{"id":5632,"date":"2011-01-24T09:00:00","date_gmt":"2011-01-24T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/os_sete_pecados_da_concordancia\/"},"modified":"2015-11-12T19:32:07","modified_gmt":"2015-11-12T21:32:07","slug":"os_sete_pecados_da_concordancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/os_sete_pecados_da_concordancia\/","title":{"rendered":"Os sete pecados da concord\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>Havia seis artes. Seis? N\u00e3o era n\u00famero cabal\u00edstico. Como  chegar ao sete? Em 1911 Ricciotto Canudo escreveu o <i>Manifesto das sete  artes<\/i>. Os entendidos protestaram. N\u00e3o adiantou. A grande novidade da \u00e9poca  abocanhou a denomina\u00e7\u00e3o. O cinema tornou-se a s\u00e9tima arte.   <\/p>\n<p>O esperneio se explica. Trata-se do signo particular que  cada uma utiliza. A m\u00fasica fica com o som. A pintura, com a cor. A escultura,  com o volume. A arquitetura, com o espa\u00e7o vazio. A literatura, com a palavra. A  dan\u00e7a (coreografia), com o movimento. E o cinema? Sem cerim\u00f4nia, a sem-signo  pr\u00f3prio misturou todos. O jeito foi concordar.   <\/p>\n<p>A l\u00edngua tamb\u00e9m faz pactos. Um deles: a concord\u00e2ncia. Para  conviver com harmonia, estabeleceu hierarquias. O sujeito e o predicado s\u00e3o os  mandachuvas. Na flex\u00e3o do verbo, o sujeito dita as regras. Muitos ignoram o  trato. Cometem pecados. Sete deles se destacam.<b> &nbsp;   <\/p>\n<p>Sujeito posposto<\/b>   <\/p>\n<p>O portugu\u00eas \u00e9 flex\u00edvel. Permite que os termos passeiem na  frase. O vaiv\u00e9m, por\u00e9m, n\u00e3o muda as regras. O verbo continua vassalo. Concorda  com o sujeito em pessoa e n\u00famero. Mas nem todos se d\u00e3o conta da mudan\u00e7a de  posi\u00e7\u00e3o. Quando o sujeito aparece depois do verbo,&nbsp;\u00e9 trope\u00e7o certo. Veja um exemplo: <i>   <\/p>\n<p>Na rua onde eu morava, passava meninos de  bicicleta.<\/i>   <\/p>\n<p>Ops! Se o sujeito estivesse na frente do verbo, ningu\u00e9m se  machucaria: <i>Na rua onde eu morava, meninos de bicicleta  passavam.<\/i><b> &nbsp;   <\/p>\n<p>Voz passiva<\/b>   <\/p>\n<p>A passiva sint\u00e9tica (constru\u00edda com o pronome <i>se<\/i>) \u00e9  outra tenta\u00e7\u00e3o. Veem-se, a torto e a direito, placas com &#8220;vende-se frutas&#8221; ou  &#8220;aluga-se casas&#8221;. Perdoai-nos, sujeitos! Senhor, mostrai-nos o caminho da  salva\u00e7\u00e3o. Ei-lo: construa a frase com o verbo ser. Se o danadinho ficar no  plural, o da passiva sint\u00e9tica vai atr\u00e1s. Se no singular, idem: <i>vendem-se  frutas (frutas s\u00e3o vendidas), alugam-se casas (casas s\u00e3o alugadas), constr\u00f3i-se  muro de pedra (muro de pedra \u00e9 constru\u00eddo).<\/i><b> &nbsp;   <\/p>\n<p>Ou<\/b>   <\/p>\n<p>O <i>ou<\/i> joga em dois times. Ora inclui. Ora exclui. Olho  vivo! Se mais de um sujeito pode praticar a a\u00e7\u00e3o, \u00e9 a vez do plural<i>: Um ou  outro artista compareceram \u00e0 festa<\/i> (nada impede que mais de um artista  apare\u00e7a).    <\/p>\n<p>O perigo mora na exclus\u00e3o. A\u00ed, s\u00f3 um pode reinar. O verbo  tem de concordar com ele. \u00c9 o caso de &#8220;Pedro ou Lu\u00eds ser\u00e1 presidente do clube&#8221;.  S\u00f3 h\u00e1 uma vaga? O singular pede passagem. <b> &nbsp;   <\/p>\n<p>Um dos que<\/b>   <\/p>\n<p>Express\u00e3o-gilete, <i>um dos que<\/i> corta dos dois lados.  Topa o singular e o plural. Moleza? Nem tanto. O singular \u00e9 ego\u00edsta. Diz que a  a\u00e7\u00e3o se refere a um s\u00f3 sujeito: O <i>Tiet\u00ea \u00e9 um dos rios da capital paulista que  des\u00e1gua no Paran\u00e1<\/i>. (S\u00f3 o Tiet\u00ea des\u00e1gua no Paran\u00e1.) <i>Jo\u00e3o \u00e9 um dos  candidatos \u00e0 presid\u00eancia que ataca o antecessor<\/i>. (H\u00e1 v\u00e1rios candidatos. S\u00f3  Jo\u00e3o ataca o antecessor.)   <\/p>\n<p>O plural joga em outro time. Informa que a a\u00e7\u00e3o se refere a  mais de uma criatura: <i>Jo\u00e3o \u00e9 um dos candidatos \u00e0 presid\u00eancia que atacam o  antecessor. (<\/i>V\u00e1rios candidatos atacam o antecessor. Jo\u00e3o \u00e9 um  deles.)<b> &nbsp;   <\/p>\n<p>Partitivo<\/b>   <\/p>\n<p>Partitivo \u00e9 parte de um todo. H\u00e1 express\u00f5es partitivas \u2014  parte de, uma por\u00e7\u00e3o de, grupo de, o resto de, a metade de, a maioria de. Etc. e  tal. Quando seguidas de complemento plural, o verbo se esbalda. Pode concordar  com o n\u00facleo do sujeito ou com o complemento: <i>A maioria dos candidatos se<\/i>  <i>endividou<\/i> <i>(se endividaram) na campanha. Metade das frutas apodreceu  (apodreceram). A maioria da popula\u00e7\u00e3o do Rio sofreu com as chuvas. <\/i><b> &nbsp;   <\/p>\n<p>O mais poss\u00edvel<\/b><i> <\/i><i>  <\/p>\n<p><\/i><i>Poss\u00edvel<\/i> \u00e9 adjetivo. Concorda  com o substantivo (acordo poss\u00edvel, acordos poss\u00edveis). O problema pinta na  express\u00e3o &#8220;o mais\u2026poss\u00edvel&#8221;. Quando flexionar o triss\u00edlabo? Olho no artigo.  <i>Poss\u00edvel<\/i> concorda com ele: <i>Mulheres <b>o<\/b> mais elegantes  <b>poss\u00edvel<\/b>. Mulheres tentadoras <b>o<\/b> mais <b>poss\u00edvel<\/b>. <b>Os<\/b>  maiores esfor\u00e7os <b>poss\u00edveis<\/b>. <\/i><b> &nbsp;   <\/p>\n<p>Quem<\/b>   <\/p>\n<p>Fui eu quem comprei o livro? Fui eu quem comprou o livro?  Ah! O verbo morre de paix\u00e3o pelo <i>quem<\/i>. Mas tem cintura flex\u00edvel. Se  exigirem, concorda com o pronome pessoal: <i>Fui eu quem comprou o livro. Fui eu  quem comprei o livro. Fomos n\u00f3s quem compramos o livro. Fomos n\u00f3s quem comprou o  livro. Foram eles quem compraram o livro. Foram eles quem comprou o  livro<b>.<\/b><\/i>   <\/p>\n<p>Ufa!  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havia seis artes. Seis? N\u00e3o era n\u00famero cabal\u00edstico. Como chegar ao sete? Em 1911 Ricciotto Canudo escreveu o Manifesto das sete artes. Os entendidos protestaram. N\u00e3o adiantou. A grande novidade da \u00e9poca abocanhou a denomina\u00e7\u00e3o. O cinema tornou-se a s\u00e9tima arte. O esperneio se explica. Trata-se do signo particular que cada uma utiliza. A m\u00fasica fica com o som. A pintura, com a cor. 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