{"id":5611,"date":"2011-05-20T11:00:00","date_gmt":"2011-05-20T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/errar_e_poetico\/"},"modified":"2011-05-20T11:00:00","modified_gmt":"2011-05-20T14:00:00","slug":"errar_e_poetico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/errar_e_poetico\/","title":{"rendered":"Errar \u00e9 po\u00e9tico"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Carlos T<a name=\"Save1\"><\/a>avares  <\/p>\n<p>A discuss\u00e3o desencadeada pelo livro <i>Por uma vida melhor<\/i>, escrito pela  professora Helo\u00edsa Ramos, sobre as formas de falar e escrever o portugu\u00eas n\u00e3o  deixa de ser uma boa oportunidade para se rever certos ensaios da mesma \u00f3pera  por autores diversos. A come\u00e7ar pelo personagem de Lima Barreto, que deseja  impor o tupi-guarani como l\u00edngua oficial em <i>Triste fim de Policarpo  Quaresma<\/i>, por volta de 1911, quando foi publicado, em rea\u00e7\u00e3o \u00e0 gram\u00e1tica  normativa da l\u00edngua portuguesa.   <\/p>\n<p>No auge do movimento modernista, em 1924, M\u00e1rio de Andrade chegou a escrever  uma <i>Gramatiquinha da fala brasileira<\/i> onde seria registrado tudo do jeito  que se pronunciava no dia a dia. Mas essa briga \u00e9 mais antiga ainda, entre a  ordem e a desordem do idioma. Jos\u00e9 de Alencar, por exemplo, escreveu: &#8220;Sinh\u00e1  mandou dizer que volte tudo para casa e j\u00e1. Acabou-se o passeio&#8221;. Quando o  correto seria: &#8220;Sinh\u00e1 mandou dizer que voltem todos para casa, e j\u00e1. Acabou-se o  passeio&#8221;. O  <\/p>\n<p>Outros que violentaram o vern\u00e1culo e chutaram as regras para o alto em  c\u00e9lebres p\u00e1ginas de versos, contos e romances, foram Fernando Pessoa, Monteiro  Lobato, Carlos Drummond de Andrade. Por exemplo: &#8220;No meio do caminho tinha uma  pedra\/Tinha uma pedra no meio do caminho&#8221;. O gram\u00e1tico de gravata borboleta  diria que o certo \u00e9 assim: &#8220;No meio do caminho havia uma pedra\/Havia uma pedra  no meio do caminho&#8221;. J\u00e1 em Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa, coitado do vern\u00e1culo oficial:  &#8220;\u00d4ce fique, \u00f4ce vai&#8221;. Nonada, viver \u00e9 muito perigoso!  <\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 esse o caso da professora que assina a obra distribu\u00edda pelo  Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o nas escolas p\u00fablicas. Os estatutos da linguagem liter\u00e1ria  s\u00e3o outros. N\u00e3o se pode exigir de um escritor que ele siga \u00e0 risca as normas e  regras da sintaxe, da morfologia, da gram\u00e1tica como se estivesse compondo uma  equa\u00e7\u00e3o logor\u00edtmica.   <\/p>\n<p>O problema do livro de Helo\u00edsa \u00e9 que ela quer transformar a discuss\u00e3o sobre o  falar certo ou errado e escrever certo ou errado em luta de classes. N\u00e3o se  trata de ser pobre ou rico, n\u00e3o se trata de Sul e Norte, de regionalismos. Esta  \u00e9 uma discuss\u00e3o estritamente lingu\u00edstica, n\u00e3o envolve as quest\u00f5es gramatical ou  sint\u00e1tica, o que a educadora prop\u00f5e \u00e9 uma nova vers\u00e3o piorada da Gramatiquinha  de M\u00e1rio de Andrade.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Tavares A discuss\u00e3o desencadeada pelo livro Por uma vida melhor, escrito pela professora Helo\u00edsa Ramos, sobre as formas de falar e escrever o portugu\u00eas n\u00e3o deixa de ser uma boa oportunidade para se rever certos ensaios da mesma \u00f3pera por autores diversos. 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