{"id":5679,"date":"2011-01-31T00:00:00","date_gmt":"2011-01-31T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/ze_bolacha\/"},"modified":"2011-01-31T00:00:00","modified_gmt":"2011-01-31T02:00:00","slug":"ze_bolacha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/ze_bolacha\/","title":{"rendered":"ze bolacha"},"content":{"rendered":"<div>A escola do  Zequinha<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;O padeiro Zequinha  da Bolacha \u00e9 o prefeito da Cidade do Cabo, a 30 km do Recife. Ganhou o apelido  porque troca voto por bolacha. O homem \u00e9 de poucas letras mas muitas manhas.  Certa tarde, recebeu uma queixa. As ruas estavam muito sujas. O lixo n\u00e3o era  recolhido havia muitos dias.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;O prefeito, de olho  nas elei\u00e7\u00f5es, quis dar satisfa\u00e7\u00e3o ao povo. Chamou o assessor de imprensa e  pediu:<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;\u00ad Escreva um  comunicado \u00e0s r\u00e1dios. Explique que o caminh\u00e3o do lixo n\u00e3o pode passar por causa  da chuva. As vias est\u00e3o intransit\u00e1veis.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;O funcion\u00e1rio p\u00f4s  m\u00e3os \u00e0 obra. Enquanto redigia o texto, pintou a d\u00favida. O caminh\u00e3o atolou-se? O  caminh\u00e3o se atolou? Melhor perguntar ao chefe. O sabich\u00e3o n\u00e3o pensou duas  vezes:<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;\u00ad A resposta \u00e9  simples. Se foram as rodas da frente que se afundaram no barro, o caminh\u00e3o se  atolou. Se as de tr\u00e1s, o caminh\u00e3o atolou-se. Se as da frente e as de tr\u00e1s, o  caminh\u00e3o se atolou-se.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\u00aeMDUL\u00af<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Antes ou  depois?\u00aeMDUL\u00af<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;A hist\u00f3ria se  espalhou. Ganhou espa\u00e7o nos jornais e na tev\u00ea. Alguns acharam gra\u00e7a. Riram \u00e0  solta. Outros ficaram na d\u00favida. Qual, \u00f3 Deus, \u00e9 a forma correta? O caminh\u00e3o se  atolou? O caminh\u00e3o atolou-se? <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Desmoraliza\u00e7\u00e3o<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;A irrever\u00eancia  nacional tem uma marca. Desmoraliza. Dizem que o comunismo n\u00e3o fincou ra\u00edzes  aqui com medo de jogar lama na reputa\u00e7\u00e3o. Afinal, Deus virou brasileiro.  Ensinou-nos a jogar no bicho, beber caipirinha e dar um jeitinho. Foi o que  aconteceu com a coloca\u00e7\u00e3o de pronomes. A regra veio de Portugal. Tem tudo a ver  com a pron\u00fancia lusitana. N\u00e3o com a nossa. Na terra de Cabral, os pronomes  \u00e1tonos s\u00e3o \u00e1tonos. Aqui, s\u00e3o t\u00f4nicos. Os portugueses dizem m\u2019. N\u00f3s, me. \u00c9  dif\u00edcil iniciar uma frase com m\u2019. Mas com me \u00e9 f\u00e1cil, f\u00e1cil. \u2018D\u00e1-me um cigarro\u2019,  pede o fil\u00e3o portugu\u00eas. \u2018Me d\u00e1 um cigarro\u2019, pede o brasileiro da gema.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Quase tudo <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;Em Pindorama vale  tudo? Na l\u00edngua falada \u00ad de chinelos e camiseta \u00ad vale. Na escrita, h\u00e1 um  limite. Duas regras exigem respeito. Uma: n\u00e3o iniciar frase com pronome \u00e1tono. A  outra: ficar de olho na atra\u00e7\u00e3o. A gangue do qu (que, quem, qual, porque,  quando, quanto), os pronomes e adv\u00e9rbios negativos (n\u00e3o, ningu\u00e9m, nunca), as  conjun\u00e7\u00f5es subordinativas (se, que, como) s\u00e3o os principais \u00edm\u00e3s do pronome.  Contra eles, n\u00e3o adianta reclamar. H\u00e1 que obedecer.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Exemplos<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;Quem se \u00aeMDUL\u00afqueixa  da imprensa?<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;\u00aeMDUL\u00afH\u00e1 muitos  pa\u00edses que se \u00aeMDUL\u00afop\u00f5em \u00e0 guerra no Iraque.