{"id":5769,"date":"2011-11-12T00:00:00","date_gmt":"2011-11-12T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_festa_do_livro\/"},"modified":"2011-11-12T00:00:00","modified_gmt":"2011-11-12T02:00:00","slug":"a_festa_do_livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_festa_do_livro\/","title":{"rendered":"A festa do livro"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Dad Squarisi <a name=\"13393e282422bcb1_Save1\"><\/a> <\/p>\n<p>Monteiro Lobato repetia: &#8220;Um pa\u00eds se faz com homens e  livros&#8221;. E completava: &#8220;Os livros n\u00e3o mudam o mundo. Mudam os homens. Os homens  \u00e9 que mudam o mundo&#8221;. O criador de Narizinho, Pedrinho, Em\u00edlia, Jeca Tatu e  tantas outras criaturas que povoam nosso universo sonhava inundar o Brasil de  livros. Dar op\u00e7\u00e3o aos leitores. Sabia que livro n\u00e3o se imp\u00f5e. Escolhe-se. &#8220;Uma  leitura com cobran\u00e7a&#8221;, dizia convicto, &#8220;\u00e9 capaz de vacinar a crian\u00e7a para  sempre.&#8221;  <\/p>\n<p>Feiras do livro proliferam Brasil afora. Muitas abandonam o nome feira e  assumem o que realmente s\u00e3o \u2014 festa. A feira \u00e9 uma festa. Um pavilh\u00e3o, uma  pra\u00e7a, um shopping se tornam espa\u00e7o m\u00e1gico. Ali personagens viram gente, autores perdem o sagrado, o p\u00fablico confraterniza com uns e outros.  Cria-se a intimidade que s\u00f3 o contato proporciona.  <\/p>\n<p>Livros e livros ao alcance da m\u00e3o abrem as portas da liberdade. O visitante  pode apenas olhar as obras, pode tocar uma ou outra, pode ler qualquer coisa,  ler uma frase aqui e outra ali, reler, deixar o texto pela metade, olhar as  imagens, pular p\u00e1gina. Ou n\u00e3o ler. \u00c9 direito que a generosidade da feira lhe assegura.  <\/p>\n<p>Se os livros mudam os homens, os homens mudam o mundo \u2014 e todos queremos um  mundo melhor \u2014 o caminho mais \u00f3bvio \u00e9 formar leitores. Eis o nosso desafio.  Formar leitores passa por dois caminhos. Um: o acesso ao livro. O outro: o  dom\u00ednio do c\u00f3digo lingu\u00edstico. A pessoa precisa ler e entender.   <\/p>\n<p>Quem apenas marca presen\u00e7a na escola \u2014 sem subir os degraus do conhecimento \u2014  est\u00e1 irremediavelmente condenado \u00e0 marginalidade. Com a internet, voltamos \u00e0 era  alfab\u00e9tica. Tempos atr\u00e1s pens\u00e1vamos ter entrado na civiliza\u00e7\u00e3o das imagens. Mas  o computador nos devolveu \u00e0 gal\u00e1xia de Gutemberg. Somos obrigados a ler e a  escrever.  <\/p>\n<p>O mundo questiona o papel da escola na era digital. Com o saber ao alcance de  um toque, n\u00e3o faz sentido o professor transmitir conhecimento. N\u00e3o faz sentido  os alunos se sentarem um atr\u00e1s do outro, como o ex\u00e9rcito romano. Cada um tem seu  ritmo e seus interesses. N\u00e3o faz sentido impor um conte\u00fado quando conte\u00fados se  oferecem a cada clicar. N\u00e3o faz sentido aplicar uma prova quando n\u00e3o se sabe o  que cobrar dos admir\u00e1veis estudantes novos.   <\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 numa enrascada. Sabe o que n\u00e3o lhe serve. Mas n\u00e3o sabe o que  p\u00f4r no lugar. No mar de incertezas s\u00f3 h\u00e1 uma certeza. Ler \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para  navegar. Seja no suporte papel, seja no digital, a leitura se imp\u00f5e. E, ao lado  dela, a escrita. Nunca tivemos tanta necessidade de ler e escrever como agora. E  nunca foi t\u00e3o dif\u00edcil aprender a ler.   <\/p>\n<p>N\u00e3o falo na baixa qualidade do ensino \u2014 que no Brasil se agrava dia a dia e  nos joga na rabeira do atraso. Falo na revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que imp\u00f5e desafios  in\u00e9ditos. O computador expandiu o alfabeto. Hoje n\u00e3o lidamos s\u00f3 com 26 letras,  tr\u00eas acentos, hifens e travess\u00f5es. Integramos novos signos e novas chaves.  Precisamos domin\u00e1-los pra chegar \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o eficaz.   <\/p>\n<p>As feiras, as festas, as bienais motivam adultos e crian\u00e7as. Promovem a  leitura. Exercitam discuss\u00f5es. Fazem o que Lobato sonhou. D\u00e3o op\u00e7\u00e3o aos  leitores. Os leitores escolhem. \u00c9 a perdi\u00e7\u00e3o. Leitura sem cobran\u00e7a \u00e9 prazer na  veia. Vicia. <\/p>\n<p>(Discurso proferido na abertura da 30\u00aa Feira do Livro de Bras\u00edlia, da qual sou patrona. A feira &#8212; linda e cheia de atra\u00e7\u00f5es &#8211;, se estende at\u00e9 20 de novembro das 10h \u00e0s 22h.Vale a visita.) <\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dad Squarisi Monteiro Lobato repetia: &#8220;Um pa\u00eds se faz com homens e livros&#8221;. E completava: &#8220;Os livros n\u00e3o mudam o mundo. 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