{"id":5906,"date":"2011-03-24T00:00:00","date_gmt":"2011-03-24T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_sete_e_a_falacao\/"},"modified":"2011-03-24T00:00:00","modified_gmt":"2011-03-24T03:00:00","slug":"o_sete_e_a_falacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_sete_e_a_falacao\/","title":{"rendered":"O sete e a fala\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong> <\/p>\n<p><\/strong>  <\/p>\n<p>&#8220;Sete e sete s\u00e3o catorze. Tr\u00eas vezes sete, vinte e um. Tenho  sete namorados, mas s\u00f3 posso gostar de um.&#8221; A quadrinha n\u00e3o vale s\u00f3 para os  cora\u00e7\u00f5es vol\u00faveis. Vale tamb\u00e9m para a l\u00edngua. O portugu\u00eas tem mais de 5 mil  voc\u00e1bulos. Tanta generosidade constitui tenta\u00e7\u00e3o para os esbanjadores verbais.  Eles deitam e rolam no universo de substantivos, verbos, adjetivos, adv\u00e9rbios,  preposi\u00e7\u00f5es, conjun\u00e7\u00f5es e o que mais houver.   <\/p>\n<p>&#8220;Um \u00e9 pouco, dois \u00e9 pouco, tr\u00eas \u00e9 pouco&#8221;, repetem os  inimigos da economia. Esquecem-se de pormenor pra l\u00e1 de importante. A fala e a  escrita s\u00e3o vias de m\u00e3o dupla. Numa pista, est\u00e1 o escritor e o falante. Na  outra, o leitor e o ouvinte. Sem conquistar o destinat\u00e1rio da mensagem, o recado  morre no nascedouro.   <\/p>\n<p>O corre-corre da vida moderna roubou o tempo de adultos e  crian\u00e7as. Quem quer ser lido e ouvido tem de pensar em quem est\u00e1 na ponta.  Conjuga, ent\u00e3o, o verbo cortar. Passa a tesoura nas gorduras que tornam o texto  obeso e p\u00f5em o leitor pra correr. Em bom portugu\u00eas: o texto profissional precisa  se adequar \u00e0 era da internet. A regra: menos \u00e9 mais.  <strong> <\/p>\n<p><\/strong><strong>Cada palavra conta<\/strong>  <\/p>\n<p>&#8220;Escrever \u00e9 cortar&#8221;, definiu Marques Rebelo. A economia  verbal \u2014 sem preju\u00edzo da completa e eficaz express\u00e3o do pensamento \u2014 respeita a  paci\u00eancia do leitor. Conciso n\u00e3o significa lac\u00f4nico, mas denso. Op\u00f5e-se a vago,  impreciso, verborr\u00e1gico. No estilo denso, cada palavra, cada frase, cada  par\u00e1grafo devem estar impregnados de sentido.  <\/p>\n<p>William Strunk Jr, professor de altos estudos da l\u00edngua  inglesa, costumava dizer: &#8220;A prosa vigorosa \u00e9 concisa. A frase n\u00e3o deve ter  palavras desnecess\u00e1rias nem o par\u00e1grafo frases desnecess\u00e1rias, pela mesma raz\u00e3o  que o desenho n\u00e3o deve ter linhas desnecess\u00e1rias nem a m\u00e1quina partes  desnecess\u00e1rias. Isso n\u00e3o quer dizer que o autor fa\u00e7a breves todas as suas  frases, nem que evite todos os detalhes, nem que trate seus temas s\u00f3 na  superf\u00edcie: apenas que cada palavra conta&#8221;. <strong> <\/p>\n<p><\/strong><strong>Corta, tesoura<\/strong>  <\/p>\n<p>1. <strong>Nas datas, os substantivos dia, m\u00eas e  ano<\/strong>: <i>em 10 de<\/i> <i>janeiro<\/i> (n\u00e3o: no dia 10 de janeiro); <i>em  mar\u00e7o<\/i> (n\u00e3o: no m\u00eas de mar\u00e7o); <i>em 2011<\/i> (n\u00e3o: no ano de  2011).  <\/p>\n<p>2. <strong>Palavras ou express\u00f5es desnecess\u00e1rias<\/strong>:  <i>processo de adapta\u00e7\u00e3o (adapta\u00e7\u00e3o); decis\u00e3o tomada no \u00e2mbito da diretoria  (decis\u00e3o da diretoria); trabalho de natureza tempor\u00e1ria (trabalho tempor\u00e1rio);  problema de ordem sexual (problema sexual); curso em n\u00edvel de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o  (curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o); lei de alcance federal (lei federal); doen\u00e7a de  caracter\u00edstica dermatol\u00f3gica (doen\u00e7a dermatol\u00f3gica); complica\u00e7\u00f5es de origem no  cora\u00e7\u00e3o (complica\u00e7\u00f5es card\u00edacas). <\/i>  <\/p>\n<p>3. <strong>A locu\u00e7\u00e3o verbo + substantivo<\/strong>: <i>Fazer  um discurso<\/i> (discursar). <i>Fazer m\u00fasica<\/i> (compor). <i>P\u00f4r os livros em  ordem <\/i>(ordenar os livros). <i>P\u00f4r moedas em circula\u00e7\u00e3o<\/i> (emitir  moedas).  <\/p>\n<p>4. <strong>Artigos indefinidos<\/strong>: em 99% das frases,  eles s\u00e3o dispens\u00e1veis: <i>Houve (um) troca-troca de legendas jamais visto. O  presidente quer tra\u00e7ar (uma) nova pol\u00edtica externa para o Brasil. O deputado  pediu (um) adiamento da vota\u00e7\u00e3o do projeto.<\/i>  <\/p>\n<p>5. <strong>Possessivos <i>seu<\/i> e <i>sua<\/i><\/strong>. O  <i>seu<\/i> constitui uma das piores pragas do texto. Al\u00e9m de sobrecarregar a  frase, com frequ\u00eancia torna o enunciado amb\u00edguo: <i>A  campanha foi equilibrada at\u00e9 o (seu) final. Para manter o (seu) ritmo de  crescimento, o agroneg\u00f3cio precisa de excelentes estradas. O empres\u00e1rio endurece  as (suas) cr\u00edticas ao governo.<\/i>  <\/p>\n<p>6. <strong>Pronome todos<\/strong>: O artigo definido tem  \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com o indefinido todos. Ao dizer &#8220;os metrovi\u00e1rios  aderiram \u00e0 greve&#8221;, englobam-se todos os metal\u00fargicos. N\u00e3o h\u00e1 necessidade de  dizer &#8220;todos os metrovi\u00e1rios aderiram \u00e0 greve. Se n\u00e3o s\u00e3o todos, dispensa-se o  artigo: &#8220;Metrovi\u00e1rios aderiram \u00e0 greve&#8221;. Mais exemplos: <i>Estudo ingl\u00eas todas  as segundas e quartas-feiras<\/i>. (Estudo ingl\u00eas \u00e0s segundas e quartas-feiras.)  O governo quer todas as crian\u00e7as na escola. (O governo quer as crian\u00e7as  na escola.) Fa\u00e7o plant\u00e3o todos os domingos. (Fa\u00e7o plant\u00e3o aos  domingos.)  <\/p>\n<p>7. <strong>Adv\u00e9rbio<\/strong>: Se n\u00e3o for para indicar com  exatid\u00e3o a circunst\u00e2ncia em que os fatos aconteceram, a criatura pode ser  retirada da frase sem preju\u00edzo. Lembre-se de que o desnecess\u00e1rio sobra: <i>(Como  todos sabem), os textos&nbsp;profissionais  devem (sempre) ser escritos (literalmente) com economia verbal<\/i>.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Sete e sete s\u00e3o catorze. Tr\u00eas vezes sete, vinte e um. 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