{"id":6408,"date":"2012-01-24T00:00:00","date_gmt":"2012-01-24T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/rascunho-17\/"},"modified":"2012-01-24T00:00:00","modified_gmt":"2012-01-24T02:00:00","slug":"rascunho-17","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/rascunho-17\/","title":{"rendered":"rascunho"},"content":{"rendered":"<p>MAIS UMA<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Trapalhada do Peninha<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   (verbo manter: futuro do subjuntivo) <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O Peninha deu vexame. N\u00e3o o Peninha do Walt Disney. Esse d\u00e1 vexame todos os dias. A trapalhada \u00e9 sua marca registrada. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Quem diria que o nome contagia? Pois nosso administrador do Plano Piloto pegou a confus\u00e3o mental do primo do Mickey Mouse. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Em entrevista \u00e0 TV, disse s\u00e9rio: \u201cSe ele manter a oficina aqui, n\u00e3o pode receber outra l\u00e1\u201d. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Cala a  boca, Magda. \u201cN\u00e3o \u00e9 por acaso\u201d, dizem os \u00e1rabes\u201d, que nascemos com dois  olhos, dois ouvidos, duas narinas e &#8230; uma boca.\u201d \u00c9 para ter mais  cuidado no falar. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O verbo  manter \u00e9 derivado de ter. Conjuga-se como ele. Ningu\u00e9m diz \u201cse ele ter a  oficina aqui, n\u00e3o pode receber outra l\u00e1\u201d. O que se diz \u00e9 \u201cse ele  tiver\u201d. Logo, se ele mantiver. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O castigo de Deus<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   A terra  tinha uma s\u00f3 l\u00edngua e um s\u00f3 modo de falar. Ningu\u00e9m precisava estudar  ingl\u00eas, franc\u00eas, \u00e1rabe ou alem\u00e3o. Todos se entendiam. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   \u201cQue  mundo mon\u00f3tono\u201d, disseram os homens. \u201cVamos agitar. Construir uma torre  que nos leve at\u00e9 o c\u00e9u. L\u00e1 as coisas devem ser mais animadas.\u201d <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O  Senhor, que de bobo n\u00e3o tem nada, veio ver a obra. Irou-se. \u201cOs homens  pensam que \u00e9 f\u00e1cil chegar ao c\u00e9u? Enganam-se. Os caminhos s\u00e3o outros. Os  filhos de Ad\u00e3o v\u00e3o ver.\u201d <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O  castigo veio a galope. Deus criou mais de tr\u00eas mil l\u00ednguas. Os pedreiros  de Babel n\u00e3o se entenderam mais. A torre ficou ali, esqueleto  inacabado. Os homens se dispersaram. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   \u201cO estilo \u00e9 a cara.\u201d <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Monteiro Lobato <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Cada  l\u00edngua ganhou puni\u00e7\u00e3o \u00e0 parte. O chin\u00eas ficou com os mais de 23 mil  ideogramas (aqueles desenhozinhos que os alunos estudiosos levam 12 anos  para decorar). O ingl\u00eas, com a escrita totalmente diferente da  pron\u00fancia. O franc\u00eas, com a praga dos acentos. Ningu\u00e9m sabe coloc\u00e1-los. O  alem\u00e3o, com as palavras coladas, t\u00e3o compridas quanto a cobra que  tentou Eva no para\u00edso. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   E o  portugu\u00eas? Tamb\u00e9m levou. Ganhou o h\u00edfen. Deus pegou um mont\u00e3o de hifens  na m\u00e3o direita, um mont\u00e3o de palavras na esquerda. Jogou tudo para o  alto. O resultado? A confus\u00e3o que todos conhecem. Algumas palavras se  ligaram com h\u00edfen (anti-social), outras n\u00e3o <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   (antiimperialismo). Por qu\u00ea? \u00c9 o castigo de Deus. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Na  corrida do pega-h\u00edfen-n\u00e3o-pega-h\u00edfen, alguns elementos nem chegaram  perto do sinalzinho. Eles nunca, nunca mesmo, se usam com h\u00edfen. Um  deles \u00e9 o tele. Aquele que aparece em televis\u00e3o para dar a id\u00e9ia de \u201cde  longe\u201d. Da\u00ed telefone (voz de longe), televis\u00e3o (imagem de longe),  telegrama (mensagem escrita transmitida de longe). <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Nesta  era de compras pelo telefone, a confus\u00e3o com o tele \u00e9 geral. Ora a  palavra aparece com o tracinho, ora sem. N\u00e3o acredite nos seus olhos.  Tele nunca aceita h\u00edfen: telecimento, telepizza, telet\u00e1xi, telenovela. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Nesse  caos divino, h\u00e1 uma lei. As palavras escritas com tele mant\u00eam a  pron\u00fancia e o acento originais. Por isso, diante do s e do r, \u00e9  necess\u00e1rio respeitar a pron\u00fancia: telesservi\u00e7o, telessinaliza\u00e7\u00e3o,  telessonda, telerradar, telerreserva, telerrem\u00e9dio. Assim, com dois ss e  dois rr. Por qu\u00ea? O s entre duas vogais soa z (casa, pesquisa,  pesadelo). O r fica fraquinho como em caro. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Por causa dessa lei fon\u00e9tica, o Telerenavam, servi\u00e7o <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   introduzido pelo Detran, deveria estar escrito com dois rr. Vem de Renavam (Registro Nacional de Ve\u00edculos Automotores). <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   E a  telesena? Deixou de dobrar o s. A pron\u00fancia virou telezena. Da\u00ed o  desencontro. A gente pensa na telessena. Joga na telezena. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Resultado: s\u00f3 ganha na sorte. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   CURTAS <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Maxi, mini, micro <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   (h\u00edfen: maxi, mini, micro) <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O que esses serezinhos t\u00eam em comum? Tr\u00eas pontos: <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   \u2022 indicam tamanho <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   \u2022 nunca se usam com h\u00edfen: maxissaia, miniempresa, microssat\u00e9lite. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   \u2022 s\u00e3o  atrevidos. \u00c0s vezes aparecem sozinhos. Funcionam como substantivos ou  adjetivos. A\u00ed, cuidado. Eles seguem as regras de acentua\u00e7\u00e3o da l\u00edngua.  M\u00edni e m\u00e1xi s\u00e3o parox\u00edtonas terminadas em i. Levam acento. Iguaizinhos a  t\u00e1xi e j\u00fari: \u201cNem m\u00e1xi nem m\u00edni\u201d, disse o ministro. \u201cO real n\u00e3o ser\u00e1  desvalorizado\u201d. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Juntos para sempre <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   (h\u00edfen: video, radio) <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   \u201cComo escrever videorrevista e radiorrel\u00f3gio?\u201d, pergunta o L\u00e1zaro Eust\u00e1quio. Assim, coladinhos. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Uma  diquinha: os elementos video- e radio- sofrem de alergia. N\u00e3o suportam  h\u00edfen. Nem sob tortura: videomania, videocassete, videolocadora;  radioterapia, radiorreceptor, radiossonda, radioatividade,  radioemissora, radiopatrulha. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O homem que sabia demais <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Quem  matou PC? Senhoras e senhores, fa\u00e7am suas apostas. Homic\u00eddio seguido de  suic\u00eddio? Pode ser. Suzana matou PC e se matou. Duplo homic\u00eddio? Talvez.  Algu\u00e9m matou PC e a namorada. Homic\u00eddio seguido de homic\u00eddio? \u00c9  poss\u00edvel. Suzana matou PC e algu\u00e9m a matou. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   As  possibilidades n\u00e3o acabam a\u00ed. \u201cPC se suicidou e, depois, matou Suzana\u201d,  garante a Internet. \u201cEu matei PC\u201d, confessou Arnaldo Jabor. \u201cFoi o Chico  An\u00edsio\u201d, acusou o Rubens, do Correio Braziliense, \u201cpara PC n\u00e3o melar a  hist\u00f3ria da Z\u00e9lia\u201d (aquela do primo generoso). A Folha n\u00e3o acreditou:  \u201cPC morreu de gripe\u201d, garantiu. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Mentira. PC morreu de susto. N\u00e3o foi para menos. Ele ouviu. Com os pr\u00f3prios ouvidos. Aqueles que a terra haveria de comer. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   \u201cUma hist\u00f3ria se conta, n\u00e3o se explica.\u201d <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Jorge Amado <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Suzana dizia ao telefone: \u201cEu queria dizer que t\u00e3o pouco tempo, um dia s\u00f3, um momento para lhe conhecer&#8230; \u201c <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   \u201cO  qu\u00ea?\u201d, indignou-se o tesoureiro. A alagoana n\u00e3o sabia a reg\u00eancia do  verbo conhecer? Desencantado, vestiu o pijama de seda azul. Deitou-se.  Deu um suspiiiiiiiro. Bateu asas e voou. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   PC  estava coberto de raz\u00e3o. Lhe conhecer? N\u00e3o mesmo. Lhe \u00e9 objeto indireto.  O verbo conhecer \u00e9 transitivo direto. Pede o pronome o. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Como distinguir o verbo transitivo direto do indireto? <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Simples. Basta aplicar a f\u00f3rmula que a gente aprende na escola. Vamos relembr\u00e1-la. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O verbo da frase \u201cPaulo C\u00e9sar matou Suzana\u201d \u00e9 transitivo direto ou indireto? <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Pegue o  verbo (matar) e monte a f\u00f3rmula: quem mata mata algu\u00e9m. Entre o mata e o  algu\u00e9m, n\u00e3o aparece preposi\u00e7\u00e3o. O verbo se liga diretamente ao  complemento. Sem intermedi\u00e1rios. \u00c9, pois, transitivo direto. Suzana, o  objeto direto. Substituindo Suzana pelo pronome, temos: Paulo C\u00e9sar a  matou. