{"id":6650,"date":"2012-06-03T00:00:00","date_gmt":"2012-06-03T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/berco_da_palavra_1-7\/"},"modified":"2012-06-03T00:00:00","modified_gmt":"2012-06-03T03:00:00","slug":"berco_da_palavra_1-7","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/berco_da_palavra_1-7\/","title":{"rendered":"Ber\u00e7o da palavra 1"},"content":{"rendered":"<p>  <b> <\/p>\n<p><\/b><b>Cantar de galo<\/b>  M\u00e1rcio Cotrim <\/p>\n<p>\u00c9 ser valente na hora errada. <i>Amea\u00e7a mas, se levar um sopapo<\/i>,<i> sai de fininho<\/i>. Festeja cedo demais, antes de a vit\u00f3ria estar garantida. Express\u00e3o metaf\u00f3rica para a imagem desse animal que, supostamente, comandaria galinhas e pintos, f\u00eameas e filhos machos de virilidade ainda n\u00e3o amadurecida.   <\/p>\n<p>O galo \u00e9 conhecido como s\u00edmbolo de vigil\u00e2ncia, coragem e&nbsp; orgulho &#8212; o que justificaria sua pomposa maneira de caminhar. Tanto a Fran\u00e7a quanto Portugal t\u00eam o galo no emblema nacional. No caso da Fran\u00e7a, os romanos, durante a conquista do territ\u00f3rio gaul\u00eas, criaram um jogo lingu\u00edstico com a palavra <i>gallus<\/i>, que possui o duplo sentido de galo e da etnia gaulesa. No caso de Portugal, o emblema tem explica\u00e7\u00e3o m\u00edtica, associada \u00e0 lenda do galo de Barcelos.   <\/p>\n<p>De fato, ir a Portugal e n\u00e3o comprar aquele galinho colorido de cer\u00e2mica \u00e9 como ir \u00e0 Disney e n\u00e3o ver o Mickey. O galinho \u00e9 um dos s\u00edmbolos lusitanos, como a fitinha do Bonfim \u00e9 na Bahia. Mas que galinho \u00e9 esse? J\u00e1 lhe digo. Consta que, pelo s\u00e9culo 16, um crime causou rebuli\u00e7o na cidadezinha portuguesa de Barcelos. As autoridades, n\u00e3o conseguindo encontrar o culpado, pegaram como bode expiat\u00f3rio um sujeito que estava de passagem por ali.   <\/p>\n<p>N\u00e3o adiantou espernear. O mo\u00e7o acabou condenado \u00e0 forca. Antes da execu\u00e7\u00e3o, pediu que o levassem ao juiz que o condenara. Foi ent\u00e3o conduzido \u00e0 resid\u00eancia do magistrado que, nesse momento, se banqueteava com amigos. Reafirmando inoc\u00eancia, apontou para um galo assado sobre a mesa e exclamou:   <\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 t\u00e3o certo eu estar inocente como esse galo cantar quando me enforcarem.   <\/p>\n<p>Todos ca\u00edram na gargalhada. Mas, pelo sim, pelo n\u00e3o, ningu\u00e9m tocou no galo. A\u00ed, o imposs\u00edvel aconteceu: no momento em que j\u00e1 estava com a corda no pesco\u00e7o, o tal galo ergueu-se da mesa e cantou. Assombrado, o juiz ainda teve tempo de suspender a execu\u00e7\u00e3o. Vendo-se livre, o pobre coitado tripudiou: \u201cEu n\u00e3o disse, senhor juiz?\u201d   <\/p>\n<p>As vitrines portuguesas oferecem todo tipo de galo de Barcelos aos turistas. O \u00edcone \u00e9 sucesso permanente. Essa lenda deve ser mesmo pura lenda. Afinal, nunca se soube que algum galin\u00e1ceo ressuscitasse. Mas, j\u00e1 dizia a s\u00e1bia mineirice: quando a lenda \u00e9 melhor que a realidade, publique-se a lenda.&nbsp;&nbsp;   &nbsp; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cantar de galo M\u00e1rcio Cotrim \u00c9 ser valente na hora errada. Amea\u00e7a mas, se levar um sopapo, sai de fininho. Festeja cedo demais, antes de a vit\u00f3ria estar garantida. Express\u00e3o metaf\u00f3rica para a imagem desse animal que, supostamente, comandaria galinhas e pintos, f\u00eameas e filhos machos de virilidade ainda n\u00e3o amadurecida. 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