{"id":5862,"date":"2011-03-09T00:10:00","date_gmt":"2011-03-09T03:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_setima_maravilha_da_escrita\/"},"modified":"2011-03-09T00:10:00","modified_gmt":"2011-03-09T03:10:00","slug":"a_setima_maravilha_da_escrita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_setima_maravilha_da_escrita\/","title":{"rendered":"A s\u00e9tima maravilha da escrita"},"content":{"rendered":"<p><b>&nbsp;<\/b> <b> <\/p>\n<p><\/b> Falou em pir\u00e2mides? A primeira imagem que vem \u00e0 mente s\u00e3o as  do Egito. Os blocos triangulares desafiam o tempo. N\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o que a de  Qu\u00e9ops&nbsp;se tornou uma das sete maravilhas  do mundo antigo. Mas h\u00e1 outras pir\u00e2mides. Uma delas: a pir\u00e2mide invertida. H\u00e1  quem a considere t\u00e3o importante que a poria entre as sete maravilhas do mundo  moderno.<b> &nbsp; O que \u00e9?<\/b>  <\/p>\n<p>A criatura nasceu no jornalismo. O <i>New York Times<\/i>  deu-lhe corpo em 1861. Foi o jeito de frear a veia liter\u00e1ria de rep\u00f3rteres que  embarcavam em sonhos labir\u00ednticos at\u00e9 chegar&nbsp;\u00e0  not\u00edcia. (Se \u00e9 que chegavam.) Impunha-se dar objetividade ao relato de um  acontecimento. Como? Bastava apresentar as informa\u00e7\u00f5es mais importantes no  primeiro par\u00e1grafo. Elas se resumem a seis perguntas: o qu\u00ea?, quem?, quando?  onde?, como? por qu\u00ea?   <\/p>\n<p>Assim, lido o primeiro par\u00e1grafo, tem-se a hist\u00f3ria  completa. Os demais oferecem pormenores de cada item das perguntas. O segundo  explica o quem; o terceiro, o o qu\u00ea; o  quarto, o onde. E assim sucessivamente. Se faltava espa\u00e7o na p\u00e1gina, o corte  come\u00e7ava pelo \u00faltimo par\u00e1grafo. E subia. Se o leitor n\u00e3o percebesse as  tesouradas, o texto recebia nota 10. <b> &nbsp; A moda pegou<\/b>  <\/p>\n<p>Ops! A moda pegou. Um s\u00e9culo e meio depois, convivemos com a pir\u00e2mide invertida com a  naturalidade de quem anda pra frente. Em convites, not\u00edcias, bate-papos, l\u00e1  est\u00e3o as respostas \u00e0s seis perguntinhas marotas. Encontr\u00e1-las nem sempre \u00e9  f\u00e1cil. S\u00e3o tantos os dados secund\u00e1rios, tantos os detalhes com apar\u00eancia de  importantes que chegar ao essencial constitui exerc\u00edcio de garimpagem. Debaixo  da montanha de&nbsp;emaranhados, reluz o diamante. \u00c9 o \u00f3bvio.<b> &nbsp; Olha a pir\u00e2mide invertida<\/b>  <\/p>\n<p>Jornais, r\u00e1dios, tev\u00eas, internet recorrem \u00e0&nbsp;pir\u00e2mide invertida para apresentar a  not\u00edcia:  <\/p>\n<p>1. A chamada do telejornal anuncia: <i>O Salgueiro perdeu 10  pontos no desfile de domingo da Sapuca\u00ed porque entrou com 10 minutos de  atraso.<\/i>  <\/p>\n<p>2. O convite para a missa diz: <i>A fam\u00edlia&nbsp;Tal convida para a missa de s\u00e9timo dia pela alma  de Fulano no dia tal, igreja tal, hor\u00e1rio tal.<\/i>  <\/p>\n<p>3. A not\u00edcia do jornal: <i>Em pleno carnaval, o ministro da  Fazenda, Guido Mantega, convocou reuni\u00e3o da equipe para quinta-feira em S\u00e3o  Paulo. A pauta: medidas para desvalorizar o real frente ao d\u00f3lar.<\/i>  <b>  <\/p>\n<p>A descoberta do \u00f3bvio<\/b>  <\/p>\n<p>Preste aten\u00e7\u00e3o em conversas de amigos, marido e mulher,  colegas de trabalho. Eles falam sobre assuntos corriqueiros. Usam, sem nunca ter  ouvido falar nelas, as seis perguntas. Leia o di\u00e1logo em que Maria conta a Lu\u00edza  que est\u00e1 com namorado novo:  <\/p>\n<p>\u2014&nbsp;Sabia? Estou com  namorado novo.  <\/p>\n<p>\u2014 Quem \u00e9 ele?  <\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea n\u00e3o o conhece. \u00c9 Paulo, argentino que mora no meu  pr\u00e9dio.  <\/p>\n<p>\u2014 Como voc\u00ea o conheceu?  <\/p>\n<p>\u2014 No elevador. Estava carregando sacolas de compras. Ele se  ofereceu pra me ajudar.  <\/p>\n<p>\u2014 Quando foi?  <\/p>\n<p>\u2014 Na v\u00e9spera do r\u00e9veillon.  <\/p>\n<p>\u2014 Como decidiram namorar? &nbsp;\u2014 Conversando, descobrimos que gostamos das mesmas coisas.  De papo em papo\u2026<b>   <\/p>\n<p>Moral da hist\u00f3ria<\/b>  <\/p>\n<p>Os te\u00f3ricos do jornalismo ensinam preciosa li\u00e7\u00e3o a quem  sofre diante da folha em branco ou da tela do  computador. A mais importante: antes de escrever, pense de forma  ordenada, l\u00f3gica e pr\u00e1tica. As ideias est\u00e3o na cabe\u00e7a. Torne-as claras. Este  roteiro ajuda:  <\/p>\n<p>1. Resuma a hist\u00f3ria como se voc\u00ea a estivesse contando para  uma crian\u00e7a de 8 anos.  <\/p>\n<p>2. Responda \u00e0s seis perguntas m\u00e1gicas nesta ordem (as  respostas n\u00e3o podem, n\u00e3o podem mesmo, ultrapassar duas linhas): O qu\u00ea? Quem?  Quando? Onde? Como? Por qu\u00ea?  <\/p>\n<p>3. Escreva o texto.  <\/p>\n<p>4. Enxugue o escrito.  Diminua, corte, jogue na lixeira palavras desnecess\u00e1rias.  <\/p>\n<p>5. Leia e releia a obra. Avalie-a. Se sobrar ou faltar algo,  n\u00e3o hesite: reescreva-a. Ernest Heminguay reescreveu 28 vezes o \u00faltimo cap\u00edtulo  de <i>Adeus \u00e0s armas<\/i> at\u00e9 se sentir satisfeito.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Falou em pir\u00e2mides? A primeira imagem que vem \u00e0 mente s\u00e3o as do Egito. Os blocos triangulares desafiam o tempo. N\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o que a de Qu\u00e9ops&nbsp;se tornou uma das sete maravilhas do mundo antigo. Mas h\u00e1 outras pir\u00e2mides. 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