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   \u00c9 o  caso do conhecer. Quem conhece conhece algu\u00e9m. PC conheceu Suzana na  pris\u00e3o (PC a conheceu). Preciso de um momento para conhecer voc\u00ea  (&#8230;para o conhecer). Espero um dia conhecer voc\u00ea (espero um dia  conhec\u00ea-lo). <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   E o lhe? \u00c9 objeto indireto. S\u00f3 se usa como complemento do verbo transitivo indireto. Veja: <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Obede\u00e7o  a meu chefe imediato. Quem obedece obedece a algu\u00e9m. Entre o verbo  (obedece) e o complemento (chefe) existe a preposi\u00e7\u00e3o a. O verbo \u00e9  transitivo indireto. Chefe \u00e9 o objeto indireto. Logo: obede\u00e7o-lhe. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Dei o  rev\u00f3lver ao policial. Quem d\u00e1 d\u00e1 alguma coisa (obj. direto) a algu\u00e9m  (obj. ind.). Substituindo o objeto direto: Dei-o ao policial. O  indireto: Dei-lhe o rev\u00f3lver. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;O  Nordeste tem uma caracter\u00edstica. Transforma alguns verbos transitivos  diretos (ver, amar, cumprimentar, namorar) em indiretos. Foi o que  Suzana fez. Embarcou na canoa furada. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Moral da hist\u00f3ria: PC morreu porque estudou reg\u00eancia verbal. Sabia demais. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   MAIS UMA <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Implicar implica e <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   complica <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   (reg\u00eancia: implicar) <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O verbo  implicar tem tr\u00eas empregos. Em dois, ningu\u00e9m tem d\u00favida. Na acep\u00e7\u00e3o de  ter implic\u00e2ncia, pede a preposi\u00e7\u00e3o com: O diretor implicou com ele. Na  de comprometer, envolver, \u00e9 vez do em: A secret\u00e1ria implicou o chefe no  esc\u00e2ndalo. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   A  d\u00favida surge no significado de produzir como conseq\u00fc\u00eancia. A\u00ed, implicar  implica e complica. O verbo parece, mas n\u00e3o \u00e9. No sentido de acarretar  conseq\u00fc\u00eancias, o malandro \u00e9 transitivo direto. N\u00e3o suporta a preposi\u00e7\u00e3o  em: Autonomia tamb\u00e9m implica responsabilidade. Defla\u00e7\u00e3o implica  recess\u00e3o. Aumento da taxa de juros implica crescimento do d\u00e9ficit  p\u00fablico. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Nem feminino nem plural.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   \u00c9 tudo igual<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Volta e  meia eles mudam de nome. Foram remediados. Viraram pobres. Passaram a  miser\u00e1veis. A\u00ed apareceram os carentes. Seguiram-se os despossu\u00eddos.  Depois os descamisados vieram com for\u00e7a total. Ganharam inscri\u00e7\u00e3o em  camiseta, discursos na televis\u00e3o, juras de boas inten\u00e7\u00f5es (delas, o  inferno est\u00e1 cheio. E Miami tamb\u00e9m). <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Hoje os  pobres est\u00e3o em outra. \u00c9 vez do sem. O desabrigado \u00e9 sem-teto; o  desamparado, sem-justi\u00e7a; o agricultor que n\u00e3o tem onde plantar,  sem-terra. A Globo adotou a novidade. Em Anjo de Mim, Lav\u00ednia \u00e9 a  sem-teto. Madalena, <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   \u201cEscrevo para que meus amigos me amem ainda mais.\u201d <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Gabriel Garc\u00eda Marquez <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   de Salsa e Merengue, a sem-justi\u00e7a. Jacira, de O Rei do Gado, a sem-terra. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O sem  virou histeria. O presidente do Sindicato dos Funcion\u00e1rios P\u00fablicos  refere-se aos sem-governo. Os jornais citam os sem-partido. Xuxa fala  nos sem-brinquedo. Mill\u00f4r se lembra dos sem-vergonha. Elio Gaspari, dos  sem-limite. Edir Macedo, dos sem-religi\u00e3o. O S\u00e9rgio Motta, das  sem-homem. A libera\u00e7\u00e3o das tarifas banc\u00e1rias deu origem aos sem-banco. O  Plano Real logrou unanimidade \u2013 os sem-dinheiro. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   A Veja  delirou. Noticiou o para\u00edso dos sem-picanha. Isso mesmo. S\u00e3o as  tenta\u00e7\u00f5es da carne que fisgaram os poloneses Nowak e Piekarski. Os dois  jogadores fazem furor no Atl\u00e9tico Paranaense. Sabe por qu\u00ea? Eles se  entopem de picanha todos os dias. \u201cNa minha terra, dizem, \u00e9ramos  sem-picanha. Tanta carne junta s\u00f3 t\u00ednhamos visto no pasto. Mugindo.\u201d <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O sem  deu filhotes. H\u00e1 pouco houve em Bras\u00edlia manifesta\u00e7\u00e3o dos sem-terrinha.  Est\u00e1-se falando no movimento dos sem-celular, sem-microondas e sem-carro  importado. