{"id":6643,"date":"2012-02-12T00:00:00","date_gmt":"2012-02-12T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/pedagonet_a_ciencia_do_futuro\/"},"modified":"2012-02-12T00:00:00","modified_gmt":"2012-02-12T02:00:00","slug":"pedagonet_a_ciencia_do_futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/pedagonet_a_ciencia_do_futuro\/","title":{"rendered":"Pedagonet: a ci\u00eancia do futuro"},"content":{"rendered":"<div>\n<p> &nbsp; ARNALDO NISKIER  &nbsp; Estamos vivendo um per\u00edodo de grandes perplexidades e, aparentemente, muitas  contradi\u00e7\u00f5es. Por um lado, alguns intelectuais mais apressados anunciaram o fim  dos livros, jornais e revistas impressos em papel. Comemoram, com isso, a  sobreviv\u00eancia de milh\u00f5es de \u00e1rvores que deixariam de ser abatidas.  <\/p>\n<p>Por outro lado, foi divulgada a not\u00edcia de que, no Brasil, nos dois \u00faltimos  anos, a venda de jornais cresceu significativamente, em parte devido \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o  dos limites da nossa classe m\u00e9dia, em virtude do sucesso das pol\u00edticas  econ\u00f4micas do governo. E um dado formid\u00e1vel: os jovens est\u00e3o lendo mais, n\u00e3o se  contentando apenas com as not\u00edcias colhidas na internet.  <\/p>\n<p>\u00c9 claro que o fen\u00f4meno alcan\u00e7a em cheio os livros did\u00e1ticos, uma ind\u00fastria  muito prestigiada pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, que compra quase R$ 900 milh\u00f5es  por ano de livros para distribui\u00e7\u00e3o gratuita a alunos carentes das nossas  escolas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. J\u00e1 imaginaram o baque que representaria o fim ou a  diminui\u00e7\u00e3o dessas compras \u00e0s principais editoras do nosso pa\u00eds, algumas das  quais t\u00eam se associado a gigantes do mercado internacional?  <\/p>\n<p>N\u00e3o existe uma vis\u00e3o clara a respeito do problema. A poderosa Apple (lucro de  US$ 13 bilh\u00f5es no \u00faltimo trimestre de 2011) lan\u00e7ou mais d\u00favidas quando anunciou  a sua entrada, nos Estados Unidos, no grande mercado de educa\u00e7\u00e3o, produzindo  livros eletr\u00f4nicos de alt\u00edssima qualidade e a pre\u00e7o baixo. V\u00eam a\u00ed tabuletas  coloridas, lousas eletr\u00f4nicas, associadas a v\u00eddeos e jogos interativos, que  fascinam o esp\u00edrito dos nossos jovens. Teremos cursos on-line e aulas virtuais  que acabar\u00e3o configurando o que chamamos de pedagonet, ou seja, uma nova vis\u00e3o  da pedagogia do futuro, mudando completamente o que at\u00e9 aqui consider\u00e1vamos a  tradicional rela\u00e7\u00e3o ensino-aprendizagem.  <\/p>\n<p>Os professores ser\u00e3o substitu\u00eddos pelas m\u00e1quinas? Mesmo que os novos livros  custem menos de US$ 10, nessa nova realidade, a nosso ver ser\u00e1 sempre necess\u00e1ria  a orienta\u00e7\u00e3o e o aconselhamento dos mestres, sobretudo quando advierem as  d\u00favidas naturais. Quem as tirar\u00e1? O sonho de que isso possa ser feito em casa,  por pais preparados, n\u00e3o contempla a realidade dos fatos. Sabe-se que, na  pr\u00e1tica, somente 10% dos pais se envolvem nos estudos dos filhos, sendo esse  n\u00famero \u00ednfimo quando se trata de escolas p\u00fablicas. Esse quadro n\u00e3o nos parece  que possa ser mudado com facilidade \u2014 e em pouco tempo.  <\/p>\n<p>O que precisa ser feito \u2014 e a\u00ed vai um conselho n\u00e3o solicitado pelo Ministro  Alo\u00edsio Mercadante \u2014 \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e inadi\u00e1vel nos cursos de forma\u00e7\u00e3o  de professores. \u00c9 mat\u00e9ria para figurar no anunciado Pacto Nacional da Educa\u00e7\u00e3o.  Fala-se nisso h\u00e1 tanto tempo que se tornou uma ladainha cansativa, sem  resultados pr\u00e1ticos. Quem conhece os cursos de pedagogia, como \u00e9 o nosso caso,  n\u00e3o acredita que eles possam sobreviver, nas suas atuais estruturas, que passam  ao largo de todas essas incr\u00edveis mudan\u00e7as.  <\/p>\n<p>H\u00e1 milhares de professores que n\u00e3o sabem utilizar um computador, outros  milhares n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0s m\u00e1quinas novidadeiras. Se eles n\u00e3o sabem, s\u00e3o  orientados pelos alunos, numa invers\u00e3o da din\u00e2mica desej\u00e1vel. Os jovens s\u00e3o  sens\u00edveis, respeitam os que sabem mais, n\u00e3o os que aprendem com eles.  <\/p>\n<p>Eis a\u00ed um desafio posto \u00e0 face da atual gera\u00e7\u00e3o. O Conselho Nacional de  Educa\u00e7\u00e3o, que merece o nosso respeito, deveria concentrar as suas baterias nesse  processo de adapta\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o brasileira aos novos tempos, deixando de lado  quest\u00f5es menores, como a discuss\u00e3o sobre o hipot\u00e9tico &#8220;racismo&#8221; de Monteiro  Lobato. Racismo \u00e9 cruzar os bra\u00e7os diante do avan\u00e7o cicl\u00f3pico do conhecimento e  de suas m\u00e1quinas inovadoras. Que milagre est\u00e1 sendo esperado pela nossa gera\u00e7\u00e3o  para mudar esse quadro?  <\/p>\n<p>Em tempo: um dos meus genros, ao ler no computador a nova proposta da Apple,  em duas horas de trabalho transformou 100 p\u00e1ginas em papel num bel\u00edssimo livro  eletr\u00f4nico.<\/p><\/div>\n<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; ARNALDO NISKIER &nbsp; Estamos vivendo um per\u00edodo de grandes perplexidades e, aparentemente, muitas contradi\u00e7\u00f5es. Por um lado, alguns intelectuais mais apressados anunciaram o fim dos livros, jornais e revistas impressos em papel. Comemoram, com isso, a sobreviv\u00eancia de milh\u00f5es de \u00e1rvores que deixariam de ser abatidas. 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