{"id":6124,"date":"2011-12-24T00:00:00","date_gmt":"2011-12-24T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_historia_de_papai_noel-2\/"},"modified":"2011-12-24T00:00:00","modified_gmt":"2011-12-24T02:00:00","slug":"a_historia_de_papai_noel-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_historia_de_papai_noel-2\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria de Papai Noel"},"content":{"rendered":"\n<p>Era uma vez um homem muito rico. Rico e feliz. Tinha tudo o que o dinheiro  podia comprar. Vestia sedas chinesas, cobria-se com cashmere da Esc\u00f3cia, pisava  tapetes de mesquita, bebia champanhe franc\u00eas, comia caviar russo.    <\/p>\n<p>Morava no pal\u00e1cio mais luxuoso de Constantinopla. As porcelanas da dinastia  Ming despertavam admira\u00e7\u00e3o e cobi\u00e7a at\u00e9 do sult\u00e3o. Os cavalos \u00e1rabes que lhe  puxavam a carruagem usavam arreios de ouro. Os cocheiros eram altos, elegantes,  altivos e belos.    <\/p>\n<p>Mulheres turcas, chinesas, russas, \u00e1rabes, africanas, vietnamitas, \u00edndias,  cariocas, francesas e tailandesas enfeitavam o har\u00e9m mais ex\u00f3tico do mundo  conhecido. Todas o amavam, disputavam-lhe a companhia sempre generosa.    <\/p>\n<p>Grande consumidor, o homem rico n\u00e3o acreditava no significado de  <b><i>consumir<\/i><\/b>. O dicion\u00e1rio diz que a palavra latina original,  <i>consumere, <\/i>quer dizer <i>gastar ou corroer at\u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o; devorar,  extinguir, destruir. <\/i>&#8220;Eu&#8221;, pensou ele, &#8220;sou a exce\u00e7\u00e3o que confirma a regra.  Consumo e sou feliz.&#8221; Riu muito. Alegre e leve. <b>   <\/p>\n<p>Surpresa<\/b>   <\/p>\n<p>Um dia, o homem rico foi passear. Saiu a p\u00e9. Via as pessoas indo e vindo.  Todas muito ocupadas na vidinha do dia a dia. Distra\u00eddo, parou. Olhou para uma  mulher que lhe chamou a aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pela gra\u00e7a ou beleza. Ao contr\u00e1rio. Pela  feiura e maus-tratos do destino. Feia como c\u00e3o chupando manga.    <\/p>\n<p>&#8220;Que pode fazer uma mulher feia e pobre?&#8221;, pensou. Naquele mundo turco,  distante, o destino da mulher era o casamento. Sem beleza e sem dote, aquela n\u00e3o  atra\u00eda nem os apaixonados nem os interesseiros. Triste destino. <b>   <\/p>\n<p>Ops!<\/b>   <\/p>\n<p>Tchan, tchan, tchan! O homem rico teve uma ideia. Daria dote a todas as  mulheres feias e pobres do reino. Assim, resolveria o problema delas. Ou  arranjavam marido, ou ficavam lindas. &#8220;Beleza&#8221;, pensou o homem rico, &#8220;\u00e9  diretamente proporcional \u00e0 conta banc\u00e1ria. N\u00e3o existe mulher feia. Existe mulher  malcuidada.&#8221;    <\/p>\n<p>Pensou e fez. Uma das premiadas ficou t\u00e3o bela que foi convidada para o  har\u00e9m. Suspirosa, coberta de sedas, rubis e diamantes, disse-lhe coleante:  &#8220;Estou feliz de comungar essa riqueza com voc\u00ea&#8221;.    <\/p>\n<p>Comungar seria outra forma de consumo? Talvez. O homem rico foi ao  <i>Aur\u00e9lio<\/i>. Descobriu que <i>comungar <\/i>vem do latim <i>communicare.  <\/i>Pertence \u00e0 fam\u00edlia de comunicar: <i>p\u00f4r-se em contato, ligar-se, unir-se.  Tornar comum, repartir, dividir alguma coisa com algu\u00e9m. <\/i><b>   <\/p>\n<p>Fama<\/b>   <\/p>\n<p>A fama do homem rico atravessou fronteiras. Espalhou-se pelos cinco  continentes. A \u00c1frica transformou-o no homem sem idade, bom e generoso. Pensou  nele? Pronto. Todos os males desaparecem. O Oriente M\u00e9dio deu-lhe apar\u00eancia de  menino pobre, nascido na manjedoura. A Lip\u00f4nia, t\u00e3o fria e distante, vestiu-o de  vermelho para contrastar com o branco da neve. Presenteou-o com tren\u00f3 e renas.  Os Estados Unidos viram o velhinho simp\u00e1tico em Amsterd\u00e3. Levaram-no para as  terras da Am\u00e9rica. E espalharam-no pelo mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era uma vez um homem muito rico. Rico e feliz. Tinha tudo o que o dinheiro podia comprar. Vestia sedas chinesas, cobria-se com cashmere da Esc\u00f3cia, pisava tapetes de mesquita, bebia champanhe franc\u00eas, comia caviar russo. Morava no pal\u00e1cio mais luxuoso de Constantinopla. As porcelanas da dinastia Ming despertavam admira\u00e7\u00e3o e cobi\u00e7a at\u00e9 do sult\u00e3o. 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