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Enfim, a criatividade anda solta. Mas h\u00e1 um limite. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Os sem \u2013 todos eles \u2013 s\u00e3o sem mesmo. Sem feminino, sem masculino e sem plural. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Como n\u00e3o se confundir? Basta prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 companhia. O artigo, o adjetivo e o verbo n\u00e3o guardam segredo. Abrem o jogo: <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Viviane Pasmanter vive a sem-teto da novela Anjo de Mim (o a diz que nos estamos referindo a nome feminino singular). <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Sem-justi\u00e7a de Salsa e Merengue v\u00e3o lutar contra a mineradora Amarante Paes (o v\u00e3o n\u00e3o deixa d\u00favida: o sujeito \u00e9 plural). <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Sem-teto busca resposta para o problema de moradia (o verbo informa que sem-teto \u00e9 substantivo singular). <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O  desfile dos exclu\u00eddos come\u00e7a com os sem-teto na faixa das 18h e termina  com os sem-terra na trama das oito (o artigo os \u00e9 categ\u00f3rico: falamos de  masculino plural). <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Enfim, s\u00e3o os sem-flex\u00e3o. Nem masculino, nem feminino, nem plural. \u00c9 tudo igual. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   MAIS UMA <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Qual \u00e9 a dos fora-da-lei? <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   (flex\u00e3o: fora-da-lei) <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   A  d\u00favida \u00e9 da Cristina Quadra, da Embaixada da Austr\u00e1lia. Ela ficou  intrigada. Outro dia, leu entrevista do ministro Lampreia, do Itamaraty.  Ficou arrepiada: \u201cForas-da-lei, como Sadam Hussein, adorariam o fim da  ONU\u201d, dizia o texto. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   \u201cNa minha cabe\u00e7a\u201d, escreve ela, \u201ca express\u00e3o lembra o imex\u00edvel do Magri. \u00c9 invari\u00e1vel. Estou errada?\u201d <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Claro  que n\u00e3o. Fora-da-lei n\u00e3o tem feminino, nem masculino, nem singular, nem  plural: o fora-da-lei, os fora-da-lei, a fora-da-lei, as fora-da-lei,  indiv\u00edduos fora-da-lei, mulheres fora-da-lei. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   A frase  teria respeitado os ossos do bar\u00e3o do Rio Branco se tivesse sido  escrita assim: Fora-da-lei, como Sadam Hussein, adoraria o fim da ONU. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp; <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Macaco velho n\u00e3o mete a m\u00e3o em cumbuca <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Ant\u00f4nio  Carlos Magalh\u00e3es, ACM para os \u00edntimos e Toninho Malvadeza para os  inimigos, telefona para Fernando Henrique Cardoso, o FHC: \u201cSe o Banco  Central interv&#8230;\u201d <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Engole  em seco. \u201cIntervir? Intervier?\u201d Melhor n\u00e3o arriscar. Lembra-se de velha  piada que muitos juram n\u00e3o ser chiste, mas fato registrado nos anais da  ditadura. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Costa e  Silva, o mandachuva de plant\u00e3o, pede \u00e0 secret\u00e1ria que marque uma  reuni\u00e3o para sexta-feira. \u201cSexta-feira se escreve com x ou s?\u201d, pergunta  ela. Como saber? Por acaso ele <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   \u201cO portugu\u00eas \u00e9 uma. l\u00edngua muito dif\u00edcil. Tanto que cal\u00e7a \u00e9 uma<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   coisa que se bota, e bota \u00e9 uma coisa. que se cal\u00e7a.\u201d<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Bar\u00e3o de Itarar\u00e9<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   era dicion\u00e1rio? Melhor pegar um atalho: \u201cTransfira-a para s\u00e1bado\u201d, ordena. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Foi o  que nosso velho senador fez. \u201cO diabo n\u00e3o \u00e9 perigoso por ser diabo, mas  por ser experiente\u201d, pensou matreiro. Refez a frase: \u201cSe o Banco Central  decretar interven\u00e7\u00e3o no Econ\u00f4mico, ser\u00e1 uma agress\u00e3o ao Nordeste e ao  povo baiano\u201d. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Safou-se. Mas a d\u00favida ficou. Correu ao Aur\u00e9lio. Ali estava. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Intervir conjuga-se como o verbo vir, de quem \u00e9 filho obediente. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O presente \u00e9 moleza. Eu venho (intervenho), ele vem (interv\u00e9m), n\u00f3s vimos (intervimos), eles v\u00eam (interv\u00eam). <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   A \u00fanica  diferen\u00e7a \u00e9 o acento. Vem termina em em. Mas s\u00f3 tem uma s\u00edlaba. Por  isso n\u00e3o recebe acento. \u00c9 o caso de bem, cem, tem. Mas interv\u00e9m tem mais  de uma s\u00edlaba. \u00c9 ox\u00edtona (a s\u00edlaba t\u00f4nica \u00e9 a \u00faltima). Encaixa-se na  regra do tamb\u00e9m, ningu\u00e9m, por\u00e9m, armaz\u00e9m. