{"id":5238,"date":"2010-03-29T12:00:00","date_gmt":"2010-03-29T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/estudantes_perguntam-10\/"},"modified":"2010-03-29T12:00:00","modified_gmt":"2010-03-29T15:00:00","slug":"estudantes_perguntam-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/estudantes_perguntam-10\/","title":{"rendered":"Estudantes perguntam"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c9 sempre errado utilizar pleonasmo ou h\u00e1 alguma situa\u00e7\u00e3o em que essa figura de linguagem \u00e9 bem-vinda? (Fernando de Albuquerque, 18 anos) <\/p>\n<p>&nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">A palavra pleonasmo vem do grego. Na l\u00edngua de Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles, quer dizer superabund\u00e2ncia. Em bom portugu\u00eas: repeti\u00e7\u00e3o de uma ideia com palavras diferentes. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>H\u00e1 pleonasmos e pleonasmos. Alguns n\u00e3o d\u00e3o nenhuma expressividade \u00e0 frase. A\u00ed, deixam de ser figuras de linguagem e passam a ser v\u00edcio. \u00c9 o caso de comer com a boca, subir pra cima, descer pra baixo, entrar pra dentro, sair pra fora, elo de liga\u00e7\u00e3o, ver com os olhos.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>Outros pleonasmos acrescentam gra\u00e7a e for\u00e7a \u00e0 frase. S\u00e3o bem-vindos: \u201cEle sabe pescar peixe, mas n\u00e3o sabe pescar homens.\u201d \u201cVer com meus olhos n\u00e3o \u00e9 o mesmo que ver com os dedos.\u201d \u201cEsse ouro e prata, posto que naturalmente desce pra baixo, havia de subir para cima.\u201d <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>*<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>Costumo ficar em d\u00favida ao escrever algumas express\u00f5es com a e h\u00e1. O certo \u00e9 &#8220;a poucos dias&#8221; ou &#8220;h\u00e1 poucos dias&#8221;? &#8220;Daqui a dois anos&#8221; ou &#8220;daqui h\u00e1 dois anos&#8221;? (Jo\u00e3o Gabriel Estrela Brey, 16 anos) <\/p>\n<p>Rapaz, essa d\u00favida n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sua. Ela ataca estudantes, profissionais ou simples mortais. Como mandar a incerteza plantar batata no asfalto? Lembre-se destas dicas:<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>a. o h\u00e1 indica tempo passado: Cheguei h\u00e1 pouco. Moro em Bras\u00edlia h\u00e1 dois anos. Vi o filme h\u00e1 poucos dias. Preparo minha entrada na universidade h\u00e1 anos. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>b. o a indica&nbsp; tempo futuro: Daqui a dois meses, vou fazer meu primeiro vestibular. Espere, vamos chegar daqui a pouco. A menos de seis meses das elei\u00e7\u00f5es, os partidos ainda n\u00e3o definiram os candidatos.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>Olho vivo! Na l\u00edngua impera a lei do l\u00e9 com l\u00e9, cr\u00e9 com cr\u00e9. Se o verbo da ora\u00e7\u00e3o principal est\u00e1 no imperfeito, o haver n\u00e3o pensa duas vezes. Vai atr\u00e1s: Falava havia mais de meia hora. Mor\u00e1vamos na cidade havia dois meses quando conheci Jo\u00e3o. Havia 40 minutos que esperava na fila.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>* <\/p>\n<p>Como fa\u00e7o para evitar a ambiguidade do seu e sua? (Franco Ferreira Mota, 18 anos) <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>Eta pronome perigoso! Ele parece inofensivo. Mas causa senhores estragos \u00e0 frase. Quase sempre d\u00e1 duplo sentido \u00e0 declara\u00e7\u00e3o. A gente diz uma coisa. O receptor entende outra. Ou fica confuso. Veja:<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>O presidente garantiu aos parlamentares que o seu esfor\u00e7o levaria \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da emenda.