{"id":6483,"date":"2011-08-22T10:00:00","date_gmt":"2011-08-22T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/os_bastidores_da_revisao\/"},"modified":"2011-08-22T10:00:00","modified_gmt":"2011-08-22T13:00:00","slug":"os_bastidores_da_revisao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/os_bastidores_da_revisao\/","title":{"rendered":"Os bastidores da revis\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Sandro Xavier  <\/p>\n<p><strong>  <\/p>\n<p>P<\/strong>or vezes, encontramos palavras  dirigidas ao revisor ou comentando o trabalho desse profissional em artigos de  jornal, em p\u00e1ginas de internet, em cartas de leitores e outros meios. Sei que  voc\u00ea j\u00e1 deparou com isso alguma vez. Mas e palavras do pr\u00f3prio  revisor?<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/b><b>  <\/p>\n<p><\/b><b>E<\/b>-mails para reda\u00e7\u00f5es  com t\u00edtulos como &#8220;cochilo da revis\u00e3o&#8221; s\u00e3o muitos. Mas a confec\u00e7\u00e3o de jornal n\u00e3o  \u00e9 simples, al\u00e9m disso, n\u00e3o disp\u00f5e de tanto tempo como livros. O processo \u00e9  din\u00e2mico, exige agilidade porque se escreve em um dia para ser distribu\u00eddo no  outro. N\u00e3o h\u00e1 tanto tempo dispon\u00edvel e, por isso, muitas p\u00e1ginas n\u00e3o conseguem  passar pela revis\u00e3o.<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/b><b>  <\/p>\n<p><\/b><b>E<\/b>m uma situa\u00e7\u00e3o,  algu\u00e9m, ao saber que sou revisor do <b>Correio Braziliense<\/b>, morreu de rir  por ter lido a palavra &#8220;mu\u00e7arela&#8221;, a qual pensava ser grafada com &#8220;ss&#8221;. Eu s\u00f3  disse que esse tipo de erro acontecia. A chacota me tirou a vontade de informar  que a palavra estava correta.<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/b><b>  <\/p>\n<p><\/b><b>H<\/b>\u00e1 tamb\u00e9m avisos de  leitores dizendo que encontram &#8220;in\u00fameros erros&#8221;, mas n\u00e3o os apontam. Certamente  h\u00e1 cr\u00edticas como a do personagem acima. Contudo, a maioria das cartas ao revisor  tem raz\u00e3o. O que espanta \u00e9 a maneira como se comentam os erros em uma  publica\u00e7\u00e3o. Os recados s\u00e3o eivados de desqualifica\u00e7\u00e3o do profissional de revis\u00e3o  e dos jornalistas. Repito, no processo que \u00e9 muito r\u00e1pido pode haver falta de  adequa\u00e7\u00e3o. E, em uma leitura r\u00e1pida, algumas particularidades passam  despercebidas, infelizmente. O revisor \u00e9 um personagem quase invis\u00edvel, um  leitor silencioso, que fica nos bastidores do texto. \u00c0 exce\u00e7\u00e3o dos casos em que  o cr\u00e9dito do trabalho lhe \u00e9 dado no expediente da publica\u00e7\u00e3o, sua presen\u00e7a n\u00e3o  ser\u00e1 notada. Mas h\u00e1 uma ocasi\u00e3o em que esse personagem discreto ser\u00e1, sem  d\u00favida, lembrado: quando &#8220;passa&#8221; um erro no texto.<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/b><b>  <\/p>\n<p><\/b><b>H<\/b>\u00e1 quem lhe envie  recados, no pr\u00f3prio texto, solicitando do &#8220;senhor revisor&#8221; aten\u00e7\u00e3o a aspectos  espec\u00edficos da reda\u00e7\u00e3o. Como se ele algum dia fosse responder da mesma forma. H\u00e1  tamb\u00e9m quem acredite que o revisor \u00e9 um escritor frustrado. Corrige \u2013 &#8220;mete a  caneta vermelha&#8221; \u2013 texto de outros porque n\u00e3o tem compet\u00eancia para escrever. J\u00e1  li isso de algu\u00e9m at\u00e9 de certa forma aproximado. Comentei o que escreveu. N\u00e3o me  respondeu at\u00e9 hoje. Eu, por exemplo, reviso e escrevo tamb\u00e9m. E sempre pe\u00e7o para  outro revisor ler meu texto. Preciso, sim, da opini\u00e3o de outro leitor para saber  o que ele entende do que escrevi e adequar se for preciso. \u00c9 uma covardia  dirigir-se a algu\u00e9m que n\u00e3o pode responder no mesmo ve\u00edculo. Especialmente se as  pessoas que leem possam ter uma vis\u00e3o desse indiv\u00edduo que n\u00e3o \u00e9 a verdadeira. E  n\u00e3o \u00e9!