{"id":5247,"date":"2010-03-30T11:00:00","date_gmt":"2010-03-30T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_bola_rola_no_ceu\/"},"modified":"2010-03-30T11:00:00","modified_gmt":"2010-03-30T14:00:00","slug":"a_bola_rola_no_ceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_bola_rola_no_ceu\/","title":{"rendered":"A bola rola no c\u00e9u"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-dad\/d4ba53549a363736742623c0bd1f0250.jpg\">  <\/p>\n<p> <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>&#8220;A morte&#8221;, dizem alguns, &#8220;\u00e9 merecimento.&#8221; A gente s\u00f3 vai pro  c\u00e9u depois de zerar as obriga\u00e7\u00f5es na Terra. Os que ficam sofrem. Os que partem  ganham asas. Podem, at\u00e9, cobrar as d\u00edvidas da vida. Foi o que fez Armando  Nogueira. Aqui, amou e foi amado. Tinha tr\u00eas paix\u00f5es \u2014 a bola, o Botafogo e os  amigos. S\u00f3 uma n\u00e3o lhe retribuiu o sentimento \u2014 a redonda. Ao chegar \u00e0 casa do  Senhor, bolas o esperavam.   <\/p>\n<p>Pegou a de gude. Tecou todas. Passou pra de basquete.  Acertou as cestas. Apanhou a de t\u00eanis. Depois a de v\u00f4lei. Marcou pontos sem fim.  A de futebol ficou pro fim. Abra\u00e7ou-a com delicadeza. Ela retribuiu. Com sorriso  maroto, ele descobriu que a frase feita para o rei podia ter outro personagem.  &#8220;Se Pel\u00e9 n\u00e3o fosse homem, seria bola&#8221;, escreveu em uma das cr\u00f4nicas. Na casa de  Deus e tamb\u00e9m de Garrincha e Didi, ele ousou: &#8220;Eu sou bola&#8221;. Ao lado, o Senhor  cal\u00e7ava as chuteiras. No peito, a estrela solit\u00e1ria.<b> <\/b><b>&nbsp;<\/b> <b> <\/p>\n<p><\/b><b>Paix\u00e3o em frases<\/b>  <\/p>\n<p>Armando Nogueira tinha amores. Com voca\u00e7\u00e3o para a  felicidade, n\u00e3o se privava de nenhum. Curtia o esporte, a avia\u00e7\u00e3o, os amigos.  Mas uma obsess\u00e3o o perseguia. Era a palavra. Zuenir Ventura a sintetizou: &#8220;Ele  fez com a palavra o que Pel\u00e9 e Garrincha fizeram com a bola \u2014 uma obra de arte&#8221;.  Eis exemplos:<i>  <\/p>\n<p>&#8220;Copiar o bom \u00e9 melhor que inventar o ruim.&#8221; &#8220;Para Garrincha, a superf\u00edcie de um len\u00e7o era um  latif\u00fandio.&#8221; &#8220;A tabelinha de Pel\u00e9 e Tost\u00e3o confirma a exist\u00eancia de  Deus.&#8221;  &#8220;Gol de letra \u00e9 inj\u00faria; gol contra \u00e9 incesto; gol de bico \u00e9  estupro.&#8221; &#8220;No futebol, matar a bola \u00e9 um ato de amor. Se a bola n\u00e3o  quica, mau-car\u00e1ter indica.&#8221; &#8220;O futebol n\u00e3o aprimora os caracteres do homem, mas os  revela.&#8221; &#8220;Os cartolas pecam por a\u00e7\u00e3o, omiss\u00e3o ou  comiss\u00e3o.&#8221; &#8220;Tu, em campo, parecias tantos e, no entanto, que encanto!  Eras um s\u00f3, Nilton Santos. &#8221; &#8220;A bola \u00e9 uma flor que nasce nos p\u00e9s de Zico com cheiro de  gol.&#8221; &#8220;\u00c9 voando que o homem descobre o tamanho de  Deus.&#8221;<\/i><b>  <\/p>\n<p>L\u00e1 do Acre<\/b>  <\/p>\n<p>Em 1944, Armando pegou um voo em Rio Branco. Pousou no Rio.  Queria ser aviador. \u00c9 dele este an\u00fancio: &#8220;Troco dois p\u00e9s em bom estado de  conserva\u00e7\u00e3o por um par de asas bem voadas&#8221;. Voou muito, mas n\u00e3o foi piloto. Nem  esqueceu a terra natal. Ele nasceu no Acre. \u00c9 acriano. Assim, com  <b>i<\/b>.<b> &nbsp;<\/b> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A morte&#8221;, dizem alguns, &#8220;\u00e9 merecimento.&#8221; A gente s\u00f3 vai pro c\u00e9u depois de zerar as obriga\u00e7\u00f5es na Terra. Os que ficam sofrem. Os que partem ganham asas. Podem, at\u00e9, cobrar as d\u00edvidas da vida. Foi o que fez Armando Nogueira. Aqui, amou e foi amado. 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