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   E o  passado? O pret\u00e9rito perfeito \u00e9 uma verdadeira armadilha. Na hora dos  discursos, os deputados caem como patos. Um vexame atr\u00e1s do outro. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Esquecem-se  de que intervir \u00e9 da fam\u00edlia de vir. Ambos se conjugam do mesmo  jeitinho, sem tirar nem p\u00f4r: eu vim (intervim), ele veio (interveio),  n\u00f3s viemos (interviemos), eles vieram (intervieram). <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   E a  frase que ACM estava dizendo a Fernando Henrique? \u201cSe o Banco Central  interv&#8230;\u201d Como fica? A gram\u00e1tica explica: o futuro do subjuntivo se  forma da 3a pessoa do plural do pret\u00e9rito perfeito do indicativo menos o  -am final: eles vier(am). Logo: se eu intervier, se ele intervier, se  n\u00f3s interviermos, se eles intervierem. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Se a d\u00favida n\u00e3o o tivesse assaltado, teria dito: \u201cSe o Banco Central intervir no Econ\u00f4mico, ser\u00e1 uma agress\u00e3o ao povo baiano\u201d.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Satisfeito, o velho Malvadeza liga a televis\u00e3o. A primeira frase que ouve: \u201cBanco Central interveio no Econ\u00f4mico\u201d.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   MAIS UMA<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Nobel <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;(pron\u00fancia: Nobel, ibero)<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Era  noit\u00e3o. A gente estava l\u00e1, diante da TV, naquele vai-n\u00e3o-vai-pra-cama.  Hermano Hening, diretamente dos States, apresentava o jornal do SBT. De  repente, um susto deste tamanho. O homem golpeou duplamente a pron\u00fancia.  Trope\u00e7ou, primeiro, no Nobel. Depois, no ibero. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Nobel \u00e9 ox\u00edtona. A s\u00edlaba t\u00f4nica cai no el. Pronuncia-se como papel ou Mabel.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Ibero  entrou no ar com o encontro ibero-americano. Esse adjetivo sofisticado \u00e9  parox\u00edtono. A s\u00edlaba be fala mais alto que as outras. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Dizer \u2018\u00edbero\u2019? Nem pensar. Pega mal como jogar papel na rua, arrotar \u00e0 mesa, dirigir acima da velocidade permitida. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Rosa que te quero cor-de-rosa <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O rosa  est\u00e1 na moda. N\u00e3o por causa do ver\u00e3o. Mas de misteriosa pasta  desenterrada das gavetas do Banco Central. Ningu\u00e9m sabe se \u00e9 rosa-beb\u00ea  ou rosa-choque. Talvez rosa-maravilha ou rosa-rei. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Uma  coisa \u00e9 certa. Tem muito poder. Abalou os alicerces da Rep\u00fablica. H\u00e1  quem atribua a culpa ao Z\u00e9 do Caix\u00e3o. Desde que visitaram o presidente,  aquelas unhas (que n\u00e3o estavam pintadas de rosa) surrupiaram o sossego  da Esplanada dos Minist\u00e9rios e arredores. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Primeiro  foram os grampos. Sa\u00edram da cabe\u00e7a da vov\u00f3 e ganharam o Pal\u00e1cio do  Planalto. Puseram a nu intimidades verbais e \u201cinfluenciais\u201d do governo.  At\u00e9 d. Ruth entrou no tiroteio. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   \u201cN\u00e3o h\u00e1 livros morais e livros imorais. H\u00e1 livros bem escritos e livros mal-escritos.\u201d <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Oscar Wilde<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;Agora \u00e9  a vez do rosa. Inocente, sempre se identificou com o feminino. Menina?  Cor-de-rosa. Menino? Azul. No ch\u00e1 das cinco, coloria as discuss\u00f5es  sociais. Algumas m\u00e3es diziam que a cor combinava melhor com as baianas.  Outras discordavam. Achavam que ca\u00eda como luva nas pernambucanas. E as  paulistas? O rosa destacava-lhes a pele clara e os olhos expressivos. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Das  casas de ch\u00e1, o rosa chegou \u00e0s manchetes. O Correio Braziliense  abriu-lhe espa\u00e7o. A pasta apareceu l\u00e1, na primeira p\u00e1gina, a mais nobre  do jornal. Para qu\u00ea? Para que o leitor a colorisse (com um I s\u00f3). De  rosa, claro. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Vidas  sofreram mudan\u00e7as. O din\u00e2mico Serj\u00e3o estava reunido com empres\u00e1rios  paulistas quando ouviu falar da tal pasta rosa. \u201cA\u00ed tem coisa\u201d, pensou.  De susto, criou a palavra \u201cfazejamento\u201d. Corre risco de ir para o  Aur\u00e9lio e para a Academia Brasileira de Letras. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   ACM teve destino diferente. Nervoso, chamou os diretores do Banco Central de marginais. Vai para a Justi\u00e7a. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Ningu\u00e9m  sabe o destino da pasta. Mas o do rosa se adivinha. Dar\u00e1 vez a cores  mais fortes: laranja, lil\u00e1s, cinza, grafite, preto. Marisa Monte j\u00e1  chegou l\u00e1. Deu o nome de Rosa-Carv\u00e3o ao show que trar\u00e1 a Bras\u00edlia. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   A vida \u00e9 cheia de mist\u00e9rios. E de surpresas. Voc\u00ea (ou eles) pode trope\u00e7ar na pasta. Mas, por favor, n\u00e3o capote nas cores. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Os  adjetivos compostos que indicam cor s\u00e3o invari\u00e1veis. N\u00e3o t\u00eam plural nem  singular, masculino ou feminino: pasta cor-de-rosa, pastas cor-de-rosa;  livro cor-de-rosa, livros cor-de-rosa. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Pregui\u00e7osa,  a l\u00edngua \u00e0s vezes omite o cor-de. Mas ele n\u00e3o morre. Fica escondido. E  conta como se existisse: pastas (cor-de) rosa, livros (cor-de) cinza,  vestidos (cor-de) palha, sedas (cor-de) lil\u00e1s, blusas (cor-de) telha,  capa (cor-de) cereja, saias (cor-de) ab\u00f3bora, sapatos (cor-de) vinho,  bolsa e luvas (cor- <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   de) p\u00e9rola, cintos (cor-de) castor. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   N\u00e3o  pense que cor \u00e9 sempre solteira. De vez em quando ela arranja namorado.  A\u00ed temos o casal formado de cor + substantivo: vestido amarelo-can\u00e1rio,  uniforme azul-oliva, olhos verde-mar, vestido verde-garrafa, camisas  verde-malve, uniformes azul-ferrete, len\u00e7os vermelho-sangue, bolsas  amarelo-ouro. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Reparou? Solteiro ou casado, o adjetivo composto que indica cor n\u00e3o se flexiona. Cai na vala comum. A mesma do cor-de-rosa. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   MAIS UMA <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   TV em cores? <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   TV a cores? <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   (em cores) <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Voc\u00ea  diz transmiss\u00e3o em cores? Revista em cores? P\u00f4ster em cores? Filme em  tecnicolor? Por que discriminar a tev\u00ea? Ela joga no mesmo time. A TV \u00e9  em cores. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   E a outra coitada, aquela da qual ningu\u00e9m quer saber? \u00c9 isso mesmo: tev\u00ea em preto e branco. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Faz e acontece <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   As palavras, como as pessoas, t\u00eam manias. Combinam. Brigam. Fazem exig\u00eancias. Armam ciladas. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Um  verbo cheio de caprichos \u00e9 o acontecer. Elitista, tem poucos empregos. E  quase nenhum amigo. Mas, por capricho do destino, os colunistas sociais  o adotaram. A moda se espalhou como fogo morro acima ou \u00e1gua morro  abaixo. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O pobre  virou praga. Tudo acontece. At\u00e9 pessoas: Ronaldinho est\u00e1 acontecendo na  Sele\u00e7\u00e3o. O casamento acontece na catedral. O show acontece \u00e0s 22h. E  por a\u00ed vai. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Violentado,  o verbo vira a cara. Esperneia. E se vinga. Deixa mal quem abusa dele.  Diz que o atrevido sofre de pobreza de vocabul\u00e1rio. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   \u201cS\u00f3 se escreve para provocar um amigo, conquistar uma mulher ou ganhar muito dinheiro.\u201d <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Ivan Lessa <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Para n\u00e3o cair na boca do povo, s\u00f3 h\u00e1 uma sa\u00edda. Empreg\u00e1-lo na acep\u00e7\u00e3o de suceder de repente. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Acontecer d\u00e1 sempre a id\u00e9ia do inesperado, desconhecido: Caso acontecesse a explos\u00e3o, muitas mortes poderiam ocorrer. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O  verbinho de sangue azul sente-se muito bem com os pronomes indefinidos  (tudo, nada, todos), demonstrativos (este, isto, esse, aquele) e o  interrogativo que: Tudo acontece no feriado. Aquilo n\u00e3o aconteceu por  acaso. O que aconteceu? <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   N\u00e3o use  acontecer no sentido de ser, haver, realizar-se, ocorrer, suceder,  existir, verificar-se, dar-se, estar marcado para. Se voc\u00ea insistir,  prepare-se. \u00c9 briga certa. Melhor n\u00e3o entrar nessa. Busque sa\u00eddas. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Uma  delas \u00e9 substituir o verbo: O show acontece (est\u00e1 marcado para) \u00e0s 21h. O  festival aconteceu (realizou-se) no ano passado. O crime n\u00e3o aconteceu  (ocorreu). Acontecem (ocorrem) casos de pris\u00e3o de inocentes durante as  batidas policiais. O vestibular est\u00e1 previsto para acontecer em dezembro  (previsto para dezembro). N\u00e3o aconteceu (houve) o rigoroso inverno. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Outra \u00e9  mudar a frase. A pris\u00e3o aconteceu ontem. (A pol\u00edcia prendeu o ladr\u00e3o  ontem.) O show dos Rolling Stones acontece no Morumbi. (Os Rolling  Stones fazem show no Morumbi.) A divulga\u00e7\u00e3o do resultado acontece logo  mais. (O resultado ser\u00e1 divulgado logo mais.) O in\u00edcio da prova  aconteceu \u00e0s 8h. (A prova iniciou-se \u00e0s 8h.) <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   MAIS UMA <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Nos bra\u00e7os de Morfeu <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   (morfina: etimologia) <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Morfeu  vive no Olimpo. \u00c9 deus do sono e dos sonhos. Da\u00ed a express\u00e3o \u201cestar nos  bra\u00e7os de Morfeu\u201d, que significa estar dormindo. O nome dele vem do  grego morfo-. Quer dizer \u201ca forma\u201d. N\u00e3o por acaso. Chama-se assim porque  tem uma miss\u00e3o: tomar a forma humana e aparecer aos homens durante os  sonhos. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O deus  cumpre a obriga\u00e7\u00e3o numa boa. \u00c9 dono de grandes asas. Transporta-se com  facilidade \u00e0s extremidades da Terra. Sem ru\u00eddos. Com uma papoula, faz os  mortais adormecerem. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   De  Morfeu originou-se a palavra morfina. Por duas raz\u00f5es. A primeira: o  poder sedativo \u00e9 feito de \u00f3pio, narc\u00f3tico subtra\u00eddo da papoula. A outra:  al\u00e9m de aliviar as dores, a morfina faz dormir. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O verbo singular <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O  falante Germano Rigotto, vice-l\u00edder do governo na C\u00e2mara, dava  entrevista ao Bom Dia, Brasil. Dia tenso, 15 de agosto. Preocupado em  defender a interven\u00e7\u00e3o no Econ\u00f4mico, o deputado declarou: \u201cAcompanhamos  todas as tentativas que houveram at\u00e9 aqui\u201d. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Mais um  atropelado pelo verbo haver. Baita trombada. H\u00e1 muito, ali\u00e1s, esse  verbo singular vem causando estragos na fala e na escrita. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Que o  diga a nossa M\u00e1rcia Kubitschek. Ao assumir o governo do Distrito  Federal, a ent\u00e3o vice-governadora, muito \u00e0 vontade diante das c\u00e2meras de  televis\u00e3o, nos brindou com este trope\u00e7o sorridente: \u201cNas \u00faltimas  elei\u00e7\u00f5es, houveram poucos dist\u00farbios em Bras\u00edlia\u201d. Os jornais n\u00e3o ficam  atr\u00e1s. No domingo, <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   \u201cLiberdade completa ningu\u00e9m desfruta: come\u00e7amos oprimidos pela sintaxe e acabamos \u00e0s voltas com o Dops.\u201d <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Graciliano Ramos <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   lemos: \u201cN\u00f3s temos consci\u00eancia da demanda da classe m\u00e9dia por habita\u00e7\u00f5es que n\u00e3o haviam no mercado\u201d. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   L\u00e1  longe, no curso prim\u00e1rio, nossos professores j\u00e1 diziam: \u201cO verbo haver,  no sentido de existir e ocorrer, \u00e9 impessoal\u201d. O que isso quer dizer? <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   A  maioria dos verbos \u2013 comuns, rotineiros, sem charme \u2013 \u00e9 pessoal.  Conjuga-se em todas as pessoas (eu, tu, ele, n\u00f3s, v\u00f3s, eles). Veja, por  exemplo, o laborioso trabalhar: eu trabalho, tu trabalhas, ele trabalha,  n\u00f3s trabalhamos, v\u00f3s trabalhais, eles trabalham. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O verbo  haver \u00e9 diferente. Detesta fazer parte de rebanho. Quer ser especial.  No sentido de ocorrer e existir, \u00e9 impessoal, N\u00e3o tem sujeito. S\u00f3 se  conjuga 3a pessoa do singular. Por isso se chama verbo singular.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   \u00c9 o  caso dos nossos exemplos: Acompanhamos todas as tentativas que houve  (existiram) at\u00e9 aqui. Houve (ocorreram) poucos dist\u00farbios em Bras\u00edlia.  N\u00f3s temos consci\u00eancia da demanda da classe m\u00e9dia por habita\u00e7\u00f5es que n\u00e3o  havia (existiam) no mercado. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Por que  se faz tanta confus\u00e3o com esse verbo? Muitos n\u00e3o prestaram aten\u00e7\u00e3o \u00e0s  palavras do professor. Ou n\u00e3o entenderam a li\u00e7\u00e3o. At\u00e9 hoje, barbudos e  carecas, pensam que o sofisticado haver \u00e9 igual aos outros verbos.  Esquecem-se que ele n\u00e3o tem sujeito. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Com  medo de errar, imaginam que o objeto direto \u00e9 o sujeito, sobretudo se o  verbo estiver no passado. Quando se diz \u201chouve poucos dist\u00farbios\u201d,  dist\u00farbios n\u00e3o \u00e9 sujeito, mas objeto direto, ao contr\u00e1rio do que pensam  os desavisados. O verbo haver \u00e9 impessoal, lembre-se. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   A impessoalidade \u00e9 contagiosa. Os auxiliares do haver<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   tamb\u00e9m  se tornam impessoais: Deve haver muitos dist\u00farbios. Ia haver habita\u00e7\u00f5es  no mercado. Pode haver leil\u00f5es no pr\u00f3ximo fim de semana. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Sempre  que se vir tentado a flexionar o verbo haver, pense. No sentido de  ocorrer e de existir, ele \u00e9 invari\u00e1vel, irremediavelmente fiel \u00e0 3a  pessoa. Por via das d\u00favidas, risque o houveram do seu vocabul\u00e1rio. Voc\u00ea  nunca o usar\u00e1. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   MAIS UMA <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Apar\u00eancias <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   (anos sessenta) <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   A turma  do chopinho se dividiu em dois grupos. De um lado, o time do s. De  outro, do n\u00e3o-s. A ta\u00e7a seria na uma caixa de cerveja. A quest\u00e3o: anos  sessenta ou anos sessentas? <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Ganhou a  turma do n\u00e3o. \u00c9 que as apar\u00eancias enganam. H\u00e1, a\u00ed, tr\u00eas palavrinhas  escondidas, prontas pra enganar os distra\u00eddos. Da\u00ed o singular: anos (da  d\u00e9cada de) sessenta, anos (da d\u00e9cada de) noventa. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;De pincen\u00eas e pharmacia<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   A  hist\u00f3ria tem dois lados. Um, velho como usar su\u00ed\u00e7as e pincen\u00eas. Trata-se  do emprego do h\u00e1 na contagem de tempo. O outro, igualmente idoso, \u00e9  pouco conhecido. Joga no time dos que escrevem farm\u00e1cia com ph. Trata-se  do havia tamb\u00e9m na indica\u00e7\u00e3o de tempo. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Ambos t\u00eam dois pontos comuns. Um: indicam tempo passado. Outro: s\u00e3o substitu\u00edveis por fazer. H\u00e1 vira faz. Havia rima com fazia. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Veja: <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Morei na Europa h\u00e1 (faz) dois anos. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   \u201cAprender v\u00e1rias l\u00ednguas \u00e9 assunto de um ou dois anos. Ser eloq\u00fcente na pr\u00f3pria l\u00edngua exige a metade da vida.\u201d<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Voltaire<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Trabalhamos na IBM h\u00e1 (faz) muito tempo. Cheguei h\u00e1 (faz) pouco. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Moro em Bras\u00edlia h\u00e1 (faz) pouco. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Na \u00faltima sexta-feira, Tiana planejou passar o fim de semana com a irm\u00e3. As duas n\u00e3o se viam havia (fazia) alguns dias. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Maria mudou-se ontem. Morava ali havia (fazia) dois anos. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Ela n\u00e3o chegou. Ele estivera esperando havia (fazia) muito tempo. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Reparou? O segredo est\u00e1 no ponto final do tempo. Com o h\u00e1, a contagem acaba no momento atual. Com o havia, antes. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o abuse. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   O haver  odeia o atr\u00e1s. N\u00e3o os use na mesma frase. D\u00e1 briga. H\u00e1 seis anos atr\u00e1s?  Nem pensar. \u00c9 pleonasmo. Escolha um ou outro: Acabei o curso h\u00e1 seis  anos. Seis anos atr\u00e1s acabei o curso. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   E o  tempo futuro? Esse \u00e9 mais antigo que o rascunho da B\u00edblia. S\u00f3 a  preposi\u00e7\u00e3o a tem vez: Daqui a dois anos acabo o curso. O avi\u00e3o chega  daqui a pouco. A sete meses da elei\u00e7\u00e3o de outubro, o PMDB decidiu n\u00e3o  ter candidato pr\u00f3prio. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   Substituir a por faz? Nem pensar. D\u00e1 arrepios. <br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   &nbsp;   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MAIS UMA Trapalhada do Peninha (verbo manter: futuro do subjuntivo) O Peninha deu vexame. N\u00e3o o Peninha do Walt Disney. Esse d\u00e1 vexame todos os dias. A trapalhada \u00e9 sua marca registrada. Quem diria que o nome contagia? Pois nosso administrador do Plano Piloto pegou a confus\u00e3o mental do primo do Mickey Mouse. 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