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;Ningu\u00e9m o  \u00aeMDUL\u00afprocurou ontem.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;N\u00e3o sei como  \u00aeMDUL\u00afBush se \u00aeMDUL\u00afpronunciou na ONU.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;Se me  \u00aeMDUL\u00afconvidarem, aceito o desafio.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\u00aeMDUL\u00af<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Gilete<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;O substantivo entra  no time dos \u00edm\u00e3s? N\u00e3o. O danadinho joga na equipe dos giletes. Corta dos dois  lados. Com ele, ora ocorre a pr\u00f3clise. Ora, a \u00eanclise. Fica a gosto do  fregu\u00eas.\u00aeMDUL\u00af Vale a forma que soar melhor. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;\u00aeMDUL\u00afO caminh\u00e3o se  \u00aeMDUL\u00afatolou. O caminh\u00e3o atolou-se\u00aeMDUL\u00af.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;Na ONU, Bush se  \u00aeMDUL\u00afpronunciou a favor da guerra. Na ONU, Bush pronunciou-se \u00aeMDUL\u00afa favor da  guerra.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;O Brasil se prepara  para as elei\u00e7\u00f5es de outubro. O Brasil prepara-se para as elei\u00e7\u00f5es de  outubro.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;Os alunos se  retiraram cedo. Os alunos retiraram-se cedo.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Invejoso<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;O adv\u00e9rbio viu a  desenvoltura do substantivo. Invejoso, resolveu imit\u00e1-lo. Com aqui, ali, talvez,  l\u00e1, agora, depois, ontem, hoje, amanh\u00e3, o atonozinho pode escolher o lugar. Se  quiser ficar antes do verbo, \u00e9 bem-vindo. Se preferir acomodar-se depois,  tamb\u00e9m. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;\u00aeMDUL\u00afAqui se fala  portugu\u00eas. Aqui fala-se portugu\u00eas.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;\u00aeMDUL\u00afAgora se sente  melhor. Agora sente-se melhor.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;Amanh\u00e3 eu lhe  telefono. Amanh\u00e3 eu telefono-lhe. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;\u00aeMDUL\u00afDepois me  dirigi a ele. Depois dirigi-me a ele.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\u00aeMDUL\u00af<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Limite<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;O vaiv\u00e9m do invejoso  tem limite. Se houver pausa depois do adv\u00e9rbio, cessa tudo que a musa antiga  canta. O pronome, com o rabinho entre as pernas, \u00e9 obrigado a ficar depois do  verbo:<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;\u00aeMDUL\u00afAqui, fala-se  portugu\u00eas.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;Agora, sente-se  melhor.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;Amanh\u00e3,  telefono-lhe.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">\u00aeMDUL\u00af&nbsp;&nbsp; &nbsp;Depois,  dirigi-me a ele.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Moral da  hist\u00f3ria<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;Nada se perde. Tudo  se aproveita. A aula do Z\u00e9 Bolacha serviu para p\u00f4r substantivos e adv\u00e9rbios nos  trilhos. Valeu.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><\/div>\n<p><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escola do Zequinha&nbsp;&nbsp; &nbsp;O padeiro Zequinha da Bolacha \u00e9 o prefeito da Cidade do Cabo, a 30 km do Recife. Ganhou o apelido porque troca voto por bolacha. O homem \u00e9 de poucas letras mas muitas manhas. Certa tarde, recebeu uma queixa. As ruas estavam muito sujas. O lixo n\u00e3o era recolhido havia muitos dias.&nbsp;&nbsp; &nbsp;O prefeito, de olho nas elei\u00e7\u00f5es, quis dar satisfa\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-5679","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5679"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5679\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}