{"id":6575,"date":"2011-08-30T12:00:00","date_gmt":"2011-08-30T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/de_macacos_e_galhos\/"},"modified":"2011-08-30T12:00:00","modified_gmt":"2011-08-30T15:00:00","slug":"de_macacos_e_galhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/de_macacos_e_galhos\/","title":{"rendered":"De macacos e galhos"},"content":{"rendered":"\n<p><b><\/b><b>&nbsp;<\/b>  &#8220;Cada macaco no seu galho&#8221;, dizem os conservadores. &#8220;Cada  macaco no meu galho&#8221;, contestam os subversivos. Eles querem mudar a ordem das  coisas. Por acreditar que \u00e1gua parada apodrece, v\u00e3o \u00e0 luta. Provocam marolas,  marolinhas e vagalh\u00f5es. Com determina\u00e7\u00e3o e sorte, chegam l\u00e1.   <\/p>\n<p>Mudar de galho n\u00e3o constitui novidade no portugu\u00eas. As  palavras passeiam pela frase com desenvoltura. A ordem direta vira inversa num  piscar de olhos. As idas e vindas de sujeitos, objetos, predicativos quase nunca  alteram a mensagem. Em &#8220;bicicletas passavam nas ruas&#8221; ou &#8220;nas ruas passavam  bicicletas&#8221;, o recado se mant\u00e9m.  <\/p>\n<p>Mas certos adjetivos t\u00eam caprichos. A posi\u00e7\u00e3o deles lhes  define o significado. \u00c9 o caso de <i>grande<\/i>. Colocado depois do substantivo,  fala de tamanho. Antes, de afeto, emo\u00e7\u00e3o, valor. Yasser Arafat media 1,5m.  Alexandre Magno, 1,57. Napole\u00e3o Bonaparte, pouco mais de 1,60m. N\u00e3o eram homens  grandes. Pela obra, se tornaram grandes homens. Foram grandes homens  pequenos.  <\/p>\n<p>A altura de Charles de Gaulle e Pedro o Grande ultrapassava  os dois metros. Para dormir, ambos precisavam de camas feitas sob medida. Eram  homens grandes. Eles n\u00e3o vieram ao mundo a passeio. Fizeram hist\u00f3ria. Foram  grandes homens grandes.  &nbsp; <strong>Mesma manha<\/strong><i> <\/i><i> <\/p>\n<p><\/i><i>Novo<\/i> joga no time de grande. Ao  dizer &#8220;comprei um carro novo&#8221;, informo que estou com um zerinho na garagem. Mas,  se disser &#8220;comprei um novo carro&#8221;, o diss\u00edlabo quer dizer &#8220;outro&#8221;, n\u00e3o  necessariamente com aquele cheirinho das tenta\u00e7\u00f5es \u00e0 venda em concession\u00e1rias.  Beth Baracat cita dois exemplos que fazem parte do dia a dia do setor onde  trabalha. Um deles: inventou novo m\u00e9todo. O outro: fez-se novo lan\u00e7amento.  Certo? Cert\u00edssimo. Em ambos, novo n\u00e3o significa novo. Significa  outro.<b> &nbsp; Mais uma<\/b><i> <\/i><i> <\/p>\n<p><\/i><i>Comprei o livro certo. Comprei certo livro<\/i>. Diferente, n\u00e3o? <i>Livro certo<\/i> \u00e9 o correto, que n\u00e3o admite  outro. <i>Certo livro? <\/i>\u00c9 determinado livro, sabe-se l\u00e1  qual.<b> &nbsp;<\/b>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &#8220;Cada macaco no seu galho&#8221;, dizem os conservadores. &#8220;Cada macaco no meu galho&#8221;, contestam os subversivos. Eles querem mudar a ordem das coisas. Por acreditar que \u00e1gua parada apodrece, v\u00e3o \u00e0 luta. Provocam marolas, marolinhas e vagalh\u00f5es. Com determina\u00e7\u00e3o e sorte, chegam l\u00e1. Mudar de galho n\u00e3o constitui novidade no portugu\u00eas. As palavras passeiam pela frase com desenvoltura. A ordem direta vira inversa num [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-6575","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6575","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6575"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6575\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6575"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6575"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6575"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}