{"id":5850,"date":"2011-11-20T11:50:00","date_gmt":"2011-11-20T13:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/detalhes_tao_pequenos_de_nos_dois\/"},"modified":"2011-11-20T11:50:00","modified_gmt":"2011-11-20T13:50:00","slug":"detalhes_tao_pequenos_de_nos_dois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/detalhes_tao_pequenos_de_nos_dois\/","title":{"rendered":"Detalhes t\u00e3o pequenos de n\u00f3s dois"},"content":{"rendered":"<p><b>  <\/p>\n<p><\/b>  <\/p>\n<p>O blogue deu a palavra aos leitores. Alguns  apresentaram d\u00favidas. Outros fizeram coment\u00e1rios. Um deles criticou o verso  &#8220;detalhes t\u00e3o pequenos de n\u00f3s dois&#8221;, do rei Roberto Carlos. &#8220;Detalhes s\u00e3o sempre  pequenos. N\u00e3o me venham com a tal licen\u00e7a po\u00e9tica&#8221;, escreveu o professor Toledo.  Ops! Choveram protestos. Os inconformados exigiram manifesta\u00e7\u00e3o a respeito. Eles  mandam. Vamos l\u00e1?<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>Licen\u00e7a po\u00e9tica<\/b>  <\/p>\n<p>O agente 007 tem licen\u00e7a para matar. O artista tem licen\u00e7a para  voar. Em bom portugu\u00eas: pra chegar \u00e0s alturas, poetas e romancistas podem tudo.  Eles criam palavras, pisam a gram\u00e1tica, d\u00e3o novos sentidos a velhos voc\u00e1bulos. \u00c9  a licen\u00e7a po\u00e9tica.   <\/p>\n<p>A carta branca se explica. Machados, Clarices e Bandeiras s\u00e3o  t\u00e3o grandes que n\u00e3o cabem em camisas de for\u00e7a. O que existe n\u00e3o basta. Eles  precisam de mais, muito mais. Como satisfazer a necessidade? S\u00f3 dando asas \u00e0  imagina\u00e7\u00e3o, dando passagem \u00e0 inven\u00e7\u00e3o.  <\/p>\n<p>Quando a grande dama do teatro foi pro outro mundo em 1969,  Drummond traduziu a perda com esta frase: &#8220;Cacilda Becker morreram&#8221;. O poeta  trope\u00e7ou na concord\u00e2ncia? Nem pensar. Com o sujeito singular e o verbo no  plural, ele traduziu o enorme preju\u00edzo. O Brasil n\u00e3o perdeu uma atriz. Perdeu  muitas. <b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>Olho vivo<\/b>  <\/p>\n<p>Nem todos s\u00e3o Drummond. Para chegar l\u00e1, o mineiro de Itabira  subiu todos os degraus da l\u00edngua. No topo, podia escolher. M\u00e1rio de Andrade  explica: &#8220;\u00c9 quase lapalissada afirmar que s\u00f3 tem direito de errar quem conhece o  certo. S\u00f3 ent\u00e3o o erro deixa de o ser para se tornar um ir al\u00e9m das conven\u00e7\u00f5es&#8221;.  <b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>V\u00edcio<\/b>  <\/p>\n<p>Pleonasmo \u00e9 palavra sofisticada. Nasceu grega. Fez as malas e  avan\u00e7ou fronteiras. Desembarcou na l\u00edngua de Cam\u00f5es. L\u00e1 e c\u00e1 o significado se  mant\u00e9m. \u00c9 superabund\u00e2ncia: repete-se uma ideia com palavras diferentes. Subir  pra cima, descer pra baixo, entrar pra dentro e sair pra fora s\u00e3o os exemplos  mais repetidos. H\u00e1 mais, muitos mais. O professor Toledo apresentou um  fresquinho. Trata-se de &#8220;espernear com as pernas&#8221;. Ora, assim como s\u00f3 se pode  subir pra cima, descer pra baixo, entrar pra dentro e sair pra fora, s\u00f3 se pode  espernear com as pernas.   <\/p>\n<p>Convenhamos. As redund\u00e2ncias frouxas, que n\u00e3o trazem nenhum  refor\u00e7o \u00e0 express\u00e3o, s\u00e3o v\u00edcios. Eles ganham nomes pra l\u00e1 de chiques. Al\u00e9m de  pleonasmo, tautologia, parissologia, batologia. Comer com a boca? Ora, basta  comer. Ver com os olhos? Claro que sim. Enfrentar de frente? S\u00f3 pode. E assim  vai. X\u00f4, excessos!<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>Toler\u00e2ncia<\/b>  <\/p>\n<p>H\u00e1 pleonasmos aceitos. Ao repetir a ideia expressa, acrescenta  um especificador pra l\u00e1 de bem-vindo. \u00c0s vezes, o algo mais d\u00e1 gra\u00e7a e for\u00e7a \u00e0  express\u00e3o. \u00c9 o caso do verso &#8220;detalhes t\u00e3o pequenos de n\u00f3s dois&#8221;. \u00c9 o caso  tamb\u00e9m de &#8220;ele sabe pescar peixe, mas n\u00e3o sabe pescar homens&#8221;. Ou de &#8220;ver com os  olhos n\u00e3o \u00e9 o mesmo que ver com os dedos&#8221;. Sejam bem-vindos!<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O blogue deu a palavra aos leitores. Alguns apresentaram d\u00favidas. Outros fizeram coment\u00e1rios. Um deles criticou o verso &#8220;detalhes t\u00e3o pequenos de n\u00f3s dois&#8221;, do rei Roberto Carlos. &#8220;Detalhes s\u00e3o sempre pequenos. N\u00e3o me venham com a tal licen\u00e7a po\u00e9tica&#8221;, escreveu o professor Toledo. Ops! Choveram protestos. 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