{"id":5915,"date":"2011-03-29T00:00:00","date_gmt":"2011-03-29T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/tropecos_de_jornais\/"},"modified":"2011-03-29T00:00:00","modified_gmt":"2011-03-29T03:00:00","slug":"tropecos_de_jornais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/tropecos_de_jornais\/","title":{"rendered":"Trope\u00e7os de jornais"},"content":{"rendered":"\n<p>Como o rep\u00f3rter escreve? Com pressa. E sob press\u00e3o. Por isso, trope\u00e7a. As reda\u00e7\u00f5es fazem coment\u00e1rios internos sobre os deslizes. S\u00e3o os Erramos. Eis alguns publicados no Correio Braziliense. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p><\/b><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Manter<\/b><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>Ol\u00edmpio, um velho editor do CB, costumava dizer que  chegaria o dia em que far\u00edamos o erramos do Erramos. O dia chegou. O texto da  corre\u00e7\u00e3o anunciava que \u2018\u2018o caderno manter\u00e1 o mesmo nome\u2019\u2019. Ora, se vai manter,  s\u00f3 pode ser o mesmo. Se n\u00e3o for, o verbo \u00e9 outro. Pode ser mudar. Ou  alterar.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p><\/b><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Sujeito pra c\u00e1, verbo pra l\u00e1<\/b><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>Quer matar algu\u00e9m?  Corte-lhe a cabe\u00e7a. Foi o que fizemos. A legenda separou o sujeito do verbo:  &#8220;Meu time do cora\u00e7\u00e3o (,) ganhou todos os t\u00edtulos que podia\u2019\u2019. Cabe\u00e7a pra c\u00e1 +  corpo pra l\u00e1 = morte certa. Que descanse em paz.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p><\/b>Vai dizer<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>O  futuro a Deus pertence? Pode ser. Mas a l\u00edngua \u00e9 nossa. Para us\u00e1-la, existem  regras. A indica\u00e7\u00e3o do porvir pode ser feita de duas formas. Uma: o futuro  simples (dir\u00e1). A outra: o futuro composto (vai dizer). Assim \u2014 com o verbo  <i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">ir<\/i> no presente. Nunca no futuro como aparece na p\u00e1g.8: \u2018\u2018O que Palocci  ir\u00e1 dizer\u2019\u2019.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p><\/b><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Infra<\/b><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>Quando o Senhor deu uma olhadinha na Terra e  viu a torre de Babel amea\u00e7ando-Lhe o poder, castigou a ousadia dos homens. Criou  seis mil l\u00ednguas. Cada uma teria uma dificuldade adicional. O portugu\u00eas ficou  com o h\u00edfen. Deus ditou poucas regras para o emprego do tracinho. Uma delas  refere-se ao prefixo infra- (h\u00edfen antes de h, a). Outra, ao anti- (h\u00edfen antes  de h, i). N\u00f3s esnobamos a generosidade do Todo-Poderoso. Escrevemos  infra-estrutura em vez de infraestrutura. E anti-c\u00edclico no lugar de  antic\u00edclico. Preparemo-nos. O Homem castiga.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p><\/b><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Presente do  subjuntivo<\/b><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>\u00c9 com pesar que a l\u00edngua portuguesa comunica o falecimento do  presente do subjuntivo. V\u00edtima de abandono e maus-tratos, o tempo da incerteza  deixa a fam\u00edlia verbal enlutada. Os amigos, unidos no ato de piedade cultural,  protestaram contra a prematura partida. O enterro foi ontem: &#8220;Tememos que h\u00e1  armas qu\u00edmicas na S\u00edria\u2019\u2019. Melhor: Tememos que haja armas qu\u00edmicas na  S\u00edria.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p><\/b><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Coloca\u00e7\u00e3o de pronome<\/b><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>O portugu\u00eas organizou uma gangue  pra l\u00e1 de poderosa. Seus membros s\u00e3o conjun\u00e7\u00f5es e pronomes escritos com o  d\u00edgrafo <i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">qu<\/i>. Por isso a organiza\u00e7\u00e3o se chama Gangue do Qu. Que, quem,  quando, quanto, qual, enquanto, porque atraem os pronomes \u00e1tonos. Esquecemos  esse fato em mat\u00e9ria de alto de p\u00e1gina: \u2018\u2018Quando descobre-se um crime cometido  por um magistrado, rouba-se a f\u00e9 do povo\u2019\u2019. Nada feito. Em bom portugu\u00eas, esta  seria a forma: <i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Quando se descobre um crime..<\/i>.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p><\/b><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Sua<\/b><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>&#8220;O  estilo\u2019\u2019, escreveu Anatole France, \u2018\u2018deve ter tr\u00eas virtudes: clareza, clareza,  clareza.\u2019\u2019 No Caderno Cidades, apareceu este trecho: \u2018\u2018S\u00f4nia de Oliveira Flores  tinha a filha de 6 anos nos bra\u00e7os quando um PM se aproximou e encostou um  cano de rev\u00f3lver na sua cabe\u00e7a\u2019\u2019. Sua de quem? Pode ser da m\u00e3e ou da filha.O  pronome <i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">sua<\/i> responde pela ambiguidade. Melhor livrar-se dele:  &#8230;<i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">encostou um cano de rev\u00f3lver na cabe\u00e7a da crian\u00e7a. Ou da  m\u00e3e. <\/p>\n<p><\/i><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p><\/b> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como o rep\u00f3rter escreve? Com pressa. E sob press\u00e3o. Por isso, trope\u00e7a. As reda\u00e7\u00f5es fazem coment\u00e1rios internos sobre os deslizes. S\u00e3o os Erramos. Eis alguns publicados no Correio Braziliense. Manter Ol\u00edmpio, um velho editor do CB, costumava dizer que chegaria o dia em que far\u00edamos o erramos do Erramos. O dia chegou. O texto da corre\u00e7\u00e3o anunciava que \u2018\u2018o caderno manter\u00e1 o mesmo nome\u2019\u2019. 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