{"id":6102,"date":"2012-05-01T09:00:00","date_gmt":"2012-05-01T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_peso_das_palavras\/"},"modified":"2012-05-01T09:00:00","modified_gmt":"2012-05-01T12:00:00","slug":"o_peso_das_palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_peso_das_palavras\/","title":{"rendered":"O peso das palavras"},"content":{"rendered":"<div><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p><\/b> <b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> Al Martin<\/b>   <\/p>\n<p>Estante e prateleira s\u00e3o sin\u00f4nimos? Sim e n\u00e3o. A linguagem  popular n\u00e3o faz muita diferen\u00e7a, usa um pelo outro. Mas o fundo das coisas \u00e9 o  seguinte: <b>estante<\/b> \u00e9 um m\u00f3vel composto de um certo n\u00famero de  <b>prateleiras<\/b>. Portanto, <i>stricto sensu<\/i>, n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos exatos.   <\/p>\n<p>Estada e estadia s\u00e3o sin\u00f4nimos? \u00c0 primeira vista, sim. Acontece  que cada um desses dois termos se especializou. Quando recebemos uma visita,  dizemos que ela veio para uma <b>estada<\/b> de tr\u00eas dias. Se  deixamos o autom\u00f3vel num estacionamento, pagaremos um montante correspondente \u00e0  dura\u00e7\u00e3o da <b>estadia<\/b> do ve\u00edculo. Navios tamb\u00e9m fazem estadia no porto.  Conv\u00e9m, portanto, usar estada para gente e estadia para ve\u00edculos.   <\/p>\n<p>Foi noticiado estes dias que um artista de origem brit\u00e2nica,  estabelecido em nossa terra h\u00e1 v\u00e1rios dec\u00eanios, est\u00e1 lan\u00e7ando um disco com  m\u00fasicas cantadas exclusivamente em ingl\u00eas. Li em algum lugar que o referido  cantor usava o <b><i>codinome <\/i><\/b>Ritchie.   <\/p>\n<p>Nome, codinome, apelido, alcunha, cognome, denomina\u00e7\u00e3o, ep\u00edteto  s\u00e3o palavras semelhantes, mas est\u00e3o longe de ser sin\u00f4nimos perfeitos. Cada uma  delas tem seu valor e seu peso. Para n\u00e3o trocar os p\u00e9s pelas m\u00e3os, conv\u00e9m  respeitar essas particularidades. <b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/b><b> <\/p>\n<p><\/b><b>Nome, apelido, denomina\u00e7\u00e3o e ep\u00edteto<\/b> s\u00e3o neutras, n\u00e3o trazem embutida nenhuma ofensa. O  <b>apelido<\/b> de Roberto \u00e9 Beto. J\u00e1 o mesmo n\u00e3o se d\u00e1 com os outros aparentes  sin\u00f4nimos. <b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/b><b> <\/p>\n<p><\/b><b>Alcunha<\/b> e  <b>cognome<\/b> s\u00e3o termos com forte carga depreciativa que caem bem na linguagem  policial. Tirofijo era a <b>alcunha<\/b> de um dirigente  terrorista. Beira-mar \u00e9 o <b>cognome<\/b> de um conhecido  traficante.   <\/p>\n<p>Por \u00faltimo, sobrou o estranho <b><i>codinome<\/i><\/b>. N\u00e3o se  pode cobrar de jovens jornalistas o conhecimento profundo de uma realidade que  n\u00e3o viveram. Mas vale a pena aprender. Nos anos 1970, pequenos grupos, \u00e0s vezes  armados, se insurgiam contra o poder central. Na tentativa de burlar a  repress\u00e3o, seus membros ocultavam o nome de batismo e adotavam nome(s) de  fachada, nome(s) de c\u00f3digo. Foi nessa \u00e9poca que o voc\u00e1bulo <b><i>codinome<\/i><\/b>  se popularizou.   <\/p>\n<p>Aos remanescentes daqueles indiv\u00edduos \u2014 alguns dos quais ocupam  hoje postos de mando na rep\u00fablica \u2014 n\u00e3o agrada que se tragam \u00e0 tona s\u00edmbolos que  marcaram fortemente aqueles tempos duros. Um desses s\u00edmbolos \u00e9 justamente a  palavra <b><i>codinome<\/i><\/b>.   <\/p>\n<p>Melhor evitar esse termo. Aplic\u00e1-lo, ent\u00e3o, a um artista atual  pega mal pra caramba. Ele certamente n\u00e3o merece.  <\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al Martin Estante e prateleira s\u00e3o sin\u00f4nimos? Sim e n\u00e3o. A linguagem popular n\u00e3o faz muita diferen\u00e7a, usa um pelo outro. Mas o fundo das coisas \u00e9 o seguinte: estante \u00e9 um m\u00f3vel composto de um certo n\u00famero de prateleiras. Portanto, stricto sensu, n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos exatos. Estada e estadia s\u00e3o sin\u00f4nimos? \u00c0 primeira vista, sim. Acontece que cada um desses dois termos se especializou. 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