{"id":5837,"date":"2011-06-14T00:00:00","date_gmt":"2011-06-14T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_crase_nao_foi_feita_pra_humilhar_ninguem\/"},"modified":"2011-06-14T00:00:00","modified_gmt":"2011-06-14T03:00:00","slug":"a_crase_nao_foi_feita_pra_humilhar_ninguem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_crase_nao_foi_feita_pra_humilhar_ninguem\/","title":{"rendered":"A crase n\u00e3o foi feita pra humilhar ningu\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p><b> <\/b><b> <\/p>\n<p><\/b>  <\/p>\n<p>Vou a piscina? Vou \u00e0 piscina? Ele se dirigiu a Maria? Ele se dirigiu \u00e0 Maria?  Fui a Bras\u00edlia? Fui \u00e0 Bras\u00edlia? Parece pegadinha. Mas n\u00e3o \u00e9. Trata-se da crase.  Ferreira Gullar disse que o acentinho n\u00e3o foi feito pra humilhar ningu\u00e9m. Pode  ser. Mas que d\u00e1 n\u00f3 nos miolos, isso d\u00e1. Voc\u00ea sabe desat\u00e1-lo? Antes de responder,  fa\u00e7a o teste. Assinale com V, de verdadeiro, as frases nota mil. E com F, de  falso, as notas zero. Depois, escolha a sequ\u00eancia pra l\u00e1 de certa:<i> <\/i><i> <\/p>\n<p><\/i><i>( ) <\/i>Vou \u00e0 piscina da \u00c1gua Mineral.<i> <\/p>\n<p>( ) <\/i>Jo\u00e3o Marcelo \u00e9 fiel \u00e0  namorada<i>.<a name=\"Save1\"><\/a> <\/p>\n<p>( ) <\/i>Relativamente \u00e0 quest\u00e3o proposta, nada  posso informar<i>. <\/p>\n<p><\/i>( ) Paulo se dirigiu a diretora da escola em que  estuda. &nbsp; a. V, V, V, F b. F, F, F, V c. F, F, V, V d. F, F, V, F &nbsp;<b> <\/b><b>E da\u00ed?<\/b>  <\/p>\n<p>Marcou a letra a? Pra l\u00e1 de certo. O acentinho grave n\u00e3o lhe vai roubar  nenhum pontinho no vestibular, no trabalho, no concurso ou na vida. Preferiu  outra letra? Bobeira total. Deixe a pregui\u00e7a pra l\u00e1 e parta pra luta. Voc\u00ea n\u00e3o  merece ser maltratado por um grampinho \u00e0 toa. V\u00e1 em frente.   <\/p>\n<p><b>Sem humilha\u00e7\u00e3o<\/b>  <\/p>\n<p>O acentinho grave s\u00f3 tem uma fun\u00e7\u00e3o na l\u00edngua portuguesa. \u00c9 indicar a crase.  Mas, apesar da exclusividade, muitos trope\u00e7am nele. A raz\u00e3o \u00e9 simples. Poucos  lhe conhecem a manha. Mas n\u00e3o h\u00e1 bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe.  No instante em que dominam os tr\u00eas passos do sinalzinho, acertam todas. Quer  ver?  <\/p>\n<p><b>Primeiro passo: desvendar o segredo do grampinho <\/p>\n<p><\/b> <\/p>\n<p>Crase \u00e9  como alian\u00e7a no dedo esquerdo. Avisa que estamos diante de ilustre senhora  casada. A <i>preposi\u00e7\u00e3o<\/i> <b>a<\/b> se encontra com o <i>artigo<\/i> <b>a<\/b>.  Os dois se olham. Sorriem um para o outro. O cora\u00e7\u00e3o estremece. A\u00ed, n\u00e3o d\u00e1  outra. Juntam os trapinhos e viram um \u00fanico ser. <\/p>\n<p><b>Segundo passo:  descobrir se existem dois aa<\/b> <\/p>\n<p>Para que a duplinha tenha vez, imp\u00f5em-se  duas condi\u00e7\u00f5es. Uma: estar diante de uma palavra feminina. A outra: estar diante  de um verbo, adjetivo ou adv\u00e9rbio que pe\u00e7am a <i>preposi\u00e7\u00e3o<\/i>  <i>a<\/i>: <\/p>\n<p><i>Vou \u00e0 piscina da \u00c1gua Mineral.