{"id":5596,"date":"2011-10-25T00:00:00","date_gmt":"2011-10-25T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/virgula_2-2\/"},"modified":"2011-10-25T00:00:00","modified_gmt":"2011-10-25T02:00:00","slug":"virgula_2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/virgula_2-2\/","title":{"rendered":"V\u00edrgula 2"},"content":{"rendered":"<p><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p> <\/b>  <\/p>\n<p> A palavra v\u00edrgula vem de longe. Nasceu no latim.  L\u00e1, queria dizer varinha. Tamb\u00e9m significava pequeno tra\u00e7o ou linha. Depois,  virou sinal de pontua\u00e7\u00e3o. Indica pausa r\u00e1pida, menor que o ponto.   <\/p>\n<p>A mocinha atravessou os s\u00e9culos. No caminho,  suscitou discuss\u00f5es. Alguns afirmam que seu emprego \u00e9 quest\u00e3o de gosto. A gente  p\u00f5e o sinalzinho onde tem vontade. Outros dizem que basta ler a frase. Parou pra  respirar? Pronto. Taca-lhe a v\u00edrgula. A\u00ed surge um problema. Como os gagos e os  asm\u00e1ticos v\u00e3o se virar?   <\/p>\n<p>Outros, ainda, acham que devem usar todas as  v\u00edrgulas a que t\u00eam direito \u2013 as obrigat\u00f3rias e as facultativas. \u00c9 o caso do  amanuense Borjalino Ferraz. O homem estudou o assunto anos a fio. Aprendeu tudo.  Esnobava o saber em of\u00edcios e memorandos. N\u00e3o deixava passar uma.  &nbsp;  O chefe reclamou do exagero. &#8220;Desse jeito&#8221;, disse  ele, &#8220;o amigo acaba com o estoque. O munic\u00edpio n\u00e3o tem dinheiro pra comprar  v\u00edrgulas novas&#8221;. O pux\u00e3o de orelhas entrou por um ouvido e saiu por outro. O  prefeito n\u00e3o p\u00f4de fazer nada. Borjalino tinha estabilidade. <b>  <\/p>\n<p> Variedade <\/b>  <\/p>\n<p>H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es e situa\u00e7\u00f5es. Nalgumas, a v\u00edrgula \u00e9  facultativa. A\u00ed, n\u00e3o h\u00e1 erro. Voc\u00ea acerta sempre. Noutras, obrigat\u00f3ria. \u00c9 o caso  da separa\u00e7\u00e3o dos termos coordenados, explicativos e deslocados. Os coordenados  foram assunto da li\u00e7\u00e3o anterior. Agora \u00e9 vez dos explicativos.  &nbsp;<b> O que \u00e9? <\/b>  <\/p>\n<p>O termo explicativo tem v\u00e1rias caras. Uma \u00e9 velha  conhecida. Chama-se aposto. Lembra-se? <i>  <\/p>\n<p>D. Pedro II, imperador do Brasil, morreu em Paris. <\/i>  <\/p>\n<p>Os professores vivem dizendo que o aposto n\u00e3o faz  falta. Pode cair fora. Verdade? \u00c9. Ele facilita a vida do leitor. Mas a aus\u00eancia  dele n\u00e3o causa preju\u00edzo ao entendimento da frase. Se eu n\u00e3o sei quem \u00e9 D. Pedro  II, tenho sa\u00edda. Dou uma espiadinha num livro de hist\u00f3ria. Est\u00e1 tudo ali.   &nbsp;<b> Chute? <\/b>  <\/p>\n<p>Compare as frases: <i>  <\/p>\n<p>A presidente da Rep\u00fablica, Dilma Rousseff , prepara nova viagem.  <\/i><i> O ex-presidente da Rep\u00fablica Fernando Henrique Cardoso morou no exterior.  <\/i>  <\/p>\n<p>Por que um nome vem entre v\u00edrgulas e outro n\u00e3o? As  situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o parecidas. \u00c9 chute? N\u00e3o. O segredo est\u00e1 no que vem antes do  nome. No primeiro caso, \u00e9 presidente da Rep\u00fablica. Quantos existem? S\u00f3 um.  <i>Dilma Rousseff<\/i><b> <\/b>\u00e9 termo explicativo. Funciona como aposto. Da\u00ed as  v\u00edrgulas.   <\/p>\n<p>Mas h\u00e1 mais de um ex-presidente. Se eu n\u00e3o  disser a quem me refiro, deixo o leitor numa enrascada. Posso estar falando de  Jos\u00e9 Sarney, Lula, Collor. A\u00ed, s\u00f3 h\u00e1 um jeito: dar nome ao boi. <i>Fernando  HenriqueCardoso<\/i> \u00e9 termo restritivo. N\u00e3o aceita v\u00edrgula.  &nbsp;<b> Mais exemplos <\/b><i>  <\/p>\n<p>A capital do Brasil, Bras\u00edlia, tem 2,5 milh\u00f5es de habitantes  <\/i>(o Brasil tem uma s\u00f3 capital).   <\/p>\n<p>O <i>ministro da Fazenda, Guido Mantega, deve  depor na CPI <\/i>(s\u00f3 h\u00e1 um ministro da Fazenda).   <\/p>\n<p>O <i>ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero ficou  famoso pela indiscri\u00e7\u00e3o parab\u00f3lica <\/i>(h\u00e1 um mont\u00e3o de ex-ministros da  Fazenda).  &nbsp;<b> Enrascada <\/b>  <\/p>\n<p>\u00c0s vezes, a gente se v\u00ea numa enrascada:  <i>  <\/p>\n<p>Meu filho Marcelo estuda na universidade. <\/i>  <\/p>\n<p>Restritivo ou explicativo? Depende. Do qu\u00ea? Do  antecedente do termo <i>Marcelo. <\/i>Eu tenho um filho ou mais de um filho? Se  um, o termo \u00e9 explicativo. Se mais de um, restritivo. <i>  <\/p>\n<p>Minha m\u00e3e, Rosa, mora em S\u00e3o Paulo.  Minha tia Maria chega amanh\u00e3; minha tia Carla vem na  pr\u00f3xima semana. <\/i>  <\/p>\n<p>Viu? Eu s\u00f3 tenho uma m\u00e3e. <i>Rosa<\/i> \u00e9 termo  explicativo.  Tenho mais de uma tia. <i>Maria<\/i> e <i>Carla<\/i>  s\u00e3o termos restritivos.  &nbsp;<b> Servi\u00e7o completo <\/b>  <\/p>\n<p>N\u00e3o fique pela metade. O termo explicativo vem  presinho da silva. Ora, entre v\u00edrgulas. Ora, entre a v\u00edrgula e o ponto:    <\/p>\n<p>Dom Casmurro, <i>de Machado de Assis, \u00e9  obra-prima do Realismo brasileiro. <\/i> Comprei um Corsa, carro da Chevrolet.    <\/p>\n<p><b> Sem monotonia <\/b>  <\/p>\n<p>A l\u00edngua \u00e9 um conjunto de possibilidades.  Flex\u00edvel, a danada detesta monotonia. Oferece v\u00e1rios jeitos de dizer a mesma  coisa.   <\/p>\n<p>Veja:   <\/p>\n<p>O <i>aluno <\/i><b>estudioso <\/b><i>tira boas  notas. <\/i> O <i>aluno <\/i><b>que estuda <\/b><i>tira  boas notas. <\/i>  <\/p>\n<p>As frases dizem que h\u00e1 alunos e alunos. N\u00e3o \u00e9  qualquer um que tira boas notas. S\u00f3 chega l\u00e1 quem se debru\u00e7a sobre os livros.  Numa, o termo restritivo \u00e9 adjetivo (estudioso). Noutra, ora\u00e7\u00e3o adjetiva (que  estuda). O tratamento mant\u00e9m-se. Nada de v\u00edrgula.   <\/p>\n<p>Com as explicativas ocorre o mesmo:   <\/p>\n<p>O <i>homem, <\/i><b>mortal<\/b>,<b> <\/b><i>tem  alma imortal. <\/i> O <i>homem, <\/i><b>que \u00e9 mortal<\/b>, <i>tem  alma imortal. <\/i> &nbsp;<b> Desafio <\/b>  <\/p>\n<p>Esta cilada caiu no vestibular:  <i> <\/p>\n<p><\/i><i>Os cinco filhos de Jos\u00e9 que chegaram do Rio  est\u00e3o no Recife. <\/i>  <\/p>\n<p>A quest\u00e3o: quantos filhos tem Jos\u00e9?  ( ) Tem cinco. ( ) Tem mais de cinco.   <\/p>\n<p>E agora? Quem responde \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o. Restritiva ou  explicativa? Sem v\u00edrgulas, \u00e9 restritiva. Ent\u00e3o Jos\u00e9 tem mais de cinco filhos. Se  fossem s\u00f3 cinco, &#8220;que chegaram do Rio&#8221; estaria cercadinha de v\u00edrgulas.   &nbsp;<b> Virtudes <\/b>  <\/p>\n<p>Lembra-se do recado de Montaigne? &#8220;O estilo&#8221;,  diz ele, deve ter tr\u00eas virtudes: clareza, clareza, clareza. &#8220;Saber identificar o  termo explicativo e restritivo n\u00e3o constitui s\u00f3 problema de corre\u00e7\u00e3o. Muitas  vezes afeta a clareza.  &nbsp;  <strong><\/strong>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A palavra v\u00edrgula vem de longe. Nasceu no latim. L\u00e1, queria dizer varinha. Tamb\u00e9m significava pequeno tra\u00e7o ou linha. Depois, virou sinal de pontua\u00e7\u00e3o. Indica pausa r\u00e1pida, menor que o ponto. A mocinha atravessou os s\u00e9culos. No caminho, suscitou discuss\u00f5es. Alguns afirmam que seu emprego \u00e9 quest\u00e3o de gosto. A gente p\u00f5e o sinalzinho onde tem vontade. Outros dizem que basta ler a frase. 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