<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/b><b>  <\/p>\n<p><\/b><b>A<\/b>o revisar, sempre  levo em considera\u00e7\u00e3o duas coisas: 1. Que a pessoa que escreveu, meu companheiro  de trabalho, n\u00e3o seja alvo de chacotas por parte de pessoas que procuram erros e  tentam responder n\u00e3o para ajudar, mas para desqualificar quem escreve e,  consequentemente, o ve\u00edculo de informa\u00e7\u00e3o \u2013 o jornal; e 2. Que o leitor possa  compreender perfeitamente o que se est\u00e1 tentando dizer. Isso \u00e9 o mais  importante! Isso deve estar acima de qualquer orgulho de estilo por parte de  quem escreve. Afinal, sem leitor, nem precisamos escrever! Portanto, n\u00e3o \u00e9 com  prazer de tortura que a caneta vermelha passeia por um texto. Outra aten\u00e7\u00e3o que  o revisor tamb\u00e9m precisa ter \u00e9 que o jornal apresenta uma linguagem h\u00edbrida, que  est\u00e1 no meio do caminho entre o mais monitorado, que se pauta pela norma  padronizada da l\u00edngua, e o popular, livre e falado. Assim, ao registrar a fala  das pessoas, n\u00e3o se pode ter um texto frio, stricto sensu.<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/b><b>  <\/p>\n<p><\/b><b>O<\/b>s jornais ainda  precisam muito de revisores. A confec\u00e7\u00e3o de um jornal n\u00e3o \u00e9 simples. \u00c9 um  processo din\u00e2mico e exige agilidade, porque se escreve a not\u00edcia em um dia para  distribu\u00ed-la no outro. \u00c9 um ambiente de muita correria \u2013 os prazos s\u00e3o curtos e,  por isso, h\u00e1 inclusive ocasi\u00f5es em que algumas p\u00e1ginas n\u00e3o conseguem passar pela  revis\u00e3o. Um dia comentei que nunca imaginei que sentiria adrenalina em alta  fazendo revis\u00e3o. Mas isso acontece em uma reda\u00e7\u00e3o. E a\u00ed, meus caros, os erros  surgem. Culpa de quem? Eu, particularmente, afirmo que n\u00e3o se devem procurar  culpados. Afinal, em princ\u00edpio, o revisor n\u00e3o escreve nada. E, quando &#8220;mete a  caneta vermelha&#8221;, faz isso para ajudar os seus colegas na reda\u00e7\u00e3o, para que n\u00e3o  corram o risco de serem estigmatizados ou deixarem o leitor sem  entender.<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/b><b>  <\/p>\n<p><\/b><b>M<\/b>uitos aspectos  poderiam ser tratados sobre isso. Quem sabe um dia o revisor poder\u00e1 ter voz  outra vez. Afinal, n\u00f3s existimos e somos humanos tamb\u00e9m, erramos e acertamos  como todos, e sabemos disso, por incr\u00edvel pare\u00e7a.<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">    <\/p>\n<p><\/b>  <\/p>\n<p><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">    <\/p>\n<p><\/b>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sandro Xavier Por vezes, encontramos palavras dirigidas ao revisor ou comentando o trabalho desse profissional em artigos de jornal, em p\u00e1ginas de internet, em cartas de leitores e outros meios. 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