<\/i> <\/p>\n<p>O verbo <i>ir<\/i> pede  a preposi\u00e7\u00e3o <i>a<\/i> (quem vai vai <i>a<\/i> algum lugar).  <\/p>\n<p>O substantivo  <i>piscina<\/i> adora o artigo (a piscina da \u00c1gua Mineral fica na Asa  Norte). <\/p>\n<p>Resultado: a + a = \u00e0 <\/p>\n<p><i>Jo\u00e3o<\/i> <i>Marcelo \u00e9 fiel \u00e0  namorada.<\/i> <\/p>\n<p>O adjetivo <i>fiel<\/i> reclama a preposi\u00e7\u00e3o <i>a<\/i> (quem \u00e9  fiel \u00e9 fiel <i>a<\/i> algu\u00e9m). <\/p>\n<p><i>Namorada<\/i> se usa com artigo (a namorada  de Marcelo se chama Carla). <\/p>\n<p>Resultado: a + a = \u00e0 <\/p>\n<p><i>Relativamente \u00e0  quest\u00e3o proposta, nada posso informar.<\/i> <\/p>\n<p>O adv\u00e9rbio <i>relativamente<\/i>  exige a preposi\u00e7\u00e3o <i>a<\/i> (relativamente <i>a<\/i> algu\u00e9m ou <i>a<\/i> alguma  coisa). <\/p>\n<p><i>Quest\u00e3o<\/i> pede o artigo <i>a<\/i> (a quest\u00e3o ainda n\u00e3o tem  resposta) <\/p>\n<p>Resultado: a + a = \u00e0 <\/p>\n<p><b>Terceiro passo: recorrer ao  macete <\/p>\n<p><\/b>N\u00e3o quebre a cabe\u00e7a. Na d\u00favida, recorra ao tira-teima.  Substitua a palavra feminina por uma masculina. (N\u00e3o precisa ser sin\u00f4nima.) Se  no troca-troca der <i>ao<\/i>, n\u00e3o duvide. \u00c9 crase na certa: <\/p>\n<p><i>Vou  <b>\u00e0<\/b> piscina. Vou <b>ao<\/b> clube.  <\/p>\n<p>Rafael \u00e9 fiel <b>\u00e0<\/b> namorada.  Carla \u00e9 fiel <b>ao<\/b> namorado.  <\/p>\n<p>Relativamente <b>\u00e0<\/b> quest\u00e3o, nada posso  fazer. Relativamente <b>ao<\/b> problema, nada posso fazer.<\/i> <\/p>\n<p>Moral da  hist\u00f3ria: Ferreira Gullar tem raz\u00e3o. A crase n\u00e3o foi feita pra humilhar ningu\u00e9m.  Mas para indicar o encontro de dois aa. S\u00f3. &nbsp;<b> <\/b><b>Teste<\/b>  <\/p>\n<p>Est\u00e1 pra l\u00e1 de certa a frase:  <\/p>\n<p>a. Quanto \u00e0 carta citada no artigo de hoje, espera-se que tenha muita  repercuss\u00e3o. b. Quanto a carta escrita pela presidente, espera-se que tenha muita  repercuss\u00e3o. &nbsp;<b> <\/b><b>Acertou?<\/b>  <\/p>\n<p>Escolheu a letra a? Acertou. Na d\u00favida, vamos ao troca-troca: <i>Quanto  <b>ao<\/b> poema citado no artigo de hoje. Espera-se que tenha muita  repercuss\u00e3o.<\/i><b><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vou a piscina? Vou \u00e0 piscina? Ele se dirigiu a Maria? Ele se dirigiu \u00e0 Maria? Fui a Bras\u00edlia? Fui \u00e0 Bras\u00edlia? Parece pegadinha. Mas n\u00e3o \u00e9. Trata-se da crase. Ferreira Gullar disse que o acentinho n\u00e3o foi feito pra humilhar ningu\u00e9m. Pode ser. Mas que d\u00e1 n\u00f3 nos miolos, isso d\u00e1. Voc\u00ea sabe desat\u00e1-lo? Antes de responder, fa\u00e7a o teste. 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