{"id":5676,"date":"2011-01-30T01:00:00","date_gmt":"2011-01-30T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_berco_da_palavra\/"},"modified":"2011-01-30T01:00:00","modified_gmt":"2011-01-30T03:00:00","slug":"o_berco_da_palavra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_berco_da_palavra\/","title":{"rendered":"O ber\u00e7o da palavra"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; M\u00e1rcio Cotrim &nbsp; Os marmanjos, saudosos, sabem muito bem quem foi o Tarz\u00e3, her\u00f3i das selvas que encantou gera\u00e7\u00f5es. Criado literariamente em 1914 pelo escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs, chegou ao cinema com enorme \u00eaxito em 1918 e \u00e0s hist\u00f3rias em quadrinhos em 1929. &nbsp; O mais conhecido Tarz\u00e3 foi o austr\u00edaco, m\u00edtico nadador e campe\u00e3o ol\u00edmpico Johnny Weissmuller, que fez 20 filmes entre 1932 e 1948, nos quais imortalizou seu famos\u00edssimo grito. Entre n\u00f3s, em meados dos anos 40, foi lan\u00e7ada a cole\u00e7\u00e3o Terramarear, livros que contavam as fant\u00e1sticas perip\u00e9cias do homem branco criado entre macacos. &nbsp; Agora, veja voc\u00ea. A empresa RGC Jenkins &amp; Company, que representa os herdeiros do pai do Tarz\u00e3, procurou patentear o grito dessa figura lend\u00e1ria e encaminhou o pleito a um escrit\u00f3rio especializado. Examinado o assunto, n\u00e3o houve condi\u00e7\u00e3o de atend\u00ea-lo pela impossibilidade de o som ser viabilizado em notas musicais. &nbsp; O grito tamb\u00e9m n\u00e3o foi registrado porque n\u00e3o cumpria o reconhecimento de uma voz humana ou mesmo de outra coisa como, por exemplo, o som de um violino ou o latido de um c\u00e3o. Houve quem identificasse o emblem\u00e1tico grito como a combina\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios sons, inclusive o do pr\u00f3prio Tarz\u00e3, como um d\u00f3 agudo de uma soprano e o uivo de hiena gravadoem fita e reproduzido de tr\u00e1s para a frente. &nbsp; Seja como for, n\u00e3o houve crian\u00e7a no mundo que n\u00e3o se encantasse com as aventuras do Tarz\u00e3, de sua namorada Jane e da hilariante macaca Cheeta entre cip\u00f3s, apavorantes selvagens e outros bichos assustadores. &nbsp; *** &nbsp; AZUCRINAR &#8212; Importunar, apoquentar algu\u00e9m. Em linguagem bem popular, encher o saco. O ber\u00e7o dessa palavra tem a ver, acredite, com um diminuto inseto chamado azucrinol, de nome cient\u00edfico gynaikorthrips ficorum, com cerca de 2 mil\u00edmetros, verdadeira praga para as lavouras. \u00c9 tamb\u00e9m conhecido como lacerdinha, vive em bando na copa das \u00e1rvores, de onde se atira para picar as pessoas. Nos anos 50\/60, era muito lembrado, sobretudo pelos cariocas, como apelido dado pelos advers\u00e1rios do jornalista e pol\u00edtico Carlos Lacerda, que passou boa parte de sua vida p\u00fablica azucrinando os presidentes e pregando golpes para derrub\u00e1-los, at\u00e9 que ele mesmo acabou cassado pelo governo militar. Feiti\u00e7o contra o feiticeiro . . . &nbsp; *** &nbsp; BEDEL &#8212; Funcion\u00e1rio subalterno que atuava antigamente nas secretarias das escolas e faculdades, incumbido de apontar as faltas dos estudantes e dos professores, al\u00e9m de fazer as pautas dos exames, etc. O encarregado de manter a ordem e a disciplina. O ber\u00e7o da palavra vem do franc\u00eas bedel (atual bedeau, sacrist\u00e3o). Figura nem sempre querida mas muito presente nos corredores e nas salas de aula. A prop\u00f3sito de bedel, nunca esque\u00e7o de uma boa historinha. Deu-se que, numa prova oral em certo col\u00e9gio, o professor tomou a li\u00e7\u00e3o do aluno:  &nbsp; &#8212; Quantos rins n\u00f3s temos? \u2013 Quatro, professor. &nbsp; &#8212; Como, quatro?  &nbsp; &#8212; Claro, dois seus e dois meus.  &nbsp; O professor assombrado com o atrevimento e a ignor\u00e2ncia, berrou pelo bedel:  &nbsp; &#8212; Traga um punhado de alfafa!  &nbsp; E o aluno, cinicamente:  &nbsp; &#8212; E para mim, um cafezinho . . . &nbsp; *** &nbsp; NER\u00d3POLIS \u2013 A amiga e leitora Mitie Miki, de Bras\u00edlia (DF), indaga o ber\u00e7o do nome de sua cidade natal, Ner\u00f3polis (GO). A designa\u00e7\u00e3o desse munic\u00edpio goiano de cerca de 25 mil habitantes evidentemente nada tem a ver com uma refer\u00eancia ao imperador romano Nero. Ele foi batizado assim, e isso sim, no ano de 1930, em homenagem ao senador Nero Macedo que, consta, fez muito pelo estado mas pouco pela cidade que leva o seu nome. J\u00e1 foi considerada a \u201ccapital do alho\u201d em Goi\u00e1s e hoje tamb\u00e9m se destaca pela produ\u00e7\u00e3o de doces artesanais, comercializados em grande escala no mercado interno e exportados. Faz parte da regi\u00e3o metropolitana de Goi\u00e2nia e continua em franca expans\u00e3o, sobretudo no ramo da ind\u00fastria aliment\u00edcia, que ado\u00e7a o paladar goiano . . .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; M\u00e1rcio Cotrim &nbsp; Os marmanjos, saudosos, sabem muito bem quem foi o Tarz\u00e3, her\u00f3i das selvas que encantou gera\u00e7\u00f5es. 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