{"id":5726,"date":"2011-06-02T00:00:00","date_gmt":"2011-06-02T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/nos_da_um_jeitinho\/"},"modified":"2011-06-02T00:00:00","modified_gmt":"2011-06-02T03:00:00","slug":"nos_da_um_jeitinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/nos_da_um_jeitinho\/","title":{"rendered":"N\u00f3s d\u00e1 um jeitinho"},"content":{"rendered":"<div> <a name=\"Save1\"><\/a><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> DAD SQUARISI \/\/ dadsquarisi.df@@dabr.com.br  <\/p>\n<p>A maior trag\u00e9dia do Brasil? \u00c9 o jeitinho. Sem regras claras, fica-se numa  zona pantanosa. O sim n\u00e3o significa sim. O n\u00e3o tampouco quer dizer n\u00e3o. Tudo  depende. Depende do crach\u00e1, do QI (quem indica), da conta banc\u00e1ria, da rede de  amigos. \u00c0s vezes, do tempo. Outras vezes, do humor. Da\u00ed termos mais de 50 formas  de responder \u00e0 pergunta &#8220;como vai?&#8221; \u00c9 um tal de vou indo, navegando, levando,  como Deus quer, como o vento sopra, empurrando com a barriga. Etc. Etc. Etc. O  jeitinho faz milagres.   <\/p>\n<p>Apaga fatos hist\u00f3ricos. Gra\u00e7as a ele, o impeachment do Collor virou detalhe,  indigno de figurar na hist\u00f3ria do Senado. Depois da grita \u2014 dos caras-pintadas  aos historiadores \u2014, o mais importante acontecimento da democracia contempor\u00e2nea  desta alegre Pindorama reconquistou a relev\u00e2ncia. Ganhou espa\u00e7o no t\u00fanel do  tempo da C\u00e2mara Alta.   <\/p>\n<p>O jeitinho confunde ci\u00eancias e muda conceitos. Erro n\u00e3o \u00e9 mais erro. \u00c9  preconceito lingu\u00edstico. Escrever &#8220;os livro&#8221; ou &#8220;n\u00f3s pega o peixe&#8221; figura em  livro did\u00e1tico com o mesmo status de &#8220;os livros&#8221; e &#8220;n\u00f3s pegamos o peixe&#8221;. Apesar  dos esperneios de pais, estudantes, professores, empres\u00e1rios, pol\u00edticos &amp;  gente como a gente, o ministro da Educa\u00e7\u00e3o bate p\u00e9. Jura que os indignados est\u00e3o  indignados porque n\u00e3o leram o livro.  <\/p>\n<p>H\u00e1 os que leram e os que n\u00e3o leram a obra. Uns e outros sabem que o buraco \u00e9  mais embaixo. O ser bonzinho esconde baita discrimina\u00e7\u00e3o. Acredita que o aluno  da escola p\u00fablica nunca vai chegar l\u00e1. Se aprender ou deixar de aprender a  gram\u00e1tica normativa, n\u00e3o faz diferen\u00e7a. Ele n\u00e3o passar\u00e1 das tamancas. N\u00e3o \u00e9 por  acaso que impera nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas o jogo do faz de conta. O professor  finge que ensina. O aluno finge que aprende. O Estado se finge de cego.  <\/p>\n<p>O teatro n\u00e3o se restringe ao portugu\u00eas. Abrange matem\u00e1tica, hist\u00f3ria,  geografia, ci\u00eancias. Mas \u00e9 mais not\u00e1vel na l\u00edngua p\u00e1tria. Sem a habilidade da  leitura, o estudante n\u00e3o entende enunciados. Prejudica-se em todas as  disciplinas. Sem a habilidade da escrita, n\u00e3o pode exprimir-se. Se sabe a  resposta da quest\u00e3o, n\u00e3o consegue escrev\u00ea-la. Assim, cada macaco mant\u00e9m-se no  seu galho. Em resumo: o ensinar que &#8220;n\u00f3s pega&#8221; est\u00e1 correto foi a gota d\u00b4\u00e1gua.  Os que leram e os que n\u00e3o leram o livro sofrem na carne, no cora\u00e7\u00e3o e no bolso o  resultado do preconceito.  &nbsp; &nbsp;<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DAD SQUARISI \/\/ dadsquarisi.df@@dabr.com.br A maior trag\u00e9dia do Brasil? \u00c9 o jeitinho. Sem regras claras, fica-se numa zona pantanosa. O sim n\u00e3o significa sim. O n\u00e3o tampouco quer dizer n\u00e3o. Tudo depende. Depende do crach\u00e1, do QI (quem indica), da conta banc\u00e1ria, da rede de amigos. \u00c0s vezes, do tempo. Outras vezes, do humor. 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