{"id":5830,"date":"2011-03-01T00:00:00","date_gmt":"2011-03-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/as_sete_dicas_de_memoria\/"},"modified":"2011-03-01T00:00:00","modified_gmt":"2011-03-01T03:00:00","slug":"as_sete_dicas_de_memoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/as_sete_dicas_de_memoria\/","title":{"rendered":"As sete dicas de mem\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Era uma vez sete vacas, sete pacas, sete le\u00f5es, sete drag\u00f5es, sete amigas, sete mil formigas, e a tia Lia, do pesco\u00e7o torcido e nariz comprido. Ent\u00e3o, apareceram, vindos do c\u00e9u, sete p\u00e1ssaros que n\u00e3o comiam havia sete dias. E comeram as sete vacas, as sete pacas, os sete le\u00f5es, as sete amigas, as sete mil formigas. De sobremesa, comeram a tia Lia do pesco\u00e7o torcido e cuspiram fora o nariz comprido. De mim, comeram a mem\u00f3ria. Por isso, n\u00e3o posso mais contar hist\u00f3rias. <BR> &nbsp; A l\u00edngua tamb\u00e9m perde a mem\u00f3ria. O tempo a devora ou apaga. \u00c0s vezes, v\u00e3o-se li\u00e7\u00f5es aprendidas. Outras, informa\u00e7\u00f5es passam sem ser retidas. De uma forma ou de outra, empobrecemos. Que tal uma visitinha a temas espinhosos? Eis sete dicas. <BR>&nbsp; <BR> &nbsp; <STRONG>Suicidar-se <BR><\/STRONG> &nbsp; Suicidar-se \u00e9 sempre pronominal. Estranho? O verbo vem do latim. \u00c9 formado de sui (= de si, a si) + c\u00eddio (= matar). Juntando as partes, temos matar a si mesmo. No duro, n\u00e3o precisaria do se. Mas o pronome \u00e9 obrigat\u00f3rio. Por qu\u00ea? Por causa da mem\u00f3ria. Muitos se esqueceram do ber\u00e7o da palavra. At\u00e9 o dicion\u00e1rio s\u00f3 registra a forma pronominal. Resultado: manda quem pode, obedece quem tem ju\u00edzo: eu me suicido, ele se suicida, n\u00f3s nos suicidamos, eles se suicidam.&nbsp; <BR>&nbsp; <BR><STRONG><\/STRONG> <STRONG>Maci\u00e7o x massivo<\/STRONG> <BR> &nbsp; Massivo n\u00e3o existia em portugu\u00eas. Para designar grande volume de alguma coisa, usava-se o adjetivo maci\u00e7o. Mas os tempos mudaram. O ingl\u00eas invadiu as falas. Resultado: a nova edi\u00e7\u00e3o do Vocabul\u00e1rio ortogr\u00e1fico da l\u00edngua portuguesa, do Aur\u00e9lio e do Houaiss, registram a penetra. Ela se tornou gente de casa. Convive em paz com a irm\u00e3zinha.&nbsp;  <BR> &nbsp; <STRONG>Mais grande x mais pequeno <BR><\/STRONG> &nbsp; &#8220;Para vencer o diabo, recorremos a todos os dem\u00f4nios&#8221;, dizem os professores. Um deles: dividir a li\u00e7\u00e3o em partes. Ensina-se primeiro uma metade; depois, a outra. \u00c9 o caso de maior e menor. Para a meninada n\u00e3o cair em tenta\u00e7\u00e3o, os mestres dizem que &#8220;mais grande&#8221; e &#8220;mais pequeno&#8221; n\u00e3o existem. Quando ensinam a segunda metade, a mo\u00e7ada perde a aula ou n\u00e3o presta aten\u00e7\u00e3o. D\u00e1 no que d\u00e1. Guarde isto: as duplinhas mant\u00eam-se em compara\u00e7\u00f5es como estas: A casa \u00e9 mais grande que pequena. O quarto \u00e9 mais pequeno que grande.