{"id":6405,"date":"2011-08-15T10:00:00","date_gmt":"2011-08-15T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/dizer_coisa_com_coisa\/"},"modified":"2011-08-15T10:00:00","modified_gmt":"2011-08-15T13:00:00","slug":"dizer_coisa_com_coisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/dizer_coisa_com_coisa\/","title":{"rendered":"Dizer coisa com coisa"},"content":{"rendered":"<div>\n<p> &#8220;Socooooooooooooooooooooooooorro!&#8221;, gritam os concurseiros de Europa, Fran\u00e7a  e Bahia. O motivo: perdem pontos a rodo num tal item chamado coes\u00e3o. Eles  procuram o assunto nas gram\u00e1ticas. N\u00e3o encontram. Celsos Cunhas, Becharas,  Cegalas n\u00e3o dedicam nenhum cap\u00edtulo ao tema. Por qu\u00ea?   <\/p>\n<p>A raz\u00e3o \u00e9 simples. Coes\u00e3o est\u00e1 presente na morfologia, na sintaxe, nas  figuras de linguagem. Ao estudar substantivos, verbos, pronomes, conjun\u00e7\u00f5es,  preposi\u00e7\u00f5es, coordena\u00e7\u00e3o, subordina\u00e7\u00e3o, etc. e tal, indiretamente estudamos  coes\u00e3o. Eles oferecem recursos pra ligar palavras, ligar per\u00edodos, ligar  par\u00e1grafos. Em suma: juntar partes soltas em unidades coerentes. <i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/i><i> <\/p>\n<p><\/i><i>Anel<\/i> e <i>ouro<\/i> s\u00e3o duas palavras que n\u00e3o se conhecem nem de elevador.  Mas formam uma unidade com a ajuda da preposi\u00e7\u00e3o de: <i>anel <b>de<\/b>  ouro<\/i>.<i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/i><i> <\/p>\n<p><\/i><i>Cozinho estamos sem empregada<\/i>.  <\/p>\n<p>Que rela\u00e7\u00e3o existe entre enunciados assim  independentes? A conjun\u00e7\u00e3o se encarrega de p\u00f4r os pontos nos ii. Ela pode  indicar causa (cozinho porque estamos sem empregada). Pode indicar tempo  (cozinho quando estamos sem empregada). Pode indicar dura\u00e7\u00e3o (cozinho enquanto  estamos sem empregada). Pode indicar condi\u00e7\u00e3o (cozinho se estamos sem empregada).    <\/p>\n<p>Pronomes exercem duplo papel. Al\u00e9m de auxiliar a coes\u00e3o, contribuem para a  eleg\u00e2ncia. Como? Evitam repeti\u00e7\u00e3o. Veja: <i style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> Rafael e Jo\u00e3o Marcelo s\u00e3o irm\u00e3os. Este estuda medicina; aquele, direito.  (Este substitui Jo\u00e3o Marcelo; aquele, Rafael.)  <\/p>\n<p>Oscar Niemeyer se casou aos 99 anos. Ele e a noiva se conheceram anos  antes.<\/i><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p>Por falar em repeti\u00e7\u00e3o\u2026<\/b>  <\/p>\n<p>A repeti\u00e7\u00e3o estil\u00edstica d\u00e1 charme e liga ao texto. \u00c9 o caso do &#8220;pode indicar&#8221;  reiterado acima. \u00c9 o caso, tamb\u00e9m, deste texto de Barack Obama:  <i> <\/p>\n<p><\/i><i>Sim, n\u00f3s podemos. N\u00f3s podemos recuperar a economia do pa\u00eds. N\u00f3s podemos  legar uma p\u00e1tria melhor pra nossos filhos e netos. N\u00f3s podemos respeitar os  direitos humanos. N\u00f3s podemos zelar pelo meio ambiente. N\u00f3s podemos construir um  mundo mais justo e democr\u00e1tico. Sim, n\u00f3s podemos.<\/i>  <\/p>\n<p>Em par\u00e1grafo &nbsp; 3. de pronomes que retomam nomes ou passagens citados: JK construiu Bras\u00edlia.  JK nasceu em Minas. JK, que construiu Bras\u00edlia, nasceu em Minas. &nbsp; Obama e Michelle compareceram a 10 bailes no dia da posse. Os americanos os  acompanharam pela tev\u00ea. 4. de sin\u00f4nimos: H\u00e1 quem diga que Lula e Obama se  parecem. Os dois presidentes t\u00eam talento especial pra falar ao cora\u00e7\u00e3o do  povo. 5. Refer\u00eancia cataf\u00f3rica: Fernando Pessoa escreveu este verso: Tudo vale a  pena se a alma n\u00e3o \u00e9 pequena. : Cozinho por. , clamam os conurseiros.  Imagine a situa\u00e7\u00e3o. Com carta branca, Alex Serguson forma o time de futebol  com os <a name=\"Save1\"><\/a>melhores jogadores do mundo. Todos do n\u00edvel Cristiano  Ronaldo, Kak\u00e1, Messi, Gerrad. Confiante no talento individual, o t\u00e9cnico p\u00f5e a  equipe em campo antes de definir a posi\u00e7\u00e3o e movimenta\u00e7\u00e3o de cada um pra atingir  o objetivo. Qual? O gol, claro. Sem plano que os orientasse, os jogadores n\u00e3o se entendiam. Corriam sem rumo,  chutavam a esmo, estranhavam a bola. Eram 11 Pel\u00e9s transformados em 11 patetas.  