{"id":6013,"date":"2011-12-09T00:00:00","date_gmt":"2011-12-09T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_cilada_do_todo_com_todos\/"},"modified":"2011-12-09T00:00:00","modified_gmt":"2011-12-09T02:00:00","slug":"a_cilada_do_todo_com_todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_cilada_do_todo_com_todos\/","title":{"rendered":"A cilada do todo com todos"},"content":{"rendered":"<p><b> <\/p>\n<p><\/b>  <\/p>\n<p>&#8220;Quase todo dia, vejo policiais no per\u00edodo da manh\u00e3 e durante o almo\u00e7o&#8221;,  disse uma moradora de Bras\u00edlia. Sem pensar, o rep\u00f3rter escreveu a frase. O  <b>Correio<\/b> <b>Braziliense<\/b>&nbsp;a<strong>  <\/strong>publicou. O blogue a reproduziu. Leitores fizeram o que sempre fazem. Leram. Alguns  protestaram. Entre eles, o Jo\u00e3o, visitante ass\u00edduo do espa\u00e7o.  <\/p>\n<p>A causa do esperneio: o todo. &#8220;O emprego est\u00e1 correto?&#8221;,  perguntaram desconfiados. A d\u00favida procede. O todo, cheio de manhas, arma  ciladas impiedosas. Como escapar? \u00c9 f\u00e1cil como andar pra frente. Basta lhe  entender os segredos. Que, c\u00e1 entre n\u00f3s, s\u00e3o de polichinelo. Veja:<i>  <\/p>\n<p> <\/i><b>1. Todo<\/b>, assim, solit\u00e1rio, quer dizer <i>qualquer, inteiro<\/i>:  <i>Todo (qualquer) homem \u00e9 mortal. Todo (qualquer) dia \u00e9 dia. Li o livro todo  (inteiro).<\/i>   <\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o, aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o confunda <i>todo<\/i> com <i>cada<\/i>. \u00c0s vezes, na  mesma frase, cabem ambos os pronomes. Compare: <i>Dava brinquedo a cada crian\u00e7a.  Dava brinquedo a toda crian\u00e7a. <\/i>  <\/p>\n<p>Qual a diferen\u00e7a? O c<i>ada<\/i> particulariza. Destaca um por um: <i>Usa cada  dia um traje novo (n\u00e3o repete o traje). Cada filho tem um comportamento. Cada  macaco no seu galho. <\/i>  <\/p>\n<p>O todo generaliza. Bota todos os gatos no mesmo saco: <i>Todo (cada)  dia \u00e9 dia. Dava brinquedo a toda (qualquer) crian\u00e7a. Todo (qualquer) pa\u00eds tem,  pelo menos, uma capital.<\/i> &nbsp; 2. <b>Todo o<\/b> equivale a inteiro: <i>Assisti a todo o filme. Li todo o  jornal. Comi toda a comida. Conhe\u00e7o todo o Brasil.<\/i><i> <\/p>\n<p><\/i> 3. <b>Todos os<\/b><i> <\/i>indica a totalidade dos representantes de  determinada categoria, grupo ou esp\u00e9cie: <i>Todos os ministros compareceram \u00e0  reuni\u00e3o. Dirigiu-se a todos os presentes. Ou\u00e7o m\u00fasica todos os dias.<\/i>  <strong><\/strong>&nbsp; <strong>Vaca fria<\/strong>  <\/p>\n<p>Viu? O rep\u00f3rter caiu na cilada do <i>todo<\/i>. No singular, acompanhado de  substantivo, equivale a <i>qualquer.<\/i>&nbsp;Convenhamos: n\u00e3o \u00e9 o significado da frase publicada pelo jornal. Melhor dar a C\u00e9sar o que  \u00e9 de C\u00e9sar: <i>Quase todos os dias (diariamente), vejo policiais no&nbsp;per\u00edodo da manh\u00e3 e durante o almo\u00e7o<\/i>. <strong><\/strong>&nbsp; <strong>Dica<\/strong>  <\/p>\n<p>Voc\u00ea quer dizer diariamente, semanalmente, mensalmente, anualmente &amp; cia.  temporal? Abra alas para <i>todos os<\/i> ou <i>todas as<\/i>: <i>Vejo televis\u00e3o  todos os dias (diariamente). Vamos ao clube todas as semanas (semanalmente).  Eles pagam aluguel todos os meses (mensalmente). Fazemos a festa de Natal na  casa da minha m\u00e3e todos os anos.<\/i><b> &nbsp; Chico Buarque<\/b>  <\/p>\n<p>&#8220;Todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode \u00e0s seis horas da manh\u00e3&#8221;, canta  Chico Buarque. O &#8220;todo dia&#8221;, a\u00ed, significa diariamente.&nbsp;Cad\u00ea o plural? O artista tem licen\u00e7a po\u00e9tica.  Pode tudo. N\u00f3s temos limites. Como escreveu Graciliano, &#8220;Liberdade completa  ningu\u00e9m desfruta:come\u00e7amos oprimidos pela sintaxe e acabamos \u00e0s voltas com o  Dops&#8221;. <b> &nbsp;<\/b>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Quase todo dia, vejo policiais no per\u00edodo da manh\u00e3 e durante o almo\u00e7o&#8221;, disse uma moradora de Bras\u00edlia. Sem pensar, o rep\u00f3rter escreveu a frase. O Correio Braziliense&nbsp;a publicou. O blogue a reproduziu. Leitores fizeram o que sempre fazem. Leram. Alguns protestaram. Entre eles, o Jo\u00e3o, visitante ass\u00edduo do espa\u00e7o. A causa do esperneio: o todo. &#8220;O emprego est\u00e1 correto?&#8221;, perguntaram desconfiados. A d\u00favida procede. 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