{"id":6105,"date":"2012-01-04T00:20:00","date_gmt":"2012-01-04T02:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/rascunhos-3\/"},"modified":"2012-01-04T00:20:00","modified_gmt":"2012-01-04T02:20:00","slug":"rascunhos-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/rascunhos-3\/","title":{"rendered":"rascunhos"},"content":{"rendered":"<div><b> Recado<\/b> &#8220;O mais nobre prazer \u00e9 a alegria de compreender.&#8221; Leonardo da Vinci<b> Sua Excel\u00eancia o leitor 2<\/b> &#8220;Por que eles e n\u00e3o eu?&#8221;, perguntaram leitores ao se deparar com a coluna de  quarta. Ali estavam quest\u00f5es e coment\u00e1rios de gente de Europa, Fran\u00e7a e Bahia  sobre as ciladas da l\u00edngua. As aus\u00eancias se explicam. O espa\u00e7o \u00e9 curto. Com ele,  a tal hist\u00f3ria do sempre cabe mais um n\u00e3o passa de balela. \u00c9 coisa de m\u00e3e. E,  como dizem os hebreus, o Senhor criou a ilustre senhora porque n\u00e3o pode estar em  todos os lugares. Ela O representa. Mas a grita valeu. Aqui, vigora a lei do  chefe. O leitor sempre tem raz\u00e3o.<b> Cid Roberto Alves, Bras\u00edlia<\/b><i> Outro dia, li o artigo &#8220;Desmistificando o econom\u00eas&#8221;. N\u00e3o sei se estou certo,  mas o verbo desmistificar vem sendo usado inadequadamente. Sem cerim\u00f4nia, usurpa  a vez de desmitificar. Eis o texto: &#8220;Essas e outras quest\u00f5es ligadas \u00e0 economia,  mas tamb\u00e9m \u00e0 pol\u00edtica, poder, cultura, hist\u00f3ria e comportamento est\u00e3o em  Contraponto, que re\u00fane artigos e cr\u00f4nicas inspirados em fatos que desmistificam  a linguagem econ\u00f4mica e pol\u00edtica, com texto simples, leve e descontra\u00eddo&#8221;. Minha  conclus\u00e3o: o livro pretende tirar o mito de que a linguagem econ\u00f4mica \u00e9  complicada. A palavra correta seria desmitificar. Estou certo? <\/i> Rapaz, a l\u00edngua tem raz\u00f5es que a pr\u00f3pria raz\u00e3o desconhece. Em geral, usa-se  <i>desmitificar<\/i> no sentido de tirar o car\u00e1ter de mito. E desmistificar, de  revelar a verdadeira fei\u00e7\u00e3o, desmascarar, desmoralizar : <i>Pel\u00e9 \u00e9 mito do  futebol. Muitos tentam desmitific\u00e1-lo. Desmitificar H\u00e9rcules? Imposs\u00edvel. Com o  mensal\u00e3o, desmistificou-se a aura de honesidade do PT. O flagrante de adult\u00e9rio  desmistificou a honestidade da mo\u00e7a. <\/i> Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3. Observe a primeira acep\u00e7\u00e3o do termo \u2014 revelar a verdadeira  fei\u00e7\u00e3o. A\u00ed encaixa-se a frase que voc\u00ea questiona. O autor promete desvendar o  mist\u00e9rio do econom\u00eas. Pretens\u00e3o? Na d\u00favida, banque o S\u00e3o Tom\u00e9. \u00c9 ver para  crer.<b> Emmanuelle, lugar incerto<\/b> Um dia desses me bateu uma senhora d\u00favida. Trata-se do bem-vindo. A duplinha  se flexiona?  Guarde isto: <i>ela \u00e9 bem-vinda, elas s\u00e3o bem-vindas, ele \u00e9 bem-vindo, eles  s\u00e3o bem-vindos. Bem-vinda \u00e0 coluna, Emmanuelle<\/i>.