern\u00e1culo. Sobram  agress\u00f5es. Pleonasmos, crases, pontua\u00e7\u00e3o, emprego das mai\u00fasculas e dos pronomes  provocam urros de dor. Banhados de sangue e cheios de hematomas, os pobres  maltratados procuraram a coluna. Querem repara\u00e7\u00e3o.<b>  <\/p>\n<p>X\u00f4, acentinho<\/b>  <\/p>\n<p>&#8220;Sa\u00fade da Fam\u00edlia chega \u00e0 50% dos brasileiros e melhora  indicadores sociais&#8221;, diz t\u00edtulo da p\u00e1g. 4. Valha-nos, Deus! Crase \u00e9 como  alian\u00e7a no anular esquerdo. Indica o casamento de dois aa. Um: a preposi\u00e7\u00e3o. O  outro: quase sempre o artigo. No texto, o primeiro <b>a<\/b> est\u00e1 claro. \u00c9  exig\u00eancia do verbo chegar (algo chega <b>a<\/b> algu\u00e9m ou <b>a<\/b> algum lugar).  Falta o segundo. Ali\u00e1s, o artigo \u00e9 o eterno calo da crase. Na d\u00favida, recorra ao  tira-teima. Construa uma frase em que 50% seja sujeito (50% dos brasileiros se  beneficiam do programa). Viu? Nada do pequenino Sem ele, o acento n\u00e3o tem vez.  X\u00f4!<b>  <\/p>\n<p>Sem pedigree<\/b>  <\/p>\n<p>&#8220;Aumento da produ\u00e7\u00e3o de pescados deve chegar ao prato dos  Brasileiros&#8221;, anuncia mat\u00e9ria da 12. Convenhamos. Brasileiros, franceses,  ingleses, russos, iranianos &amp; demais adjetivos p\u00e1trios merecem todo o nosso  respeito. Nem por isso t\u00eam sangue azul. Vira-latas, escrevem-se com a inicial  pequenina.<b>  <\/p>\n<p>Desperd\u00edcio<\/b>  <\/p>\n<p>&#8220;O Brasil parou de copiar outros pa\u00edses e criou sua pr\u00f3pria  proposta para o ensino profissional&#8221;, alardeia texto da p\u00e1g.14. Sua pr\u00f3pria? Que  desperd\u00edcio! O <i>sua<\/i> sobra. Melhor poupar: <i>O Brasil parou de copiar  outros pa\u00edses e criou a pr\u00f3pria proposta para o ensino  profissional.<\/i><b>  <\/p>\n<p>C\u00e3ibra nos miolos<\/b>  <\/p>\n<p>&#8220;Com a maior oferta vai diminuir o pre\u00e7o e diminuindo o  pre\u00e7o aumenta o consumo.&#8221; Que pena! O redator cortou rela\u00e7\u00f5es com a v\u00edrgula.  Resultado: o enunciado da p\u00e1g. 12 provoca c\u00e3ibra nos miolos dos pobres leitores.  Que tal fazer as pazes? <i>Com a maior oferta, vai diminuir o pre\u00e7o e,  diminuindo o pre\u00e7o, aumenta o consumo<\/i>.<b>  <\/p>\n<p>Urubus do texto<\/b>  <\/p>\n<p>&#8220;Na Fran\u00e7a e em Portugal h\u00e1 institutos polit\u00e9cnicos, mas  eles atuam apenas no ensino superior, como os antigos Cefets&#8221;. Eta aspas  trai\u00e7oeiras! L\u00e1 na p\u00e1g. 14, as carinhosamente chamadas urubus do texto,  enganaram o ponto. Eis a regra:  <\/p>\n<p>1. Se a cita\u00e7\u00e3o inicia e encerra o per\u00edodo, o ponto fica  dentro das aspas. \u00c9 o caso: <i>&#8220;Na Fran\u00e7a e em Portugal h\u00e1 institutos  polit\u00e9cnicos, mas eles atuam apenas no ensino superior, como os antigos  Cefets.&#8221;<\/i>  <\/p>\n<p>2. Se a cita\u00e7\u00e3o n\u00e3o inicia o per\u00edodo, mas o encerra, o ponto  fica depois delas: <i>Eliezer Pacheco diz que &#8220;na Fran\u00e7a  e em Portugal h\u00e1 institutos polit\u00e9cnicos, mas eles atuam apenas no ensino  superior, como os antigos Cefets&#8221;.<\/i> <\/p>\n<p>3. Na hip\u00f3tese de suspens\u00e3o de uma frase escrita entre aspas,  fecham-se as aspas e abrem-se depois. Assim: &#8220;A democracia&#8221;, escreveu Alceu  Amoroso Lima, &#8220;\u00e9 regime de conviv\u00eancia, n\u00e3o de exclus\u00e3o.&#8221; <\/p>\n<p>   <strong>Ufa!<\/strong> H\u00e1 mais. Mas falta espa\u00e7o.<b><\/b> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;Ela frequenta o andar de cima. Ministros, desembargadores, presidentes a recebem nos gabinetes. O andar de baixo pode acess\u00e1-la na internet. Trata-se da revista Em quest\u00e3o. Publicada pela Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, ela chegou \u00e0 1000\u00aa edi\u00e7\u00e3o. O feito mereceu n\u00famero comemorativo. E, claro, chamou a aten\u00e7\u00e3o de gregos, troianos e tupiniquins. Ops! Nesta terra descoberta por Cabral, leitores arrepiaram os pelos da cabe\u00e7a aos p\u00e9s. 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