{"id":6411,"date":"2012-09-25T09:00:00","date_gmt":"2012-09-25T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/colocacao_de_pronomes_2\/"},"modified":"2012-09-25T09:00:00","modified_gmt":"2012-09-25T12:00:00","slug":"colocacao_de_pronomes_2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/colocacao_de_pronomes_2\/","title":{"rendered":"Coloca\u00e7\u00e3o de pronomes 2"},"content":{"rendered":"<p><b>  <\/p>\n<p>Desmoraliza\u00e7\u00e3o<\/b>    <\/p>\n<p>A irrever\u00eancia nacional tem uma marca. Desmoraliza. Dizem que o comunismo n\u00e3o  fincou ra\u00edzes aqui com medo de jogar lama na reputa\u00e7\u00e3o. Afinal, Deus virou  brasileiro. Ensinou-nos a jogar no bicho, beber caipirinha e dar um jeitinho.  Foi o que aconteceu com a coloca\u00e7\u00e3o de pronomes.      <\/p>\n<p>A regra veio de Portugal. Tem tudo a ver com a pron\u00fancia lusitana. N\u00e3o com a  nossa. Na terra de Cabral, os pronomes \u00e1tonos s\u00e3o \u00e1tonos. Aqui, s\u00e3o t\u00f4nicos. Os  portugueses dizem <i>m\u2019<\/i>. N\u00f3s, <i>me<\/i>. \u00c9 dif\u00edcil iniciar uma frase com  <i>m\u2019<\/i>. Mas com <i>me<\/i> \u00e9 f\u00e1cil, f\u00e1cil. &#8220;D\u00e1-me um cigarro&#8221;, pede o fil\u00e3o  portugu\u00eas. &#8220;Me d\u00e1 um cigarro&#8221;, pede o brasileiro da gema.   <b>  <\/p>\n<p>Quase tudo <\/b>    <\/p>\n<p>No Brasil, vale tudo? Na l\u00edngua falada, vale. Na escrita, h\u00e1 um limite. Duas  regras exigem respeito. Uma: n\u00e3o iniciar frase com pronome \u00e1tono. N\u00e3o escreva  &#8220;Se saiu bem nas provas. Fique com &#8220;Saiu-se bem nas provas&#8221;.     <\/p>\n<p>A outra: ficar de olho na atra\u00e7\u00e3o. Atraem o pronome:     <\/p>\n<p>1. a gangue do <i>qu<\/i> (que, quem, qual, porque, quando, quanto):  <b><i>Qu<\/i><\/b><i>em <b>se<\/b> queixa da imprensa? H\u00e1 muitos pa\u00edses <b>qu<\/b>e  <b>se<\/b> op\u00f5em \u00e0 libera\u00e7\u00e3o das drogas. Vou votar neste candidato <b>porque<\/b>  <b>me<\/b> inspira mais confian\u00e7a.<\/i>     <\/p>\n<p>2. os pronomes e adv\u00e9rbios negativos (n\u00e3o, ningu\u00e9m, nunca): <b><i>Ningu\u00e9m<\/i><\/b><i>  <b>o<\/b> procurou ontem. <b>N\u00e3o me<\/b> ouviu sair. <b>Nunca se<\/b> pronunciou a  respeito.<\/i>     <\/p>\n<p>3. as conjun\u00e7\u00f5es subordinativas (se, que, como): N\u00e3o sei <b>como<\/b> Dilma  <b>se<\/b> pronunciou na ONU. <b>Se me<\/b> convidarem, aceito o desafio.   <b>  <\/p>\n<p>Gilete<\/b>    <\/p>\n<p>O substantivo atrai obrigatoriamente o pronome? N\u00e3o. O danadinho joga na  equipe dos giletes. Corta dos dois lados. Com ele, ora ocorre o pronome vem  antes do verbo. Ora, depois. Fica a gosto do fregu\u00eas. Vale a forma que soar  melhor.     <\/p>\n<p>Veja: <i>O <b>caminh\u00e3o se<\/b> atolou. O <b>caminh\u00e3o<\/b> atolou-<b>se<\/b>. Na  ONU, <b>Dilma se<\/b> pronunciou a favor dos pobres. Na ONU, <b>Dilma<\/b>  pronunciou-<b>se<\/b> a favor dos pobres. O <b>Brasil se<\/b> prepara para as  elei\u00e7\u00f5es de outubro. O <b>Brasil<\/b> prepara-<b>se<\/b> para as elei\u00e7\u00f5es de  outubro. Os <b>alunos se<\/b> retiraram cedo. Os <b>alunos<\/b>  retiraram-<b>se<\/b> cedo.<\/i>   <b>  <\/p>\n<p>Invejoso<\/b>    <\/p>\n<p>O adv\u00e9rbio viu a desenvoltura do substantivo. Invejoso, resolveu imit\u00e1-lo.  Com <i>aqui, ali, talvez, l\u00e1, agora, depois, ontem, hoje, amanh\u00e3<\/i>, o  atonozinho pode escolher o lugar. Se quiser ficar antes do verbo, \u00e9 bem-vindo.  Se preferir acomodar-se depois, tamb\u00e9m.      <\/p>\n<p>Eis exemplos: <b>Aqui se<\/b> fala portugu\u00eas. <b>Aqui<\/b> fala-<b>se<\/b>  portugu\u00eas. <b>Agora<\/b> <b>se<\/b> sente melhor. <b>Agora<\/b> sente-<b>se<\/b>  melhor. <b>Amanh\u00e3<\/b> <b>lhe<\/b> telefono. <b>Amanh\u00e3<\/b> telefono-<b>lhe<\/b>.  <b>Depois me<\/b> dirigi a ele. <b>Depois<\/b> dirigi-<b>me<\/b> a ele.   <b>  <\/p>\n<p>Limite<\/b>    <\/p>\n<p>O vaiv\u00e9m do invejoso tem limite. Se houver pausa depois do adv\u00e9rbio, cessa  tudo que a musa antiga canta. O pronome, com o rabinho entre as pernas, \u00e9  obrigado a ficar depois do verbo: <i>Aqui, fala-se portugu\u00eas. Agora, sente-se  melhor. Amanh\u00e3, telefono-lhe. Depois, dirigi-me a ele.<\/i>   <b>  <\/p>\n<p>Moral da hist\u00f3ria<\/b>    <\/p>\n<p>Em elei\u00e7\u00e3o, nada se perde. Tudo se aproveita. A aula do prefeito demagogo  serviu para p\u00f4r substantivos e adv\u00e9rbios nos trilhos. Valeu. <b>   &nbsp;    <a name=\"Save1\"><\/a> <\/p>\n<p> <\/b>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desmoraliza\u00e7\u00e3o A irrever\u00eancia nacional tem uma marca. Desmoraliza. Dizem que o comunismo n\u00e3o fincou ra\u00edzes aqui com medo de jogar lama na reputa\u00e7\u00e3o. Afinal, Deus virou brasileiro. Ensinou-nos a jogar no bicho, beber caipirinha e dar um jeitinho. Foi o que aconteceu com a coloca\u00e7\u00e3o de pronomes. A regra veio de Portugal. Tem tudo a ver com a pron\u00fancia lusitana. N\u00e3o com a nossa. 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