{"id":6562,"date":"2011-08-29T00:00:00","date_gmt":"2011-08-29T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/curto_e_facil-2\/"},"modified":"2011-08-29T00:00:00","modified_gmt":"2011-08-29T03:00:00","slug":"curto_e_facil-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/curto_e_facil-2\/","title":{"rendered":"Curto e f\u00e1cil"},"content":{"rendered":"<div><strong><\/strong> <\/p>\n<p>Na l\u00edngua vigora a lei do menor esfor\u00e7o. Em outras palavras: na  comunica\u00e7\u00e3o do dia a dia, a pregui\u00e7a fala mais alto. A regra vale para os  numerais. Os locutores de r\u00e1dio e TV quase apagaram os ordinais do vocabul\u00e1rio.  Em vez deles, empregam os cardinais. H\u00e1  exemplos. Ao se referirem \u00e0 coloca\u00e7\u00e3o do&nbsp;time&nbsp;no  campeonato, evitam dizer que ele \u00e9 o d\u00e9cimo quinto no ranking. Preferem a  forma &#8220;n\u00famero 15&#8221;. No notici\u00e1rio da  guerra, n\u00e3o d\u00e1 outra: &#8220;Aliados&nbsp;abrem  caminho para a Brigada n\u00famero 173&#8221;.<strong> <\/p>\n<p><\/strong>Explica-se a morte prematura dos ordinais. Se a emissora  dissesse &#8220;o d\u00e9cimo quinto&#8221; ou &#8220;a cent\u00e9sima septuag\u00e9sima terceira brigada&#8221;,  enfrentaria dois problemas. Um: perda de preciosos segundos da programa\u00e7\u00e3o. A  outra: risco de n\u00e3o ser entendida. Como a l\u00edngua \u00e9 um  conjunto de possibilidades, r\u00e1dios e TVs mostraram que sabem das coisas.  Escolhem o mais f\u00e1cil e mais curto. \u00c9 a forma que mais lhes conv\u00e9m. Palmas pra  elas.   <\/p>\n<p>Mas a maioria dos mortais trabalha em escrit\u00f3rios, escolas,  servi\u00e7o p\u00fablico. Volta e meia, tem de escrever cartas, relat\u00f3rios, e-mails.  Tem, tamb\u00e9m, de falar os ordinais. A\u00ed, s\u00f3  h\u00e1 uma sa\u00edda: desvendar os mist\u00e9rios dos danadinhos. M\u00e3os \u00e0 obra. &nbsp; <strong>Olha a cara deles<\/strong>  <\/p>\n<p>Lembra-se dos ordinais de um a um milh\u00e3o? Sim? Ent\u00e3o pule esta  nota. N\u00e3o? D\u00ea uma espiadinha na lista. Mas v\u00e1 por etapas.  <strong> <\/p>\n<p><\/strong><strong>De um a nove<\/strong>:  um (primeiro), dois (segundo), tr\u00eas (terceiro), quatro (quarto), cinco  (quinto), seis (sexto), sete (s\u00e9timo), oito (oitavo), nove (nono).  <strong> <\/p>\n<p><\/strong><strong>De&nbsp;10 a&nbsp;100<\/strong>: 10 (d\u00e9cimo), 20 (vig\u00e9simo), 30  (trig\u00e9simo), 40 (quadrag\u00e9simo), 50 (quinquag\u00e9simo), 60 (sexag\u00e9simo), 70  (septuag\u00e9simo), 80 (octog\u00e9simo), 90 (nonag\u00e9simo), cem (cent\u00e9simo). <strong> <\/p>\n<p><\/strong><strong>De 200 a&nbsp;1.000:<\/strong> 200 (ducent\u00e9simo), 300  (trecent\u00e9simo), 400 (quadringent\u00e9simo), 500 (quingent\u00e9simo), 600 (seiscent\u00e9simo ou  sexcent\u00e9simo), 700 (septingent\u00e9simo), 800 (octingent\u00e9simo), 900 (nongent\u00e9simo),  1.000 (mil\u00e9simo). <strong> <\/p>\n<p><\/strong><strong>de 10 mil a 1 bilh\u00e3o<\/strong>:&nbsp;10 dez mil (dez mil\u00e9simos), 100 mil (cem  mil\u00e9simos), 1 milh\u00e3o (milion\u00e9simo), 1 bilh\u00e3o  (bilion\u00e9simo).  <\/p>\n<p> Exagerados <\/p>\n<p>Os ordinais t\u00eam uma marca. Cultivam a mania de grandeza. Ao  escrev\u00ea-los, todos os algarismos ganham forma ordinal:123\u00ba (cent\u00e9simo vig\u00e9simo  terceiro), 1512\u00ba (mil\u00e9simo quingent\u00e9simo  d\u00e9cimo segundo), 454\u00ba (quadringent\u00e9simo quinquag\u00e9simo quarto).  &nbsp; <strong>Al\u00e9rgicos<\/strong>  <\/p>\n<p>Os donos da ordem sofrem de mal incur\u00e1vel. S\u00e3o al\u00e9rgicos a  h\u00edfen. Pra l\u00e1 de sens\u00edveis, n\u00e3o aceitam o tracinho nem em troca de joia da H.  Stern: d\u00e9cimo primeiro, octog\u00e9simo novo, ducent\u00e9simo trig\u00e9simo  oitavo. &nbsp; <strong>Dependentes<\/strong>  <\/p>\n<p>Os locutores se safam do ordinal porque lhe trocam o lugar. Ao  dizerem &#8220;O time \u00e9 o n\u00famero 15&#8221;, o 15 vem depois do substantivo n\u00famero. A\u00ed, n\u00e3o  h\u00e1 erro. Quando o numeral vem depois do substantivo, o cardinal ganha o trono: O  assento dele \u00e9 o n\u00famero) 225. &nbsp; <strong>Man\u00edacos<\/strong>  <\/p>\n<p>Cada louco tem sua mania. Os numerais n\u00e3o fogem \u00e0 regra. Se v\u00eam  na frente do substantivo, s\u00f3 os ordinais t\u00eam vez: d\u00e9cimo s\u00e9culo, terceiro ato,  sexto canto, vig\u00e9simo s\u00e9culo, d\u00e9cimo primeiro cap\u00edtulo, d\u00e9cimo quinto  tomo. &nbsp; Privilegiados  <\/p>\n<p>Se v\u00eam depois, entram os privil\u00e9gios. Na l\u00edngua como na vida,  alguns s\u00e3o mais iguais perante a lei. Na designa\u00e7\u00e3o de papas e soberanos bem  como na de s\u00e9culos e partes em que se divide uma obra, usam-se os ordinais at\u00e9  d\u00e9cimo. Da\u00ed por diante, o cardinal pinta glorioso: Greg\u00f3rio VII (s\u00e9timo), s\u00e9culo X (d\u00e9cimo), ato II (segundo), canto VI (sexto), Jo\u00e3o XXIII (vinte e  tr\u00eas), Lu\u00eds XIV (quatorze), cap\u00edtulo XI (onze). &nbsp; Mais privilegiados  <\/p>\n<p>Olho vivo! Na numera\u00e7\u00e3o de artigos de leis, decretos e  portarias, h\u00e1 uma diferen\u00e7a. Usa-se o ordinal at\u00e9 nove e o cardinal de 10 em  diante: artigo 1\u00ba, artigo 9\u00ba, artigo 10, artigo 41. &nbsp; Primeiro de abril  <\/p>\n<p>Que dia foi ontem? Primeiro de abril. Em que data se comemora o  Dia do Trabalho? Primeiro de maio. \u00c9 isso. Nas refer\u00eancias aos dias do m\u00eas, o  primeiro dia \u00e9 ordinal. Os demais, cardinais (2 de abril). &nbsp; <\/p>\n<p>_<i> <\/p>\n<p><\/i><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na l\u00edngua vigora a lei do menor esfor\u00e7o. 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