{"id":5614,"date":"2011-05-20T12:00:00","date_gmt":"2011-05-20T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_polemica_da_lingua\/"},"modified":"2011-05-20T12:00:00","modified_gmt":"2011-05-20T15:00:00","slug":"a_polemica_da_lingua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_polemica_da_lingua\/","title":{"rendered":"A pol\u00eamica da l\u00edngua"},"content":{"rendered":"<div><b> <\/p>\n<p><\/b><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p><\/b> Valha-nos, Deus! A briga pega fogo. De um lado, o livro did\u00e1tico adotado pelo  MEC. Ele n\u00e3o considera erro escrever &#8220;os livro&#8221; ou &#8220;n\u00f3s pega o peixe&#8221;. De outro,  os cr\u00edticos. Pais, estudantes, pol\u00edticos, profissionais se indignam porque t\u00eam a  escola como lugar de conhecimento. Ela deve, portanto, ensinar a norma culta.  Enquanto a batalha rola, vale analisar os exemplos citados. Ambos ignoram a  concord\u00e2ncia.   <\/p>\n<p>O que \u00e9 isso? \u00c9 isto: aonde os mandachuvas v\u00e3o, os subordinados v\u00e3o atr\u00e1s. Em  bom portugu\u00eas: artigos, adjetivos e pronomes concordam com o substantivo em  g\u00eanero e n\u00famero (<i>o livro, os livros; a casa, as casas; livro colorido, livros  coloridos; casa colorida, casas coloridas; meu livro, meus livros; minha casa,  minhas casas). <\/i>O verbo concorda com o sujeito em pessoa e n\u00famero \u2014 eu pego,  tu pegas, ele pega, n\u00f3s pegamos, v\u00f3s pegais, eles pegam.   <\/p>\n<p>Ao dizer &#8220;os livro&#8221;, todos entendem. O mesmo ocorre com &#8220;n\u00f3s pega o peixe&#8221;. A  pol\u00eamica n\u00e3o se resume ao entende-n\u00e3o entende. Vai al\u00e9m. Trata-se da obedi\u00eancia  ao pacto lingu\u00edstico. Entre as tantas formas de falar e dizer existentes, uma  sobressai. \u00c9 a norma culta. Vestibulares, concursos, empresas a exigem. As  demais devem ser ridicularizadas? Claro que n\u00e3o. Cada uma tem sua hora.  <b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> &nbsp; Um caso de concord\u00e2ncia<\/b>  <\/p>\n<p>Os exemplos do livro s\u00e3o pra l\u00e1 de simples. H\u00e1 casos mais complexos. Um  deles: <i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> Comer pouco, dormir bem e praticar atividades f\u00edsicas \u2026 ops! a. faz bem \u00e0 sa\u00fade? b. fazem bem \u00e0 sa\u00fade?<\/i> &nbsp;  <\/p>\n<p>Escolheu a letra a? Acertou. A regra: sujeitos constitu\u00eddos de inifinitvos  mant\u00eam o verbo no singular. Mais amostras?<i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>Fazer as provas e participar das atividades escolares \u00e9 dever do  estudante.  <\/p>\n<p>Pagar as contas, fazer economia e educar os filhos norteia a vida dos  imigrantes que querem vencer no pa\u00eds que os acolhe.  <\/p>\n<p>Chegar, ver e vencer era o lema de J\u00falio C\u00e9sar.<\/i><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> &nbsp; Olho vivo<\/b>  <\/p>\n<p>&#8220;A gram\u00e1tica&#8221;, dizem os gozadores, &#8220;\u00e9 um sistema de ciladas.&#8221; Ao menor  descuido, pega o desavisado pelo p\u00e9. Uma armadilha tem tudo a ver com a regra  anterior. Com infinitivos, o verbo vai para o plural se houver contraste entre  os sujeitos:<i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>Viver e morrer fazem parte da vida.  <\/p>\n<p>Trabalhar e descansar n\u00e3o s\u00e3o luxo. S\u00e3o necessidade.<\/i>  <\/p>\n<p>Cair e erguer-se n\u00e3o humilham ningu\u00e9m.<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> &nbsp; H\u00e1 mais<\/b>  <\/p>\n<p>Acabou? N\u00e3o. H\u00e1 mais um pormenor importante. Os sujeitos constitu\u00eddos de  ora\u00e7\u00f5es desenvolvidas (com verbo conjugado) tamb\u00e9m levam o verbo para o  singular: <i>Que ele estude, progrida no emprego e chegue \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da empresa  n\u00e3o constitui surpresa. <\/i> &nbsp; <strong>Resumo da opereta<\/strong>  <\/p>\n<p>O dom\u00ednio da norma culta n\u00e3o cai do c\u00e9u nem salta do inferno. Exige estudo. A  l\u00edngua \u00e9 como se fosse uma grande escada. Cada assunto aprendido corresponde a  um degrau&nbsp;vencido. Quanto mais alto  estivermos, mais ampla a nossa vis\u00e3o. Quem chega ao topo conquista a liberdade  plena. A\u00ed, entre as&nbsp;op\u00e7\u00f5es da l\u00edngua, escolhe a mais adequada ao recado que  quer transmitir. L\u00edngua \u00e9 isto: um sistema de possibilidades. Como se inclinar  por uma ou outra sem conhec\u00ea-las? <\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Valha-nos, Deus! A briga pega fogo. De um lado, o livro did\u00e1tico adotado pelo MEC. Ele n\u00e3o considera erro escrever &#8220;os livro&#8221; ou &#8220;n\u00f3s pega o peixe&#8221;. De outro, os cr\u00edticos. Pais, estudantes, pol\u00edticos, profissionais se indignam porque t\u00eam a escola como lugar de conhecimento. Ela deve, portanto, ensinar a norma culta. Enquanto a batalha rola, vale analisar os exemplos citados. Ambos ignoram a concord\u00e2ncia. 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