{"id":5796,"date":"2011-02-22T00:00:00","date_gmt":"2011-02-22T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/as_sete_notas_da_acentuacao_grafica\/"},"modified":"2011-02-22T00:00:00","modified_gmt":"2011-02-22T03:00:00","slug":"as_sete_notas_da_acentuacao_grafica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/as_sete_notas_da_acentuacao_grafica\/","title":{"rendered":"As sete notas da acentua\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp;  <BR>S\u00e3o sete as notas musicais. N\u00f3s as conhecemos de cor e salteado &#8212; d\u00f3, r\u00e9, mi, f\u00e1, sol, l\u00e1, si. O nome delas tem origem pra l\u00e1 de curiosa. At\u00e9 o ano 1000, a transmiss\u00e3o das m\u00fasicas se fazia oralmente. O monge beneditino Guido Arezzo n\u00e3o se conformava com a restri\u00e7\u00e3o. Queria porque queria que as composi\u00e7\u00f5es fossem guardadas e reproduzidas. Como? Precisavam ser escritas. Para dar nome \u00e0s notas, tomou a primeira s\u00edlaba de cada verso de um hino de louvor a S\u00e3o Jo\u00e3o Batista. Do primeiro ao \u00faltimo verso, a 1\u00aa s\u00edlaba subia de d\u00f3 a si. Eis a forma latina:  <BR> &nbsp; <STRONG>Ut<\/STRONG> queant laxis  <STRONG>Re<\/STRONG>sonare fibris  <STRONG>Mi<\/STRONG>ra gestorum  <STRONG>Fa<\/STRONG>muli tuorum  <STRONG>Sol<\/STRONG>ve polluti  <STRONG>La<\/STRONG>bii reatum  <STRONG>Sa<\/STRONG>ncte Iohannes  <BR> &nbsp; Tradu\u00e7\u00e3o: Para que teus servos\/ Possam, das entranhas\/ Flautas ressoar\/ Teus feitos admir\u00e1veis \/ Absolve o pecado \/ Desses l\u00e1bios impuros\/ \u00d3 S\u00e3o Jo\u00e3o.  <BR> &nbsp; No s\u00e9culo 17, houve a troca de ut por d\u00f3, mais f\u00e1cil de cantar. O si nasceu da abrevia\u00e7\u00e3o de sancte Iohannes (em portugu\u00eas, S\u00e3o Jo\u00e3o).  <BR> &nbsp; &#8220;Oba!&#8221;, exclamaram as ox\u00edtonas. Elas sabem que na natureza nada se perde. Tudo se aproveita. As danadinhas copiaram a acentua\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica das notas musicais. Comodistas, os monoss\u00edlabos n\u00e3o perderam tempo. Seguiram as ox\u00edtonas. Vamos \u00e0s sete notas lingu\u00edsticas?  <BR>   <BR><STRONG>Mesmo modelo<\/STRONG>  <BR> &nbsp; D\u00f3, r\u00e9, mi, f\u00e1, sol, l\u00e1, si. Viu? Ganham acento as notas terminadas em a, e e o. As ox\u00edtonas tamb\u00e9m. Acentuam-se as terminadas com as mesmas vogais seguidas ou n\u00e3o de s: sof\u00e1, sof\u00e1s; voc\u00ea, voc\u00eas; cip\u00f3, vov\u00f3, vov\u00f4s.  <BR>As terminadas em i e u n\u00e3o querem saber de chap\u00e9us ou grampinhos: parti, aqui, abacaxis, caju, urubus.  <BR>   <BR><STRONG>Lo, la  <BR><\/STRONG> &nbsp; Desvendado o mist\u00e9rio. Os verbos seguidos de lo, la s\u00e3o ox\u00edtonos. S\u00f3 se acentuam os terminados em a, e e o. Assim: am\u00e1-lo, vend\u00ea-lo, comp\u00f4-lo. Mas: parti-lo, dividi-lo, corrigi-la.  <BR>&nbsp;  <BR> <STRONG>Sem confus\u00e3o  <BR><\/STRONG> &nbsp; Olho vivo! Nada de confus\u00e3o com a quebra de ditongo. Sai n\u00e3o tem acento. Sa\u00ed tem. Varapau dispensa grampo. Ba\u00fa exige. A raz\u00e3o: o agudo n\u00e3o tem nada a ver com as ox\u00edtonas. Ele aparece para evitar que se pronunciem as duas letras numa s\u00f3 emiss\u00e3o de voz. O fen\u00f4meno ocorre em ocasi\u00e3o especial. O i ou u t\u00eam de preencher tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es. Uma: serem antecedidos de vogal. Outra: formarem s\u00edlaba sozinhos ou com s. A \u00faltima: n\u00e3o serem seguidos de nh: sa-\u00ed, e-go-\u00eds-ta, sa-\u00fa-de, sa-\u00fa-va. Mas: ra-I-nha, cam-pa-i-nha, la-da-i-nha.  <BR>&nbsp;  <BR> <STRONG>Monoss\u00edlabos  <BR><\/STRONG> &nbsp; Os monoss\u00edlabos se dividem em dois times. O primeiro: os \u00e1tonos. Fraquinhos, os membros dessa equipe perna de pau n\u00e3o podem formar frases sozinhos. Precisam de companhia. O artigo, por exemplo, precisa do substantivo (os livros, a casa). O pronome necessita do verbo (pede-me, calou-se). E por a\u00ed vai.  <BR>Os t\u00f4nicos, ao contr\u00e1rio, s\u00e3o donos e senhores do peda\u00e7o. Figuram sozinhos na frase. Os terminados em i e u s\u00e3o sempre t\u00f4nicos. Por isso nunca, nunca mesmo, aceitam acento (cru, nus). Os terminados em a, e e o, seguidos ou n\u00e3o de s, precisam do acento sim, senhor: d\u00e1, d\u00e1s; v\u00ea, v\u00eas; p\u00f3, p\u00f3s.  <BR>&nbsp;  <BR> <STRONG>Nome das letras  <BR><\/STRONG> &nbsp; O nome das letras \u00e9 sempre t\u00f4nico. Ao graf\u00e1-las, obede\u00e7a \u00e0 regra dos monoss\u00edlabos (\u00e1, \u00e9, i, \u00f3, u): Escreveu as letras de \u00e1 a z\u00ea. Desconhece at\u00e9 o \u00e1, \u00e9, i, \u00f3, u.  <BR>&nbsp;  <BR> <STRONG>Pegadinha  <BR><\/STRONG> &nbsp; Concurseiros s\u00e3o v\u00edtimas preferenciais dos examinadores. As bancas adoram pegadinhas. Uma delas: o acento de \u00e1s (\u00e1s de ouro, \u00e1s do volante, \u00e1s do futebol) \u00e9 diferencial? Fa\u00e7a a sua aposta:  <BR> a. sim  <BR>b. n\u00e3o  <BR> Escolheu a letra b? Acertou. \u00c1s n\u00e3o se acentua para distinguir-se da s\u00f3sia \u2014 o artigo as (as casas). Acentua-se por ser monoss\u00edlabo t\u00f4nico.  <BR>&nbsp;  <BR> <STRONG>Lembrete  <BR><\/STRONG> &nbsp; Em portugu\u00eas, s\u00f3 existem duas palavras com acento diferencial. Uma: p\u00f4de, passado do verbo poder (hoje ele pode, ontem n\u00e3o p\u00f4de). A outra: o verbo p\u00f4r. O chap\u00e9u aparece para que n\u00e3o confundamos a preposi\u00e7\u00e3o por (vou por este caminho) com o verbo (vou p\u00f4r o livro sobre a mesa). Duvida? Compare p\u00f4r com dor, cor e for. O trio n\u00e3o tem s\u00f3sias. Dispensa circunflexos e agudos. X\u00f4! <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; S\u00e3o sete as notas musicais. 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