{"id":5702,"date":"2011-11-07T13:00:00","date_gmt":"2011-11-07T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/cabe_mais_um\/"},"modified":"2011-11-07T13:00:00","modified_gmt":"2011-11-07T15:00:00","slug":"cabe_mais_um","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/cabe_mais_um\/","title":{"rendered":"Cabe mais um?"},"content":{"rendered":"<p><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Eu cansei, voc\u00ea cansou, n\u00f3s cansamos. A exaust\u00e3o tem nome e endere\u00e7o. Chama-se realizar. Encontra-se em jornais, r\u00e1dios e tev\u00eas. Locutores, publicit\u00e1rios, rep\u00f3rteres, personagens de novelas &amp; sociedade ilimitada transformaram o poliss\u00edlabo em verbo-\u00f4nibus. O nome diz tudo. O transporte coletivo carrega 56 passageiros sentados e 24 em p\u00e9. O verbo, coitado, verga-se ao peso de significados que nada t\u00eam a ver com ele. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>A turma deixou de promover shows. Agora realiza shows. O estudante n\u00e3o faz pesquisa. Realiza pesquisa. O time n\u00e3o disputa a partida. Realiza a partida. O autor n\u00e3o lan\u00e7a o livro. Realiza o lan\u00e7amento do livro. O morador n\u00e3o reforma a casa. Realiza a reforma da casa. O policial n\u00e3o mant\u00e9m encontros sigilosos. Realiza encontros sigilosos. O cliente n\u00e3o deposita dinheiro no banco. Realiza o dep\u00f3sito. At\u00e9 o padre entrou na onda. Ele desistiu de celebrar missa. Doravante s\u00f3 realiza missas. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>Ufa! O abuso passou dos limites. Da\u00ed a rea\u00e7\u00e3o. O Observat\u00f3rio da Imprensa publicou artigo de Montezuma Cruz. O t\u00edtulo: &#8220;Realizar demais, eis a quest\u00e3o&#8221;. Examinadores reprovam candidatos que realizam maus trabalhos. Apaixonados acabam o namoro com o parceiros que realizam sa\u00eddas noturnas. Editores demitem jornalistas que realizam falsos furos de reportagem. Mais: ONGs e grupos de defesa dos direitos verbais realizam recursos ao Judici\u00e1rio. Querem indeniza\u00e7\u00e3o pelos maus-tratos sofridos por ouvidos e olhos. Eles realizaram despesas m\u00e9dicas e farmac\u00eauticas. Quem realizar\u00e1 o pagamento? <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>Abuso, eis a quest\u00e3o<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>&#8220;Realizar \u00e9 verbo forte, mas virou arroz de festa nos t\u00edtulos e nos subt\u00edtulos. Us\u00e1-lo excessivamente pode retirar do texto a eleg\u00e2ncia e prejudicar a criatividade&#8221;, escreveu Montezuma Cruz. E da\u00ed? Deve-se cassar o poliss\u00edlabo sem d\u00f3 nem piedade? <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>Claro que n\u00e3o. Diante do modismo, conv\u00e9m seguir o conselho do pai mineiro. Cheio de saber, o velho senhor diz ao jovem que se aventura nas ruas: &#8220;Meu filho, n\u00e3o saia. Se sair, n\u00e3o gaste. Se gastar, n\u00e3o pague. Se pagar, pague s\u00f3 a sua&#8221;. \u00c9 isso. Seja sovina. Use, n\u00e3o abuse. D\u00ea passagem ao realizar na acep\u00e7\u00e3o original. Ele deriva de real. A latina quer dizer verdadeiro, que existe de fato. Que tal realizar o sonho? <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu cansei, voc\u00ea cansou, n\u00f3s cansamos. A exaust\u00e3o tem nome e endere\u00e7o. Chama-se realizar. Encontra-se em jornais, r\u00e1dios e tev\u00eas. Locutores, publicit\u00e1rios, rep\u00f3rteres, personagens de novelas &amp; sociedade ilimitada transformaram o poliss\u00edlabo em verbo-\u00f4nibus. O nome diz tudo. O transporte coletivo carrega 56 passageiros sentados e 24 em p\u00e9. O verbo, coitado, verga-se ao peso de significados que nada t\u00eam a ver com ele. A [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-5702","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5702","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5702"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5702\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5702"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5702"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5702"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}