<b> Norma Beatriz Miotto, Alterosas<\/b><i> Quando ou\u00e7o as pessoas dizerem &#8220;a gente fez&#8221;, &#8220;a gente vai&#8221;, &#8220;a gente n\u00e3o  gostou&#8221;, sinto arrepios. Al\u00e9m de detestar o &#8220;a gente&#8221;, tenho a impress\u00e3o de que  a dupla pisa a gram\u00e1tica. Estou certa?<\/i> \u00c9 quest\u00e3o de prefer\u00eancia. Voc\u00ea n\u00e3o gosta? Parta pra outra. Use <i>n\u00f3s<\/i>. O  significado se mant\u00e9m. Mas o texto perde um pouco da informalidade. A l\u00edngua,  voc\u00ea sabe, \u00e9 um sistema de possibilidades. \u00c9 conhecer e escolher. <b> Jos\u00e9 J\u00falio de Oliveira, \u00c1guas Claras<\/b> Levei um baita susto ao ler mat\u00e9ria sobre os reajustes salariais para o  funcionalismo p\u00fablico do DF. L\u00e1 estava: &#8220;Pena insistiu na vers\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1  dinheiro nem amparo legal para encorporar os contracheques de 2007&#8221;. C\u00e9us! N\u00e3o  seria incorporar?  Acredite. O dicion\u00e1rio registra as duas formas. Mas recomenda  <i>incorporar<\/i>. Ambas querem dizer integrar-se a um conjunto, fazer parte de  um todo. <strong> Carlos L\u00facio, Olinda<\/strong> A gente toma vacina pra gripe ou contra a gripe? Tomar vacina pra gripe? A gripe vai adorar. Fortona, fortona, tornar-se-\u00e1  dona do seu rico corpinho. E haja tosse, haja febre, haja mal-estar.  Convenhamos: ningu\u00e9m merece. \u00c9 melhor tomar vacina contra a gripe. Com ela,  fecham-se as portas para o inc\u00f4modo. X\u00f4!<strong> Rold\u00e3o Simas Filho, Bras\u00edlia <\/strong> Paulo Mendes Campos, h\u00e1 20 anos, escreveu este primor: &#8220;Floresta de Miranda  era um dos carecas mais simp\u00e1ticos do Rio. Al\u00e9m de usar um casaco sem lapela  (por in\u00fatil), de retirar a buzina de cada carro que comprava, de colocar  pronomes pelas leis lusas, al\u00e9m de mil outras manias e sistemas, colecionava  palavras antip\u00e1ticas e rebarbativas. Mostrou-me um \u00e1lbum em que in\u00fameras pessoas  manifestavam suas ojerizas vocabulares. L\u00e1 estava um aut\u00f3grafo do famoso m\u00e9dico  e escritor espanhol Greg\u00f3rio Mara\u00f1on: `Hay una palabra que odio: pedanteria\u00b4.  Entre as palavras detestadas por diversos manifestantes (Rubem Braga, Oleg\u00e1rio  Mariano, Bastos Tigre, M\u00e1rio Simonsen, Genival Londres, W. Berardinelli, Aguiar  Dias, Prudente de Morais Neto) anotei as seguintes: ablu\u00e7\u00e3o, avatar,  barbit\u00farico, bulha, camale\u00f4nico, cogumelo, crebro (amiudado), enxaqueca,  escul\u00e1pio, grotesco, hermen\u00eautica, hipocondr\u00edaco, hipopot\u00e2mico, impert\u00e9rrito,  interregno, leguleio, manipan\u00e7o, margin\u00e1lia, mastru\u00e7o, novel, odont\u00f3logo,  onomatopaico, oxal\u00e1, pabulagem, pandem\u00f4nio, polichinelo, progenitora,  prosopop\u00e9ia, qui\u00e7\u00e1, r\u00e1<a name=\"Save1\"><\/a>bula, rubi\u00e1cea e vacum&#8221;. Acrescento:  c\u00f4nguje, esquistossomose.<\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recado &#8220;O mais nobre prazer \u00e9 a alegria de compreender.&#8221; Leonardo da Vinci Sua Excel\u00eancia o leitor 2 &#8220;Por que eles e n\u00e3o eu?&#8221;, perguntaram leitores ao se deparar com a coluna de quarta. 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