{"id":5539,"date":"2011-01-12T08:00:00","date_gmt":"2011-01-12T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/os_sete_pecados_da_reforma_ortografica_\/"},"modified":"2015-11-12T19:32:08","modified_gmt":"2015-11-12T21:32:08","slug":"os_sete_pecados_da_reforma_ortografica_","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/os_sete_pecados_da_reforma_ortografica_\/","title":{"rendered":"Os sete pecados da reforma ortogr\u00e1fica"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp; <strong> <\/p>\n<p><\/strong> Inveja mata? Mata. Mas tamb\u00e9m cria. O invejoso tem  manhas.&nbsp;Tenta destruir o invejado. Se  fracassa, n\u00e3o desiste. Esfor\u00e7a-se para superar o objeto do desejo. Imposs\u00edvel?  Parte pra outra. Luta para igualar-se a ele. Vale o exemplo das sete maravilhas  do mundo. Os antigos fizeram uma lista de tirar o f\u00f4lego. Os Jardins Suspensos  da Babil\u00f4nia, as Pir\u00e2mides de Giz\u00e9, a Est\u00e1tua de Zeus, o Templo de \u00c1rtemis, o  Mausol\u00e9u de Halicarnasso, o Colosso de Rodes e o Farol de Alexandria extasiam os  filhos de Deus por s\u00e9culos e s\u00e9culos.   <\/p>\n<p>Os homens contempor\u00e2neos n\u00e3o se conformavam diante de  tantas loas e tantos suspiros. Decidiram quebrar o monop\u00f3lio dos antepassados.  Como? A New Open World Foundation achou a resposta. Lan\u00e7ou na internet a  campanha As sete maravilhas do mundo moderno. Bombou. Mais de 100 milh\u00f5es de  pessoas votaram. Eis o resultado, anunciado h\u00e1 tr\u00eas anos em data cabal\u00edstica \u2013  07\/07\/07: Muralha da China, Petra, Cristo Redentor, Machu Picchu, Chich\u00e9n Itz\u00e1,  Coliseu, Taj Mahal.   <\/p>\n<p>Alguns adoraram a escolha. Outros a detestaram. O  mesmo ocorreu com a reforma ortogr\u00e1fica. As mudan\u00e7as na grafia das palavras  despertaram paix\u00f5es e iras. Sobraram esperneios. Houve at\u00e9 quem propusesse  campanha pra boicotar a novidade. N\u00e3o adiantou. Jornais, revistas, dicion\u00e1rios,  livros did\u00e1ticos adotaram-na. Por ora convivem as duas grafias. Mas em 1\u00ba de  janeiro de 2013 s\u00f3 a jovem ter\u00e1 vez. A sabedoria aconselha acolh\u00ea-la. Sete  pecados devem ser evitados. Quais?  <strong> <\/p>\n<p><\/strong><strong>Grafia <\/strong>  <\/p>\n<p>Olho vivo! A reforma \u00e9 ortogr\u00e1fica. S\u00f3 altera a  grafia das palavras. Em bom portugu\u00eas: alcan\u00e7a letras, acentos, tremas e hifens.  Pron\u00fancia, crases, concord\u00e2ncias, reg\u00eancias continuam como dantes no quartel de  Abrantes. <strong> <\/p>\n<p><\/strong><strong>Pron\u00fancia<\/strong>  <\/p>\n<p>O trema caiu. Mas o som do <strong>u<\/strong> se  mant\u00e9m. Frequ\u00eancia, tranquilo, cinquenta, lingui\u00e7a &amp; cia. perderam o  sinalzinho charmoso. Mas continuam a ser pronunciados como se nada tivesse  acontecido. <strong> <\/p>\n<p><\/strong><strong>Alfabeto<\/strong>  <\/p>\n<p>Oba! Nosso alfabeto caiu na real. Convidou tr\u00eas  exclu\u00eddos para compor o abeced\u00e1rio. <strong>K<\/strong>, <strong>y<\/strong> e  <strong>w<\/strong>, que sempre frequentaram nossa l\u00edngua em abreviaturas,  f\u00f3rmulas e nomes pr\u00f3prios, se juntaram \u00e0s velhas 23 letras. Agora, a fam\u00edlia tem  26 membros.  <\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o, crist\u00e3os novos. Nada muda. As palavras  continuam com a mesma cara. U\u00edsque, por exemplo, pediu a nacionalidade  portuguesa h\u00e1 muito tempo. Foi atendido. Deixou o w pra l\u00e1 e virou  amig\u00e3o de Cam\u00f5es, Machado e Pessoa.  <strong> <\/p>\n<p><\/strong><strong>Parox\u00edtonas<\/strong>  <\/p>\n<p>Voc\u00ea sabia? A reforma s\u00f3 atingiu as parox\u00edtonas. As  ox\u00edtonas e proparox\u00edtonas escaparam ilesas. Da\u00ed a aparente incoer\u00eancia da  mudan\u00e7a. Os ditongos abertos servem de exemplo. \u00c9i e \u00f3i  perderam o grampinho nas parox\u00edtonas ideia e heroico &amp; cia. Mas o conservam nas  ox\u00edtonas&nbsp;como pap\u00e9is e  her\u00f3i. \u00c9 a tal hist\u00f3ria: se podemos complicar, pra que  simplificar? <strong> <\/p>\n<p><\/strong><strong>Monoss\u00edlabos<\/strong>  <\/p>\n<p>Ops! Generalizar \u00e9 proibido. Monoss\u00edlabos t\u00f4nicos  obedecem \u00e0s regras de acentua\u00e7\u00e3o das ox\u00edtonas. Mas ox\u00edtonas n\u00e3o s\u00e3o. A raz\u00e3o?  Para que a fortona caia na \u00faltima s\u00edlaba, a palavra precisa ter pelo menos  duas. Elas s\u00f3 t\u00eam uma. A pobre solit\u00e1ria  recebe classifica\u00e7\u00e3o \u00e0 parte.  <strong> <\/p>\n<p><\/strong><strong>Acentos diferenciais<\/strong>  <\/p>\n<p>&#8220;Uma coisa \u00e9 uma coisa, outra coisa \u00e9 outra coisa&#8221;,  diz o povo sabido. A reforma lhe d\u00e1 raz\u00e3o. Cassou os acentos diferenciais de  <i>para<\/i> (do verbo parar), <i>pelo<\/i> (do gato, do cachorro, de pessoas),  <i>pelo<\/i> (do verbo pelar), <i>polo<\/i> (as extremidades da Terra),  <i>pera<\/i> (fruta ou barbicha). Reparou? S\u00e3o todas parox\u00edtonas.   <\/p>\n<p>P\u00f4r n\u00e3o entrou na faxina. O porqu\u00ea est\u00e1 na  cara. O verbo \u00e9 monoss\u00edlabo. Tamb\u00e9m se manteve fora da limpeza o p\u00f4de,  pret\u00e9rito perfeito de poder (ontem ele p\u00f4de, hoje n\u00e3o pode). A raz\u00e3o? \u00c9 a  exce\u00e7\u00e3o que confirma a regra. <strong> <\/p>\n<p><\/strong><strong>Feiura e sa\u00fade<\/strong>  <\/p>\n<p>Confundir Germano com g\u00eanero humano? Nem pesar.  O embaralhar dos miolos cobra pre\u00e7o alto. Rouba pontos na prova, adia promo\u00e7\u00f5es,  mata amores. Valha-nos, Deus! D\u00f3i menos no bolso e na vida aprender que a  reforma aliviou o peso do <strong>u<\/strong> e do&nbsp;<strong>i<\/strong> antecedidos de ditongo. \u00c9 o caso de  feiura, baiuca, Sauipe. O <strong>u<\/strong> e o&nbsp;<strong>i <\/strong>antecedidos de vogal n\u00e3o t\u00eam nada a  ver com a hist\u00f3ria. Continuam&nbsp;como sempre foram: sa\u00fade, sa\u00edda,  ba\u00fa. <strong> <\/p>\n<p><\/strong>  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Inveja mata? Mata. Mas tamb\u00e9m cria. O invejoso tem manhas.&nbsp;Tenta destruir o invejado. Se fracassa, n\u00e3o desiste. Esfor\u00e7a-se para superar o objeto do desejo. Imposs\u00edvel? Parte pra outra. Luta para igualar-se a ele. Vale o exemplo das sete maravilhas do mundo. Os antigos fizeram uma lista de tirar o f\u00f4lego. Os Jardins Suspensos da Babil\u00f4nia, as Pir\u00e2mides de Giz\u00e9, a Est\u00e1tua de Zeus, o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,61],"tags":[],"class_list":["post-5539","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","category-pecados-da-lingua"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5539","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5539"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5539\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11140,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5539\/revisions\/11140"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5539"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5539"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5539"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}