&nbsp; <BR>&nbsp; <BR> &nbsp; <STRONG>Falar e dizer <BR><\/STRONG> &nbsp; Acredite: falar n\u00e3o equivale a dizer, declarar, afirmar. Significa expressar-se por meio de palavras (Rafa fala duas l\u00ednguas. Jo\u00e3o come\u00e7ou a falar aos dois anos. O apelo da crian\u00e7a falou ao cora\u00e7\u00e3o.) Na d\u00favida, substitua o falar pelo dizer. Se der certo, ceda o lugar ao dizer: Dilma fala (diz) na TV que aumentar\u00e1 o valor da bolsa-fam\u00edlia. O diretor falou (disse) que haver\u00e1 expediente nao carnaval. Quem falou (disse) isso?&nbsp; <BR>&nbsp; <BR> <STRONG>Paraquedas <BR><\/STRONG> &nbsp; Antes da reforma ortogr\u00e1fica, paraquedas &amp; fam\u00edlia se escreviam com h\u00edfen. Os acad\u00eamicos acharam que t\u00ednhamos esquecido a composi\u00e7\u00e3o da palavra. Cassaram o h\u00edfen da coitada. Mas as irm\u00e3zinhas dela (todas) mant\u00eam o tracinho: para-choque, para-lamas, para-brisa. <BR>&nbsp; <BR> <STRONG>Bem-vindo <BR><\/STRONG> &nbsp; A duplinha se escreve assim \u2014 coladinha: Bem-vindos ao Rio. <BR>&nbsp; <BR> &nbsp; <STRONG>Repetir preposi\u00e7\u00e3o<\/STRONG> <BR> &nbsp; Eis a enrascada \u2014 quando repetir a preposi\u00e7\u00e3o? Professores gastavam l\u00edngua e saliva para tornar o assunto familiar. A coisa parecia andar bem. Mas, passado o entusiasmo, a mo\u00e7ada a deixava de lado. Depois a esquecia. E da\u00ed? O jeito \u00e9 ventilar os escaninhos da mem\u00f3ria. O xis da quest\u00e3o: ficar de olho no conjunto ligado pela preposi\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 uno e contempor\u00e2neo? Ou \u00e9 separado? Veja exemplos: <BR> &nbsp; Conjunto uno e contempor\u00e2neo: Falei com o economista e deputado. (Significa que a pessoa \u00e9 economista e deputado.) Dirigiu-se a Dilma e Lula ((aos dois ao mesmo tempo). Flex\u00e3o verbal de modo, tempo, pessoa e n\u00famero. Viver a p\u00e3o e \u00e1gua. Comida com sal e pimenta. (Tudo junto e ao mesmo tempo.)  <BR> &nbsp; Conjunto separado: Falei com o economista e com o deputado. (S\u00e3o duas pessoas \u2014 uma economista, a outra deputado.) Nomes derivados de substantivos e de verbos (de uns ou de outros). Viver na cidade e no campo (um de cada vez). Dirigiu-se a Dilma e a Lula (primeiro uma, depois outro).  <BR> &nbsp; Olho viv\u00edssimo: as preposi\u00e7\u00f5es a e por t\u00eam tratamento diferenciado. Repita a preposi\u00e7\u00e3o sempre que repetir o artigo (mesmo se o conjunto for uno e contempor\u00e2neo): Op\u00f4s-se aos planos e aos des\u00edgnios do candidato. (N\u00e3o diga: op\u00f4s-se aos planos e os des\u00edgnios.) Cristo se distinguiu pela mod\u00e9stia e pela sabedoria. (N\u00e3o escreva: pela mod\u00e9stia e a sabedoria.) <BR> &nbsp; N\u00e3o quer repetir a preposi\u00e7\u00e3o? Ent\u00e3o n\u00e3o repita o artigo: Op\u00f4s-se aos planos e des\u00edgnios do candidato. Cristo se distinguiu pela mod\u00e9stia e sabedoria. <BR><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Era uma vez sete vacas, sete pacas, sete le\u00f5es, sete drag\u00f5es, sete amigas, sete mil formigas, e a tia Lia, do pesco\u00e7o torcido e nariz comprido. Ent\u00e3o, apareceram, vindos do c\u00e9u, sete p\u00e1ssaros que n\u00e3o comiam havia sete dias. E comeram as sete vacas, as sete pacas, os sete le\u00f5es, as sete amigas, as sete mil formigas. 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