{"id":5700,"date":"2011-05-30T17:30:00","date_gmt":"2011-05-30T20:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_porque_dos_porques-2\/"},"modified":"2011-05-30T17:30:00","modified_gmt":"2011-05-30T20:30:00","slug":"o_porque_dos_porques-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_porque_dos_porques-2\/","title":{"rendered":"O porqu\u00ea dos porqu\u00eas"},"content":{"rendered":"<div> &nbsp;     <\/p>\n<p>  Por que? Por qu\u00ea? Porque? Porqu\u00ea? \u00c9 um deus nos acuda. Ora a dupla vem  coladinha. Ora, separada. \u00c0s vezes com acento. Outras, sem len\u00e7o nem documento.  Quem entende? \u00c9 um n\u00f3 nos miolos. J\u00e1 tratamos do assunto. Mas, volta e meia,  leitores pedem a retomada do tema. \u00c9 o caso de Jos\u00e9 Aldo. Ele e jornalistas,  advogados, professores, estudantes &amp; gente boa como n\u00f3s clamam por socorro.  O que fazer? Leitor manda. N\u00f3s obedecemos.     <\/p>\n<p>H\u00e1 dois empregos pra l\u00e1  de conhecidos. Gente de casa, quase todo mundo os domina. Na <a name=\"Save1\"><\/a>\u00e9poca em que a escola ensinava e o aluno aprendia, a meninada  decorava: na pergunta, o parzinho \u00e9 separado. Se o qu\u00ea estiver no fim da frase,  no fim mesmo, encostado no ponto, leva circunflexo. Caso contr\u00e1rio, vem  soltinho da silva:     <\/p>\n<p><b> <\/b><b>    <\/p>\n<p><\/b><b>Por que e por qu\u00ea     <\/p>\n<p><\/b>    <\/p>\n<p><i>Paulo, por que voc\u00ea chegou atrasado?      <\/p>\n<p>Paulo, voc\u00ea chegou atrasado por qu\u00ea?     <\/p>\n<p>Maria, voc\u00ea \u00e9 sempre t\u00e3o  atenta, mas anda distra\u00edda. Por que ser\u00e1?     <\/p>\n<p>Maria, voc\u00ea sempre t\u00e3o atenta,  mas anda distra\u00edda. Por qu\u00ea?     <\/p>\n<p><\/i><b>     <\/p>\n<p>Porque<\/b>     <\/p>\n<p>A resposta \u00e0 quest\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil como tirar pirulito de beb\u00ea. O parzinho vem  colado. \u00c9 a conjun\u00e7\u00e3o causal:     <\/p>\n<p><i>Paulo chegou atrasado porque acordou  tarde.     <\/p>\n<p>Maria anda distra\u00edda porque est\u00e1 apaixonada.     <\/p>\n<p><\/i>    <\/p>\n<p><b> <\/b><b>    <\/p>\n<p><\/b><b>Porqu\u00ea<\/b>     <\/p>\n<p>O porqu\u00ea, assim \u2013 juntinho e enchapelado \u2013, joga no time  dos substantivos. \u00c9 sin\u00f4nimo de causa, raz\u00e3o, motivo. Ele apresenta duas marcas.  Uma: tem plural. A outra: vem acompanhado de artigo, numeral ou pronome. Quer  ver?     <\/p>\n<p><i>Agora entendo o porqu\u00ea dos porqu\u00eas.     <\/p>\n<p>Eis o porqu\u00ea da  distra\u00e7\u00e3o de Maria.     <\/p>\n<p>Esse porqu\u00ea poucos entendem.     <\/p>\n<p>O primeiro  porqu\u00ea \u00e9 mais f\u00e1cil que o segundo.     <\/p>\n<p><\/i>    <\/p>\n<p><b> <\/b><b>    <\/p>\n<p><\/b><b>Por que e por qu\u00ea (de novo)<\/b>     <\/p>\n<p>Esse porqu\u00ea parece repeteco do  primeiro. Parece, mas n\u00e3o \u00e9. Ele ganhou destaque porque representa um senhor  perigo. Gente muito boa trope\u00e7a nele e cai como patinho ing\u00eanuo que nada no  lago. O que fazer? Dar um jeito. Entender-lhe as manhas. Desvendado o mist\u00e9rio,  a verdade \u00e9 uma s\u00f3 \u2013 o diabo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o feio quanto o pintam. \u00c9 malandro. Contra  ele, malandragem e meia.     <\/p>\n<p><b>Vamos aos fatos:<\/b>     <\/p>\n<p>O porqu\u00ea  separado sem estar em pergunta \u00e9 constru\u00e7\u00e3o pregui\u00e7osa. Aparece pela metade. Sem  muita disposi\u00e7\u00e3o para o batente, deixa subentendidos os substantivos <i>a raz\u00e3o,  a causa, o motivo<\/i>:     <\/p>\n<p><i> <\/i><i>    <\/p>\n<p><\/i><i>Gostaria de saber (a raz\u00e3o) por que Paulo chegou atrasado.     <\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel  me dizer (o motivo) por que J\u00falia odeia Bia?     <\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o sabemos (as  causas) por que o Brasil invadiu o Paraguai.     <\/p>\n<p><\/i>   <\/p>\n<p>Viu? Antes do porqu\u00ea  est\u00e1 escondidinho um substantivo. Ele n\u00e3o aparece. Mas conta. \u00c9 que a l\u00edngua,  engenhosa, o omite. Os distra\u00eddos caem na armadilha. Os sabidos t\u00eam um macete.  Sempre que o porqu\u00ea for substitu\u00edvel <i>por a raz\u00e3o pela<\/i> <i>qual<\/i>, n\u00e3o  duvidam. \u00c9 um l\u00e1 e outro c\u00e1. Se estiver no fim da linha, colado no ponto, ganha  chap\u00e9u:     <\/p>\n<p>N\u00e3o entendi por que (a raz\u00e3o pela qual) Paulo chegou atrasado.      <\/p>\n<p>Paulo tentou, mas n\u00e3o conseguiu explicar por que (a raz\u00e3o pela qual)  chegou atrasado.     <\/p>\n<p>Este \u00e9 o melhor filme do ano. V\u00e1 ao cinema e descubra por qu\u00ea (a raz\u00e3o  pela qual).     <\/p>\n<p><i>No livro<\/i> Intermit\u00eancias da morte, <i>de Jos\u00e9  Saramago, as pessoas deixaram de morrer. Foi dif\u00edcil saber por qu\u00ea (<\/i>a raz\u00e3o  pela qual elas deixaram de morrer).     <\/p>\n<p><b> <\/b><b>    <\/p>\n<p><\/b><b>Resumo da \u00f3pera<\/b>     <\/p>\n<p>Descobrir o porqu\u00ea dos qu\u00eas e porqu\u00eas n\u00e3o \u00e9  nenhum bicho de sete cabe\u00e7as. Basta aprender por que uns se escrevem juntinhos;  outros, separados. E abrir os olhos para as manhas dos acentos. Os chapeuzinhos  t\u00eam seu porqu\u00ea.     <\/p>\n<p><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">    <\/p>\n<p><\/b>&nbsp;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por que? Por qu\u00ea? Porque? Porqu\u00ea? \u00c9 um deus nos acuda. Ora a dupla vem coladinha. Ora, separada. \u00c0s vezes com acento. Outras, sem len\u00e7o nem documento. Quem entende? \u00c9 um n\u00f3 nos miolos. J\u00e1 tratamos do assunto. Mas, volta e meia, leitores pedem a retomada do tema. \u00c9 o caso de Jos\u00e9 Aldo. 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