{"id":5587,"date":"2011-10-24T08:00:00","date_gmt":"2011-10-24T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/virgula_1-2\/"},"modified":"2011-10-24T08:00:00","modified_gmt":"2011-10-24T10:00:00","slug":"virgula_1-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/virgula_1-2\/","title":{"rendered":"V\u00edrgula 1"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><b> <\/p>\n<p><\/b><b> <\/p>\n<p><\/b>             A hist\u00f3ria \u00e9 velha. T\u00e3o velha quanto andar pra frente. Jos\u00e9              C\u00e2ndido de Carvalho conta o fato. Freixeiras, funcion\u00e1rio da              Companhia de \u00c1gua e Esgotos do Rio de Janeiro, tinha um grande              orgulho. Era a \u00fanica pessoa na reparti\u00e7\u00e3o que sabia p\u00f4r as v\u00edrgulas              no lugar certo. Todos o reverenciavam por isso. Ningu\u00e9m ousava              contrari\u00e1-lo. Mas n\u00e3o h\u00e1 bem que sempre dure nem mal que nunca              acabe. Um dia&#8230;               <\/p>\n<p>Chegou novo chefe. O mandachuva assinava a correspond\u00eancia. Um              pouco distra\u00eddo, pediu a Freixeiras que tirasse certa v\u00edrgula de              certo lugar.               <\/p>\n<p>Freixeiras tremeu. Que ousadia! Ficou duas horas remoendo              tira-a-v\u00edrgula-n\u00e3o tira-a-v\u00edrgula. Finalmente, decidiu-se. Foi \u00e0              sala do diretor e intimou-o:               <\/p>\n<p>\u2014 Ou eu ou a v\u00edrgula.               <\/p>\n<p>A demiss\u00e3o do Virgulino obrigou os demais servidores a deixar o              comodismo. Para garantir o emprego, resolveram estudar. Consulta              daqui, pesquisa dali, descobriram que o diabo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o feio quanto              o pintam. O emprego da t\u00e3o temida pausa obedece a tr\u00eas regras. A              v\u00edrgula separa sempre. Um: termos coordenados. Dois: termos              explicativos. Tr\u00eas: termos deslocados. Esta \u00e9 a li\u00e7\u00e3o dos              coordenados. Vamos a ela.              &nbsp;<b>             Que bicho \u00e9 esse? <\/b>              <\/p>\n<p>Coordenado significa <i>ordenado ao lado do outro<\/i>. Imagine              que voc\u00ea esteja no cinema. H\u00e1 v\u00e1rios espectadores. Um \u00e9 independente              do outro. Cada um tem a pr\u00f3pria cabe\u00e7a, as pr\u00f3prias pernas, os              pr\u00f3prios olhos. Eles escolhem um lugar e sentam-se. Para n\u00e3o ficarem              embolados, o descanso da poltrona os separa. Os cin\u00e9filos ficam              coordenados.              &nbsp;<b>             Imita\u00e7\u00e3o <\/b>              <\/p>\n<p>A l\u00edngua imita a vida. Na frase, tamb\u00e9m aparecem termos              independentes. A \u00fanica rela\u00e7\u00e3o entre eles \u00e9 estarem postos um ao              lado do outro. Sempre que numa ora\u00e7\u00e3o aparecer mais de um sujeito,              mais de um objeto, mais de um adjunto, haver\u00e1 termos coordenados.              Como os espectadores do cinema, eles precisam ser separados. Como?              H\u00e1 dois jeitos. Um deles \u00e9 recorrer \u00e0 v\u00edrgula. O outro, pedir ajuda              \u00e0 conjun\u00e7\u00e3o.               <\/p>\n<p>Eis exemplos: <i>              <\/p>\n<p>Paulo, Lu\u00eds, Jo\u00e3o <b>e<\/b> Maria (sujeito composto) foram ao              cinema. <\/p>\n<p><\/i><i>             Gosto de cinema, teatro, m\u00fasica (objeto              composto). <\/p>\n<p><\/i><i>Jos\u00e9 viaja de trem, carro, \u00f4nibus, avi\u00e3o              <\/i>(adjunto adverbial composto).              &nbsp;             Moleza, n\u00e3o? S\u00f3 erra quem sofre ataque de bobeira.              &nbsp;<b>             Pras cucuias <\/b>              <\/p>\n<p>Na separa\u00e7\u00e3o dos termos compostos, o <b>e<\/b> brinca de              esconde-esconde. Ora aparece. Ora some. \u00c9 capricho? N\u00e3o. Ele manda              um recadinho aos leitores. Examine as duas frases:               <\/p>\n<p>Na feira, comprei laranja, pera, ma\u00e7\u00e3, abacate <b>e<\/b> figo.              <i>             Na feira, comprei laranja, pera, ma\u00e7\u00e3, abacate, figo. <\/i>              <\/p>\n<p>Reparou? A presen\u00e7a do <b>e<\/b> diz: comprei s\u00f3 as frutas              enumeradas. Nenhuma mais. A aus\u00eancia do ezinho significa que comprei              outras frutas al\u00e9m das citadas. Funciona como o etc.               <\/p>\n<p>Dica: o etc. \u00e9 recurso de pregui\u00e7oso. Sem ele, a frase fica mais              elegante. Mande-o pras cucuias.              &nbsp;<b>             Refrescando a mem\u00f3ria <\/b>              <\/p>\n<p>Lembra-se das conjun\u00e7\u00f5es coordenativas? S\u00e3o aquelas cinco que              todos os alunos sabem de cor e salteado: aditivas (e, nem)              adversativas (mas, por\u00e9m, todavia, contudo, no entanto),              alternativas (ou, ou; ora, ora), explicativas (pois, que, porque),              conclusiva (pois, portanto, logo).<b>              <\/p>\n<p>             Quase igual <\/b>              <\/p>\n<p>Assim como existem termos coordenados, existem as ora\u00e7\u00f5es              coordenadas. Elas se dividem em dois grupos. O primeiro: o das              assind\u00e9ticas. Elas querem dist\u00e2ncia da conjun\u00e7\u00e3o. Ficam s\u00f3 com a              v\u00edrgula: <i>Cheguei, vi, venci. Trabalho, estudo, viajo. <\/i>              <\/p>\n<p>O segundo grupo \u00e9 o das sind\u00e9ticas. Essas s\u00e3o gulosas que s\u00f3.              Exigem a conjun\u00e7\u00e3o e a v\u00edrgula. \u00c9 dose dupla: <i>              <\/p>\n<p>Chico Buarque falou muito, mas n\u00e3o convenceu.              Ou estuda, ou trabalha.              Feche a porta, que seu pai est\u00e1 dormindo.              Penso, logo existo. <\/i>              <\/p>\n<p>&nbsp;<b>             Caso especial <\/b>              <\/p>\n<p>O <b>e<\/b> ficou de fora? Ficou. Ele detesta excessos. Por isso,              dispensa a v\u00edrgula: <i>Trabalho e estudo. Vou a Pernambuco e depois              \u00e0 Para\u00edba. <\/i>              <\/p>\n<p>S\u00f3 num caso vai de dose dupla. A\u00ed, imp\u00f5e duas condi\u00e7\u00f5es. Uma: as              ora\u00e7\u00f5es t\u00eam que ter sujeitos diferentes. A outra: a possibilidade de              provocarem confus\u00e3o.               <\/p>\n<p>Veja: <i>              <\/p>\n<p>A Otan atacou a Iugosl\u00e1via e a R\u00fassia reagiu. <\/i>              <\/p>\n<p>Percebeu? O per\u00edodo tem ora\u00e7\u00f5es com sujeitos diferentes. Um \u00e9              Otan. O outro, R\u00fassia. Uma leitura r\u00e1pida d\u00e1 a impress\u00e3o de que a              Otan atacou a Iugosl\u00e1via e a R\u00fassia. O que fazer? Usar a v\u00edrgula              antes do <b>e<\/b>: <i>A Otan atacou a Iugosl\u00e1via, e a R\u00fassia reagiu.              <\/i>             &nbsp;<b>             Cuidado <\/b>              <\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o, descuidados. A v\u00edrgula aparece antes da conjun\u00e7\u00e3o. N\u00e3o              depois.              &nbsp;<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria \u00e9 velha. T\u00e3o velha quanto andar pra frente. Jos\u00e9 C\u00e2ndido de Carvalho conta o fato. Freixeiras, funcion\u00e1rio da Companhia de \u00c1gua e Esgotos do Rio de Janeiro, tinha um grande orgulho. 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