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>Esfor\u00e7o de quem, cara p\u00e1lida? Dos parlamentares? Do presidente? Amb\u00edgua, a frase permite duas leituras. O que fazer? Partir para o troca-troca \u2014 substituir o possessivo pelo pronome dele: O presidente garantiu aos parlamentares que o esfor\u00e7o dele levaria \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da emenda. O presidente garantiu aos parlamentares que o esfor\u00e7o deles levaria \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da emenda.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>Certas palavras, Franco, rejeitam o possessivo. Aproxim\u00e1-las \u00e9 briga certa. Evite confus\u00f5es. Dispense o indesejado. N\u00e3o o use com:<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>a. as partes do corpo: Na batida, quebrou o dedo (nunca: seu dedo). Arranhou o rosto. Fraturou o f\u00eamur.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>b. Os objetos de uso pessoal: Cal\u00e7ou os sapatos (n\u00e3o: seus sapatos). P\u00f4s os \u00f3culos. Vestiu a saia.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>c. As qualidades do esp\u00edrito: Rafael, Malu e Jo\u00e3o Marcelo t\u00eam a intelig\u00eancia (n\u00e3o: sua intelig\u00eancia) posta \u00e0 prova todos os dias. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>Superdica: em 90% dos casos, o possessivo sobra: Fez a (sua) reda\u00e7\u00e3o. Pegou o (seu) carro. Perdeu as (suas) chaves. X\u00f4!<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>* <\/p>\n<p>Depois de interjei\u00e7\u00f5es, \u00e9 necess\u00e1rio usar alguma pontua\u00e7\u00e3o? (Kayanne Ramos Fernandes, 14 anos) <\/p>\n<p><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">A interjei\u00e7\u00e3o, Kayane, traduz emo\u00e7\u00e3o. Por isso pede ponto de exclama\u00e7\u00e3o: ah!, oh!, ol\u00e1!, oxal\u00e1!, tomara!, ui!, alto!, psiu!, cuidado!, alerta!.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>* <\/p>\n<p>Quando dar a vez a onde e aonde? (Isabella Cristine da Silva, 16 anos) <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>O aonde, Isabella, \u00e9 raro como vi\u00favo na pra\u00e7a. Pra aparecer, imp\u00f5e uma condi\u00e7\u00e3o: a exist\u00eancia de verbo de movimento que exija a preposi\u00e7\u00e3o a. \u00c9 o caso de ir. O monoss\u00edlabo joga no time do vaiv\u00e9m e pede a preposi\u00e7\u00e3o a (quem vai vai a algum lugar): Aonde voc\u00ea vai? N\u00e3o sei aonde voc\u00ea vai. Gostaria de saber aonde voc\u00ea vai. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o, marinheiros de primeira viagem. N\u00e3o se precipitem. H\u00e1 verbos que s\u00e3o de movimento, mas n\u00e3o regem a preposi\u00e7\u00e3o a. E vice-versa. Com eles, s\u00f3 o onde tem a vez: Onde voc\u00ea assistiu \u00e0 palestra? N\u00e3o sei onde voc\u00ea assistiu \u00e0 palestra. Gostaria de saber onde voc\u00ea assistiu \u00e0 palestra. Onde ele est\u00e1? Ningu\u00e9m sabe onde ele est\u00e1.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 sempre errado utilizar pleonasmo ou h\u00e1 alguma situa\u00e7\u00e3o em que essa figura de linguagem \u00e9 bem-vinda? (Fernando de Albuquerque, 18 anos) &nbsp;A palavra pleonasmo vem do grego. Na l\u00edngua de Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles, quer dizer superabund\u00e2ncia. Em bom portugu\u00eas: repeti\u00e7\u00e3o de uma ideia com palavras diferentes. H\u00e1 pleonasmos e pleonasmos. Alguns n\u00e3o d\u00e3o nenhuma expressividade \u00e0 frase. 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