{"id":6361,"date":"2012-01-19T13:00:00","date_gmt":"2012-01-19T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/trofeu_cara_de_pau\/"},"modified":"2012-01-19T13:00:00","modified_gmt":"2012-01-19T15:00:00","slug":"trofeu_cara_de_pau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/trofeu_cara_de_pau\/","title":{"rendered":"Trof\u00e9u cara de pau"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><b>  <\/p>\n<p><\/b>  <\/p>\n<p>O trof\u00e9u cara de pau vai para\u2026ele mesmo \u2014 Francesco Schettino. O comandante  do navio Costa Concordia fez o contr\u00e1rio do que mandam os manuais. Quando um  barco est\u00e1 em perigo, o comandante deve ser o \u00faltimo a sair. Schettino foi dos  primeiros. Deixou pra tr\u00e1s 4.500 pessoas. Questionado, ele disse que n\u00e3o fugiu.  Escorregou. E, ao escorregar, caiu num bote salva-vidas. <b>  <\/p>\n<p>Inspira\u00e7\u00e3o<\/b>  <\/p>\n<p>Schettino lembra aquele homem cheio de f\u00e9 que, em momento algum, duvidava da  gra\u00e7a do Senhor. Pois \u00e9. Uma tempestade se abateu sobre a cidadezinha onde  morava. Era tanta \u00e1gua que as ruas viraram rios. Ele subiu no teto da casa. Um  barco passou e lhe ofereceu socorro. Ele recusou:  <\/p>\n<p>\u2014 Deus vai me salvar.  <\/p>\n<p>A \u00e1gua continuava a trajet\u00f3ria ascendente. Ele subiu em uma \u00e1rvore. Novo  barco lhe ofereceu socorro. Novamente ele recusou com a mesma resposta.  Resultado: morreu afogado. Ao chegar ao c\u00e9u, cobrou explica\u00e7\u00e3o do Senhor.  Ei-la:  <\/p>\n<p>\u2014 Eu mandei dois barcos pra resgatar voc\u00ea. Voc\u00ea&nbsp;os dispensou.  <\/p>\n<p>Resumo da opereta: Schettino entendeu o recado. Embarcou no bote rapidinho.  <b> &nbsp; Volta, fuj\u00e3o<\/b>  <\/p>\n<p>Voc\u00ea acreditou na desculpa do capit\u00e3o? O oficial da Capitania dos Portos da  It\u00e1lia tamb\u00e9m n\u00e3o. &#8220;Volte a bordo agora&#8221;, mandou ele. A ordem p\u00f4s duas pulgas  atr\u00e1s da orelha de moradores deste lado do Atl\u00e2ntico. Uma: <i>a bordo<\/i> pede o  acentinho da crase? A outra: <i>volte a bordo<\/i> ou <i>volta a bordo<\/i>? As  respostas s\u00e3o mais f\u00e1ceis que a enrascada em que Schettino se meteu:  <\/p>\n<p>1.<i> A bordo<\/i> \u00e9 locu\u00e7\u00e3o formada por palavra masculina (o bordo). O  acentinho grave tem alergia a machos. Fica longe, bem lonnnnnnnnnnnnnnnnnge dos  barbados.  <\/p>\n<p>2. Volte ou volta? Trata-se do imperativo afirmativo. O tempo mand\u00e3o n\u00e3o  deixa por menos. Recorre a dois outros para fazer e acontecer. O <i>tu<\/i> e o  <i>v\u00f3s<\/i> saem do presente do indicativo. Com uma condi\u00e7\u00e3o \u2014 sem o <b>s<\/b>  final. As demais pessoas nascem do presente do subjuntivo \u2014 sem tirar nem p\u00f4r:    <\/p>\n<p>Presente do indicativo: <i>eu volto, tu voltas, ele volta, n\u00f3s voltamos, v\u00f3s  voltais, eles voltam<\/i>  <\/p>\n<p>Presente do subjuntivo: <i>(que) eu volte, tu voltes, ele volte, n\u00f3s  voltemos, v\u00f3s volteis, eles voltem<\/i>  <\/p>\n<p>Ao dizer &#8220;volte a bordo&#8221;, o capit\u00e3o tratou o comandante por voc\u00ea. Se optasse pelo  tu, daria a vez ao &#8220;volta a bordo&#8221;.<\/p><\/div>\n<p><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O trof\u00e9u cara de pau vai para\u2026ele mesmo \u2014 Francesco Schettino. O comandante do navio Costa Concordia fez o contr\u00e1rio do que mandam os manuais. Quando um barco est\u00e1 em perigo, o comandante deve ser o \u00faltimo a sair. Schettino foi dos primeiros. Deixou pra tr\u00e1s 4.500 pessoas. Questionado, ele disse que n\u00e3o fugiu. Escorregou. 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