O resultado? Fiasco nota 10. (Qualquer semelhan\u00e7a com a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de  2006 n\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia.) A imagem vale para a reda\u00e7\u00e3o. Belas ideias, belas palavras e belas frases n\u00e3o  resultam necessariamente num bom texto. Pra chegar \u00e0 unidade de composi\u00e7\u00e3o, elas  precisam se articular, se entrosar com clareza, harmonia e coer\u00eancia. Em bom  portugu\u00eas: as palavras t\u00eam de conversar pra formar per\u00edodos. Os per\u00edodos t\u00eam de  conversar pra formar par\u00e1grafos. Os par\u00e1grafos t\u00eam de conversar pra formar o  texto.  O bate-papo ajuizado da l\u00edngua tem nome. Chama-se coes\u00e3o textual. O  entrela\u00e7amento das id\u00e9ias se d\u00e1 por meio de v\u00e1rios mecanismos. Um deles \u00e9 a  manuten\u00e7\u00e3o do tema. Ou seja: perseguir o tema sem desvios. \u00c9 a tal hist\u00f3ria:  quem se ajoelha tem de rezar. Veja exemplo de par\u00e1grafo do livro Sonhos de  Einsten, de Alan Lightma: Min\u00fasculos sons da cidade flutuam pela sala. Uma garrafa de leite tilinta  contra uma pedra. Um toldo \u00e9 esticado em uma loja. Uma carro\u00e7a de verduras  transita lentamente por uma rua. Um homem e uma mulher sussurram em um  apartamento pr\u00f3ximo. Viu? O t\u00f3pico frasal amarrou as id\u00e9ias. Sem ele, os exemplos de sons da  cidade ficariam soltos, sem nexo. O leitor n\u00e3o saberia aonde as frases querem  chegar. Em suma: um amontoado de ideias e nenhum recado. Outro recurso: refer\u00eancia anaf\u00f3rica. An\u00e1fora quer dizer repeti\u00e7\u00e3o. Pode  ser: 1. da mesma palavra: Tudo cura o tempo, tudo gasta, tudo digere, tudo  acaba. Irene preta \/ Irene boa \/ Irene sempre de bom humor. 3. de pronomes que retomam nomes ou passagens citados: Rafael e Jo\u00e3o Marcelo  s\u00e3o irm\u00e3os. Este estuda medicina; aquele, direito. (este substitui Jo\u00e3o Marcelo;  aquele, rafael.) JK construiu Bras\u00edlia. JK nasceu em Minas. JK, que construiu Bras\u00edlia, nasceu  em Minas. Obama e Michelle compareceram a 10 bailes no dia da posse. Os americanos os  acompanharam pela tev\u00ea. Oscar Niemeyer se casou aos 99 anos. Ele e a noiva se  conheceram anos antes. 4. de sin\u00f4nimos: H\u00e1 quem diga que Lula e Obama se parecem. Os dois  presidentes t\u00eam talento especial pra falar ao cora\u00e7\u00e3o do povo. 5. Refer\u00eancia cataf\u00f3rica: Fernando Pessoa escreveu este verso: Tudo vale a  pena se a alma n\u00e3o \u00e9 pequena. 6.  a mesma frase ou de palavras que remetam ao que foi dito. \u00c9 o caso de  pronomes pra obter a coes\u00e3o textual \u00e9 a refer\u00eancia anaf\u00f3rica. autor amarrou as  id\u00e9ias n\u00e3o fugir do tema. O par\u00e1grafo se d\u00e1 por meio de mecanismos Soltos, os  voc\u00e1bulos ficam em situa\u00e7\u00e3o dicion\u00e1ria. O pai-de-todos-n\u00f3s tem 400 mil verbetes.  Cada um fica na sua. Todos juntos, sem articula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o comp\u00f5em uma frase  sequer. Eles precisam de organiza\u00e7\u00e3o pra dar o recado. conversar. m De nada  adiantam Um corria prum lado, a bola estava no outrode jogo e sem definir o  objetivo do gol. Resultado: sem conjugar as habilidades de cada um na posi\u00e7\u00e3o e  movimenta\u00e7\u00e3o no campo sem conjugar as habilidades de cada um na posi\u00e7\u00e3o e  movimenta\u00e7\u00e3o dentro do campo estrat\u00e9gia, Ronaldinho Coer\u00eancia vem do latim.  Cohaerens, na l\u00edngua dos C\u00e9sares, quer dizer o que est\u00e1 junto ou ligado. A  palavra tem sin\u00f4nimos. Trata-se da uni\u00e3o das diversas partes de um corpo  <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Socooooooooooooooooooooooooorro!&#8221;, gritam os concurseiros de Europa, Fran\u00e7a e Bahia. O motivo: perdem pontos a rodo num tal item chamado coes\u00e3o. Eles procuram o assunto nas gram\u00e1ticas. N\u00e3o encontram. Celsos Cunhas, Becharas, Cegalas n\u00e3o dedicam nenhum cap\u00edtulo ao tema. Por qu\u00ea? A raz\u00e3o \u00e9 simples. Coes\u00e3o est\u00e1 presente na morfologia, na sintaxe, nas figuras de linguagem. Ao estudar substantivos, verbos, pronomes, conjun\u00e7\u00f5es, preposi\u00e7\u00f5es, coordena\u00e7\u00e3o, subordina\u00e7\u00e3o, etc. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-6405","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6405","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6405"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6405\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6405"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6405"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6405"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}