{"id":6139,"date":"2011-07-25T20:00:00","date_gmt":"2011-07-25T23:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_calo_da_lingua\/"},"modified":"2011-07-25T20:00:00","modified_gmt":"2011-07-25T23:00:00","slug":"o_calo_da_lingua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_calo_da_lingua\/","title":{"rendered":"O calo da l\u00edngua"},"content":{"rendered":"<p> <b> <\/b><b>  <\/p>\n<p><\/b> Pronomes relativos? Valha-nos, Deus! S\u00e3o o calo mais  doloroso da l\u00edngua. Poucos lhes entendem as manhas. <i>Que, cujo, onde<\/i> &amp;  cia. atrapalham jornalistas, advogados, estudantes, executivos. Ningu\u00e9m escapa.  \u00c9 grave. O relativo tem fun\u00e7\u00e3o pra l\u00e1 de importante no per\u00edodo. Conhec\u00ea-la  assegura pontos no trabalho, promo\u00e7\u00e3o em concursos, aprova\u00e7\u00e3o em mestrados e  doutorados. E, de quebra, abre as portas de bons empregos.   <\/p>\n<p>O relativo tem compromisso com a eleg\u00e2ncia. Detesta  repeti\u00e7\u00e3o de palavras. Para evitar a dose dupla, substitui o voc\u00e1bulo que j\u00e1  apareceu. Se ele indicar lugar, \u00e9 a vez do onde ou do em que. Se posse, do  <i>cujo<\/i>. Na maioria das vezes, do <i>que<\/i>. <b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <\/p>\n<p>Onde<\/b><i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <\/p>\n<p>Minha terra tem <b>palmeiras<\/b>. Nas <b>palmeiras<\/b> canta  o sabi\u00e1.<\/i>  <\/p>\n<p>A palavra repetida? \u00c9 <i>palmeiras<\/i>. No caso, &#8220;nas  palmeiras&#8221; indica lugar. O <i>onde<\/i> pede passagem: <i> <\/p>\n<p><\/i><i>Minha terra tem palmeiras onde canta o  sabi\u00e1<\/i>.<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <\/p>\n<p>Cujo<\/b><i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/i><i>  <\/p>\n<p><\/i><i>O <b>livro<\/b> est\u00e1 esgotado. O autor do <b>livro<\/b>  recebeu o pr\u00eamio Jabuti.<\/i> <i> <\/p>\n<p><\/i><i>Livro<\/i> \u00e9 o repeteco. Indica posse  (seu autor). \u00c9 a vez do <i>cujo<\/i>: <i> <\/p>\n<p><\/i><i>O livro cujo autor recebeu o pr\u00eamio Jabuti est\u00e1  esgotado<\/i>.<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/b><b> <\/p>\n<p><\/b><b>Que<\/b><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><i> <\/i><\/b><b><i>  <\/p>\n<p><\/i><\/b><b><i>JK<\/i><\/b><i> foi prefeito de Belo  Horizonte. <b>JK<\/b> construiu Bras\u00edlia.<\/i> <\/p>\n<p>O termo referido antes \u00e9 <i>JK<\/i>. Funciona como sujeito.  Venha, <i>que<\/i>: <i> <\/p>\n<p><\/i><i>JK, que construiu Bras\u00edlia, foi prefeito de Belo  Horizonte.<\/i> <b><i>  <\/p>\n<p><\/i><\/b> <b><i>Bras\u00edlia<\/i><\/b><i>, mant\u00e9m-se moderna 51 anos depois de  constru\u00edda. Todos admiramos <b>Bras\u00edlia<\/b><\/i>.<i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/i><i> <\/p>\n<p><\/i><i>Bras\u00edlia<\/i> \u00e9 a dose dupla. No  segundo per\u00edodo, funciona como objeto direto. O <i>que<\/i> \u00e9 do dono do  lugarzinho.<i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, que todos admiramos, mant\u00e9m-se moderna 51 anos  depois de constru\u00edda.<\/i><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/b><b>&nbsp;<\/b> <b>Direito adquirido<\/b>   <\/p>\n<p>Acontece com as palavras o mesmo que com os homens. Algumas  t\u00eam olho grande. Avan\u00e7am nos bens das outras. Os relativos s\u00e3o v\u00edtimas de roubo  pra l\u00e1 de impiedoso. Muita gente os priva da preposi\u00e7\u00e3o que os deve anteceder. O  resultado \u00e9 um s\u00f3. Perde a l\u00edngua. Perde o leitor.    <\/p>\n<p>Vale repetir: o pronome relativo detesta repeti\u00e7\u00e3o de  palavras. Para evit\u00e1-la, substitui o voc\u00e1bulo dose dupla. E, claro, assume a  fun\u00e7\u00e3o do termo substitu\u00eddo. Pode ser sujeito, objeto, adjunto, complemento. Se  o original for acompanhado de preposi\u00e7\u00e3o, ela se manter\u00e1. Que termos exigem  preposi\u00e7\u00e3o? Em geral, o objeto indireto e o adjunto adverbial: <i>  <\/p>\n<p><\/i><i>A <b>garota<\/b> mora em Bel\u00f4. Gosto da  <b>garota<\/b>.<\/i>  <\/p>\n<p>O termo repetido? \u00c9 garota. <i>Garota<\/i> funciona como  objeto indireto. (Quem gosta gosta de algu\u00e9m.) O objeto indireto pede  preposi\u00e7\u00e3o. No caso, <i>de<\/i>. Na substitui\u00e7\u00e3o, o pronome ser\u00e1 objeto indireto  e manter\u00e1 o <i>de<\/i>:<i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>A garota de que gosto mora em Bel\u00f4.<\/i><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/b><b>  <\/p>\n<p><\/b> <b>Paulo Coelho<\/b> faz sucesso na Europa. Os cr\u00edticos duvidam  da qualidade liter\u00e1ria de <b>Paulo Coelho<\/b>.  <\/p>\n<p>Termo repetido: <i>Paulo Coelho<\/i> (indica posse). Funciona  como objeto indireto. (Quem duvida duvida <i>de<\/i> alguma coisa.) No  troca-troca, o <i>de<\/i> permanece.<i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>Paulo Coelho, <b>de cuja<\/b> qualidade liter\u00e1ria os cr\u00edticos  duvidam, faz sucesso na Europa.   <\/p>\n<p> Na <b>palestra<\/b>, os presentes puderam apreciar melhor os slides. Na  <b>palestra<\/b>, o expositor se sentou sobre a mesa.<\/i>  <\/p>\n<p>Termo repetido: <i>na palestra<\/i> (indica lugar). Funciona  como adjunto adverbial (quem se senta se senta em algum lugar.) O <i>em<\/i> fica  firme e forte antes do relativo:<i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>Na palestra <b>em que<\/b> o expositor se sentou na mesa, os  presentes puderam apreciar melhor os slides.   <\/p>\n<p> O <b>livro<\/b> foi escrito no s\u00e9culo 19. Referi-me ao <b>livro<\/b>.<\/i>  <\/p>\n<p>O termo repetido \u2014 <i>livro\u2014 <\/i>funciona como objeto  indireto (quem se refere se refere <i>a<\/i> alguma coisa ou <i>a<\/i> algu\u00e9m). A  preposi\u00e7\u00e3o original n\u00e3o arreda p\u00e9:<i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>O livro <b>a que<\/b> me referi foi escrito no s\u00e9culo  19.<\/i> &nbsp; Resumo da \u00f3pera: Quem foi rei nunca perde a majestade. Na  reestrutura, a preposi\u00e7\u00e3o mant\u00e9m o cetro e a coroa. &nbsp;   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pronomes relativos? Valha-nos, Deus! S\u00e3o o calo mais doloroso da l\u00edngua. Poucos lhes entendem as manhas. Que, cujo, onde &amp; cia. atrapalham jornalistas, advogados, estudantes, executivos. Ningu\u00e9m escapa. \u00c9 grave. O relativo tem fun\u00e7\u00e3o pra l\u00e1 de importante no per\u00edodo. Conhec\u00ea-la assegura pontos no trabalho, promo\u00e7\u00e3o em concursos, aprova\u00e7\u00e3o em mestrados e doutorados. E, de quebra, abre as portas de bons empregos. 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