{"id":5613,"date":"2011-01-20T00:00:00","date_gmt":"2011-01-20T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/dia_de_sao_nunca-2\/"},"modified":"2011-01-20T00:00:00","modified_gmt":"2011-01-20T02:00:00","slug":"dia_de_sao_nunca-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/dia_de_sao_nunca-2\/","title":{"rendered":"Dia de S\u00e3o Nunca"},"content":{"rendered":"<p> <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-dad\/\" \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.dzai.com.br\/static\/user\/\/18\/18971\/19cc80601044b6168e76ca5625733f30.jpg\">  <BR>  <BR>  <BR> DAD SQUARISI \/\/ dadsquarisi.df@@<A href=\"http:\/\/dabr.com.br\/\" target=\"_blank\">dabr.com.br<\/A>  <BR> Os povos t\u00eam marcas. \u00c9 o jeitinho que Deus lhes deu. O franc\u00eas poupa dinheiro. O ingl\u00eas confia no <I>Times<\/I>. O espanhol se fascina com a morte. O americano adora gravata colorida. O argentino d\u00e1 aulas a Deus. O colombiano jura que todos t\u00eam seu pre\u00e7o. O \u00e1rabe acredita no destino. O japon\u00eas fotografa. E o brasileiro? N\u00f3s adiamos.   <BR> Deixamos para amanh\u00e3 o que podemos fazer hoje. Se poss\u00edvel, pra depois de amanh\u00e3. Ou pra semana que vem, pro m\u00eas que vem, pro ano que vem. Coerentes, criamos at\u00e9 o Dia de S\u00e3o Nunca. Enriquecemos a l\u00edngua com a requintada arte de empurrar com a barriga. Adiar, procrastinar, protelar, transferir, prorrogar, delongar, esperar, postergar, recalcular d\u00e3o nuances diferentes \u00e0 mesma inclina\u00e7\u00e3o inelut\u00e1vel.   <BR> N\u00e3o s\u00f3. H\u00e1 varia\u00e7\u00f5es da nota: deixar pra depois, depois eu fa\u00e7o, dar tempo ao tempo, ganhar tempo, entregar a Deus, se Deus quiser, Deus \u00e9 quem sabe, tudo tem seu tempo. Mais: o tempo \u00e9 o melhor rem\u00e9dio, h\u00e1 tempo para tudo, nada melhor que um dia depois do outro, antes tarde do que nunca, devagar se vai ao longe, quem espera sempre alcan\u00e7a, os \u00faltimos ser\u00e3o os primeiros.   <BR> A burocracia inventou formas disfar\u00e7adas de procrastinar. Brasileir\u00edssimas, s\u00e3o t\u00e3o nossas quanto a feijoada ou a caipirinha. Camuflam. Enrolam. Falam sem dizer. &#8220;Levar a inst\u00e2ncia superior&#8221; \u00e9 uma delas. &#8220;Deu entrada no protocolo&#8221;, outra. &#8220;Criar comiss\u00e3o&#8221; veste camisa do mesmo time. Se a comiss\u00e3o for &#8220;de alto n\u00edvel&#8221;, esque\u00e7a. Se &#8220;de not\u00e1veis&#8221;, entregue a Deus e espere sentado.  <BR> Sentados podem esperar os fluminenses. Em 2004, o governo, assustado com o tsunami na \u00c1sia, prometeu criar um sistema de alerta, capaz de prevenir trag\u00e9dias como a de Niter\u00f3i, Angra ou Teres\u00f3polis &amp; vizinhan\u00e7a. O que fez? Formou comiss\u00e3o. Melhor: senhora comiss\u00e3o, composta de 22 membros. Dois anos e muitos debates depois, o grupo apresentou projeto-piloto. Custo: R$ 36 milh\u00f5es.  <BR> Cad\u00ea? Ningu\u00e9m sabe, ningu\u00e9m viu. Agora, 700 e muitos cad\u00e1veres expostos, tr\u00eas cidades destru\u00eddas, milhares de desalojados e desabrigados, fala-se na cria\u00e7\u00e3o de um requentado sistema nacional de alerta e preven\u00e7\u00e3o de desastres naturais. Em quatro anos, ele estaria prontinho da silva. &#8220;Tanto tempo?&#8221;, perguntam os ing\u00eanuos. Esquecem-se de que amanh\u00e3 vai ser outro dia. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DAD SQUARISI \/\/ dadsquarisi.df@@dabr.com.br Os povos t\u00eam marcas. \u00c9 o jeitinho que Deus lhes deu. O franc\u00eas poupa dinheiro. O ingl\u00eas confia no Times. O espanhol se fascina com a morte. O americano adora gravata colorida. O argentino d\u00e1 aulas a Deus. 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