{"id":6607,"date":"2012-02-09T00:00:00","date_gmt":"2012-02-09T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/as_malvinas\/"},"modified":"2012-02-09T00:00:00","modified_gmt":"2012-02-09T02:00:00","slug":"as_malvinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/as_malvinas\/","title":{"rendered":"As Malvinas"},"content":{"rendered":"\n<p>Jos\u00e9 Horta Manzano<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Territ\u00f3rio desolado, frio, ventoso, sem \u00e1rvores, povoado por milhares de carneiros e alguns humanos, as ilhas Malvinas est\u00e3o de novo sob os holofotes. Dizem uns que \u00e9 por uma quest\u00e3o de soberania. Afirmam outros que o motivo \u00e9 meramente econ\u00f4mico. Geopol\u00edtica? Prest\u00edgio? Afirma\u00e7\u00e3o de poder? Ter\u00e3o todos raz\u00e3o. Por tr\u00e1s da fala\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um pouco de tudo isso.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Dizem os italianos, n\u00e3o sem mal\u00edcia, que m\u00e3e h\u00e1 uma s\u00f3, equanto pais pode haver muitos&#8230; As Malvinas, seguramente n\u00e3o t\u00eam m\u00e3e; em compensa\u00e7\u00e3o t\u00eam pais sobrando. Cada um, segundo suas conveni\u00eancias, atribui-se a paternidade da descoberta.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Segundo os espanh\u00f3is, as ilhas teriam sido descobertas (e mesmo visitadas) por G\u00f3mez, Alcazaba e Camargo entre 1520 e 1540. A import\u00e2ncia que atribu\u00edram \u00e0 nova terra foi t\u00e3o pouca quem nem se preocuparam em dar-lhe nome. J\u00e1 os ingleses garantem terem sido os primeiros a avistar o arquip\u00e9lago no long\u00ednquo ano de 1592. Mais met\u00f3dico \u2014 embora menos modesto \u2014 Davis, o capit\u00e3o da esquadra, batizou as ilhas com&#8230; seu pr\u00f3prio nome.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Na sequ\u00eancia, holandeses e os persistentes ingleses continuaram a visitar o territ\u00f3rio e a dar-lhe novos nomes, contudo sem estabelecer l\u00e1 uma col\u00f4nia permanente. Cem anos mais tarde, j\u00e1 em fins do s\u00e9culo XVII, uma en\u00e9sima expedi\u00e7\u00e3o inglesa rebatizou o arquip\u00e9lago. Desde ent\u00e3o, ficou conhecido como ilhas Falkland.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Quase um s\u00e9culo se passou sem que nenhuma pot\u00eancia desse maior import\u00e2ncia ao territ\u00f3rio. Em 1764, o explorador franc\u00eas Louis Antoine de Bougainville acostou as ilhas, encarregado que fora pelo rei da Fran\u00e7a de estabelecer l\u00e1 uma povoa\u00e7\u00e3o permanente. Os colonos eram em maioria oriundos da cidadezinha francesa de Saint-Malo. O comandante n\u00e3o teve d\u00favida: rebatizou o lugar. Doravante, seriam as ilhas Malouines, gent\u00edlico aplicado aos origin\u00e1rios de Saint-Malo.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">A col\u00f4nia incipiente, contestada por espanh\u00f3is e ingleses, gorou. Mas o nome pegou. Os espanh\u00f3is gostaram tanto que hispanizaram a express\u00e3o e a usam at\u00e9 hoje. De Malouines, o nome passou a Malvinas.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">O nome oficial consignado na lista ISO \u2014 e internacionalmente reconhecido \u2014 \u00e9 \u00abFalkland Islands (Malvinas)\u00bb. Na internet, os dom\u00ednios baseados nas ilhas levam a extens\u00e3o *.fk.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">Na Fran\u00e7a e no mundo franc\u00f3fono, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida: o nome do lugar \u00e9 Malouines. Nos pa\u00edses iberoamericanos, dizemos todos Malvinas. No resto do mundo, conv\u00e9m dizer Falkland. Todos entender\u00e3o. No Reino Unido, ali\u00e1s, chamar o arquip\u00e9lago de Malvinas soa como provoca\u00e7\u00e3o. Melhor evitar.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Horta ManzanoTerrit\u00f3rio desolado, frio, ventoso, sem \u00e1rvores, povoado por milhares de carneiros e alguns humanos, as ilhas Malvinas est\u00e3o de novo sob os holofotes. Dizem uns que \u00e9 por uma quest\u00e3o de soberania. Afirmam outros que o motivo \u00e9 meramente econ\u00f4mico. Geopol\u00edtica? Prest\u00edgio? Afirma\u00e7\u00e3o de poder? Ter\u00e3o todos raz\u00e3o. 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