{"id":5220,"date":"2010-03-25T00:00:00","date_gmt":"2010-03-25T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/cinquentona_decadente\/"},"modified":"2010-03-25T00:00:00","modified_gmt":"2010-03-25T03:00:00","slug":"cinquentona_decadente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/cinquentona_decadente\/","title":{"rendered":"Cinquentona decadente"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-dad\/4049c96997772122283a5c903860881d.jpg\"> &nbsp; DAD SQUARISI \/\/ <a href=\"mailto:dadsquarisi.df@dabr.com.br\">dadsquarisi.df@dabr.com.br<\/a>   <\/p>\n<p> &nbsp; O conceito de entropia vem da f\u00edsica. Significa isto: nenhum sistema escapa da a\u00e7\u00e3o do tempo. Mais dia menos dia, a estrutura se degrada. \u00c9 inexor\u00e1vel. Vivos ou inertes, todos degringolam. As pessoas crescem, envelhecem e morrem. Se se cuidam, retardam o processo. Mas o fim \u00e9 certo como o suceder do dia e da noite. O carro, o computador, a geladeira tamb\u00e9m sofrem a a\u00e7\u00e3o do calend\u00e1rio. Perdem o cheirinho, o brilho e o desempenho que caracterizam o novo. Bem tratados, claro, durar\u00e3o mais. Mas tamb\u00e9m virar\u00e3o sucata. A casa da gente segue a regra. Tijolo, madeira, pintura, fios, cabos, tudo caduca.   <\/p>\n<p> &nbsp; As cidades s\u00e3o freguesas do processo. Bras\u00edlia serve de exemplo. Assaltos, roubos, estupros, homic\u00eddios, sequestros rel\u00e2mpagos ocorrem em \u00e1reas nobres ou populares. Apag\u00f5es quase di\u00e1rios n\u00e3o poupam nem o cora\u00e7\u00e3o do poder. \u00d4nibus e metr\u00f4s circulam superlotados. Lixos e buracos atraem a dengue. Congestionamentos entopem eixinhos, eix\u00f5es &amp; cia. A rodovi\u00e1ria, a rodoferrovi\u00e1ria, o aeroporto, as cal\u00e7adas, o Teatro Nacional, os monumentos culturais pedem socorro. Hospitais conjugam o verbo faltar. Sobram filas.    <\/p>\n<p> &nbsp; A entropia \u00e9 inelut\u00e1vel. Controla-se o ritmo do desgaste, n\u00e3o o processo. A quest\u00e3o: Bras\u00edlia ainda n\u00e3o completou 50 anos. O que acelerou a decad\u00eancia? A resposta aponta duas dire\u00e7\u00f5es. Uma se relaciona com a manuten\u00e7\u00e3o preventiva. A infraestrutura n\u00e3o acompanhou a expans\u00e3o da demanda, que inflou duplamente. De um lado, pelo aumento da popula\u00e7\u00e3o. De outro, pelo acr\u00e9scimo da renda. Em bom portugu\u00eas: chegaram fregueses novos e os antigos ficaram mais ricos. Passaram a consumir mais \u2014 mais servi\u00e7os, mais luz, mais \u00e1gua, mais estrada, mais estacionamento, mais mais.   <\/p>\n<p> &nbsp; Bras\u00edlia paga o pre\u00e7o de d\u00e9cadas de m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o. Tivemos governantes impostos e governantes eleitos. Maus gestores, foram incapazes de olhar pra frente. Mirar a cinquentona ou a centen\u00e1ria Bras\u00edlia quando a cidade engatinhava exigia voca\u00e7\u00e3o de estadista. Com o talento de quem pensa nas futuras gera\u00e7\u00f5es (n\u00e3o nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es), o dirigente n\u00e3o s\u00f3 teria investido na infraestrutura f\u00edsica. Teria investido tamb\u00e9m na infraestrutura de recursos humanos sofisticados. S\u00f3 eles s\u00e3o capazes de lidar com a complexidade crescente da urbe.    <\/p>\n<p>&nbsp;(A foto \u00e9 do que deveria ser o Museu de Arte de Bras\u00edlia.) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; DAD SQUARISI \/\/ dadsquarisi.df@dabr.com.br &nbsp; O conceito de entropia vem da f\u00edsica. Significa isto: nenhum sistema escapa da a\u00e7\u00e3o do tempo. Mais dia menos dia, a estrutura se degrada. \u00c9 inexor\u00e1vel. Vivos ou inertes, todos degringolam. As pessoas crescem, envelhecem e morrem. Se se cuidam, retardam o processo. 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