{"id":6652,"date":"2011-09-03T00:00:00","date_gmt":"2011-09-03T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/quem_ouviu\/"},"modified":"2011-09-03T00:00:00","modified_gmt":"2011-09-03T03:00:00","slug":"quem_ouviu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/quem_ouviu\/","title":{"rendered":"Quem ouviu?"},"content":{"rendered":"<p><b> <\/p>\n<p><\/b>  <\/p>\n<p>Quarta-feira \u00e9 Dia da P\u00e1tria. Sem aula, alunos acordam mais tarde. Alguns  participam de eventos c\u00edvicos. Outros os apreciam de camarote. Veem desfile de  tanques, marcha de militares e concerto de bandas. Democr\u00e1ticas, as paradas n\u00e3o  discriminam. Ocorrem de norte a sul do Brasil.   <\/p>\n<p>Os eventos apresentam diferen\u00e7as aqui e ali. Mas t\u00eam um denominador comum. Em  determinado momento, todos entoar\u00e3o o <i>Hino Nacional<\/i>. Ele \u00e9 pra l\u00e1 de  conhecido. A meninada o canta ao longo da vida, desde os primeiros anos de  escola. Apesar da repeti\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, uma d\u00favida persiste.   <\/p>\n<p>Examinadores de concurso desafiam os candidatos a emprego p\u00fablico com a  cobran\u00e7a do quebra-cabe\u00e7a. No estresse da prova, a mo\u00e7ada bota os p\u00e9s pelas  m\u00e3os. Trope\u00e7a. A quest\u00e3o \u00e9 simples como andar pra frente. Ela pede o sujeito do  primeiro per\u00edodo do hino. Ei-lo:<i>  <\/p>\n<p>Ouviram do Ipiranga as margens pl\u00e1cidas \/ de um povo heroico o brado  retumbante.<\/i>  <\/p>\n<p>O per\u00edodo est\u00e1 na ordem inversa. Posto na ordem direta, a resposta brilha  como o sol de Bras\u00edlia:<i>  <\/p>\n<p>As margens pl\u00e1cidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo  heroico.<\/i>  <\/p>\n<p>Quem ouviu? As margens pl\u00e1cidas do Ipiranga (sujeito). Ops! Voc\u00ea pode  perguntar:  <\/p>\n<p>\u2014 Margens ouvem?  <\/p>\n<p>Em literatura sim. O artista tem licen\u00e7a po\u00e9tica. Pode tudo. Na obra, bichos  falam e coisas ouvem. Pode tamb\u00e9m pisar as regras gramaticais sem pena. E sem  puni\u00e7\u00e3o. &#8220;Cacilda Becker morreram&#8221;, escreveu Carlos Drummnd de Andrade quando a  dama do teatro partiu. Ele errou? N\u00e3o. Recorreu \u00e0 liberdade absoluta de que os  privilegiados desfrutam. <b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/b><b>&nbsp;<\/b> <b>Alto l\u00e1<\/b>  <\/p>\n<p>&#8220;Se Drummond pode, eu tamb\u00e9m posso?&#8221;, perguntam estudantes, advogados,  jornalistas, professores &amp; cia. de gente que transita com desenvoltura pelos  meandros da l\u00edngua. A resposta \u00e9 murista. Depende. Na l\u00edngua profissional, a  corre\u00e7\u00e3o gramatical se imp\u00f5e. Na liter\u00e1ria, se a pessoa escreve poesia, contos,  romances, a licen\u00e7a po\u00e9tica ganha passagem \u2014 com tapete vermelho e banda de  m\u00fasica.<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/b><b>&nbsp;<\/b><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><\/b><b>&nbsp;<\/b>&nbsp; <\/p>\n<p><b>&nbsp;<\/b>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quarta-feira \u00e9 Dia da P\u00e1tria. Sem aula, alunos acordam mais tarde. Alguns participam de eventos c\u00edvicos. Outros os apreciam de camarote. Veem desfile de tanques, marcha de militares e concerto de bandas. Democr\u00e1ticas, as paradas n\u00e3o discriminam. Ocorrem de norte a sul do Brasil. Os eventos apresentam diferen\u00e7as aqui e ali. Mas t\u00eam um denominador comum. Em determinado momento, todos entoar\u00e3o o Hino Nacional. 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