{"id":5375,"date":"2010-04-22T00:00:00","date_gmt":"2010-04-22T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/de_penetra_a_com-cidade\/"},"modified":"2010-04-22T00:00:00","modified_gmt":"2010-04-22T03:00:00","slug":"de_penetra_a_com-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/de_penetra_a_com-cidade\/","title":{"rendered":"De penetra a com-cidade"},"content":{"rendered":"<p> <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-dad\/a73ad866147b83479eb7087c9e71c70c.jpg\"> <\/p>\n<p><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>DAD SQUARISI \/\/ dadsquarisi.df@@dabr.com.br<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>Sou imigrante. Sa\u00ed do L\u00edbano com 5 anos. A fam\u00edlia \u2014 pai, m\u00e3e e duas irm\u00e3s \u2014 perambulou por Europa, Fran\u00e7a e Bahia. Sem endere\u00e7o fixo, minha casa eram rodovi\u00e1rias, esta\u00e7\u00f5es de trem, portos e aeroportos. Ganhei grande intimidade com pens\u00f5es, hot\u00e9is e pousadas. Convivi com l\u00ednguas e sotaques como se fossem meus. N\u00e3o escolhia comida. A refei\u00e7\u00e3o era a poss\u00edvel, n\u00e3o a desejada.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>Chegamos ao Brasil. Seria uma estada r\u00e1pida, como r\u00e1pidas foram as demais. O sonho era retornar \u00e0 terra dos cedros. Por isso minha m\u00e3e nunca desfez as malas. Na hora da partida, estaria tudo pronto. Era s\u00f3 tomar o caminho de volta. A\u00ed aconteceu o nem sequer imaginado. Meu pai morreu. E a ficha caiu. T\u00ednhamos de ficar neste pa\u00eds distante. Vivi no Rio, Porto Alegre e S\u00e3o Paulo.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>Problemas de sa\u00fade me empurraram pra Bras\u00edlia. A transfer\u00eancia pra UnB saiu sem estresse. Carona n\u00e3o faltava. Os carros paravam pra dar rodas a desconhecidos. Sem fam\u00edlia, morava em pensionato. Sobravam convites de colegas e amigos para \u201cuma comidinha l\u00e1 em casa\u201d. Eram bem-vindos. Pra quem come em bandej\u00e3o, o arroz-feij\u00e3o com tempero dom\u00e9stico tem sabor de festa.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>Diferente das centen\u00e1rias Rio, S\u00e3o Paulo, Recife ou Porto Alegre, Bras\u00edlia cresceu sem dono. Por isso recebe os que aqui chegam com a hospitalidade oriental. Reconhecidos, os migrantes deixam gauch\u00eas, piaui\u00eas, mineir\u00eas e outros eses pra l\u00e1. Adotam a fala sem marcas. Como o branco que engloba todas as cores, o falar neutro engloba todos os sotaques. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>Aqui me casei, me formei, tive um filho. Fiz amigos. H\u00e1 10 anos me tornei cidad\u00e3 honor\u00e1ria de Bras\u00edlia. O t\u00edtulo, sempre honroso, pra mim teve significado especial. De sem-cidade, passei \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de com-cidade. Deixei de ser penetra. Mas a estabilidade n\u00e3o me cortou as asas dos p\u00e9s. Viajar \u00e9 v\u00edcio exigente sempre satisfeito. Mas algo mudou. Na inf\u00e2ncia, o embarque deixava a cidade pra tr\u00e1s. Nunca tive vontade de voltar. Hoje tenho uma certeza: sair \u00e9 bom, mas voltar \u00e9 muiiiiiiiiiito melhor. Pra casa, pra Bras\u00edlia.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DAD SQUARISI \/\/ dadsquarisi.df@@dabr.com.br Sou imigrante. Sa\u00ed do L\u00edbano com 5 anos. A fam\u00edlia \u2014 pai, m\u00e3e e duas irm\u00e3s \u2014 perambulou por Europa, Fran\u00e7a e Bahia. Sem endere\u00e7o fixo, minha casa eram rodovi\u00e1rias, esta\u00e7\u00f5es de trem, portos e aeroportos. Ganhei grande intimidade com pens\u00f5es, hot\u00e9is e pousadas. 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