{"id":6664,"date":"2011-09-05T12:00:00","date_gmt":"2011-09-05T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/acento_e_sinal_de_rebeldia\/"},"modified":"2011-09-05T12:00:00","modified_gmt":"2011-09-05T15:00:00","slug":"acento_e_sinal_de_rebeldia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/acento_e_sinal_de_rebeldia\/","title":{"rendered":"Acento \u00e9 sinal de rebeldia"},"content":{"rendered":"<p><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">O Wagner, atento leitor do blogue, n\u00e3o se conforma com o acento de j\u00edtsu. Ele n\u00e3o est\u00e1 sozinho. Muitos torcem o nariz diante do grampinho. Tratemos, pois, do delicado tema.  <\/p>\n<p>O assunto \u00e9 velho como o para\u00edso de Ad\u00e3o e Eva. Mesmo assim, pega a gente pelo p\u00e9. Quest\u00f5es ardilosas roubam pontinhos valiosos em provas, vestibulares ou concursos. N\u00e3o faltam casos de profissionais que perderam promo\u00e7\u00e3o por causa de um grampo ou de um chap\u00e9u. At\u00e9 amores ardentes viraram cinzas diante de agudos ou circunflexos presentes ou ausentes. Com os acentos, pois, todo cuidado \u00e9 pouco.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>O que fazer? Penetrar no universo das enigm\u00e1ticas criaturas \u00e9 bom come\u00e7o. O percurso tem trechos planos e tortuosos. Percorr\u00ea-lo exige marchas e pausas. Por isso, como diz o esquartejador, vamos por partes. Iniciemos por li\u00e7\u00e3ozinha pra l\u00e1 de repetida desde os tempos em q ue farm\u00e1cia se escrevia com PH.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>As palavras com mais de uma s\u00edlaba t\u00eam uma marca registrada. \u00c9 a s\u00edlaba t\u00f4nica. Ela se pronuncia mais forte que as outras. Nas ox\u00edtonas como jornal e amor, a t\u00f4nica \u00e9 a \u00faltima.&nbsp; Nas parox\u00edtonas, como casa e livro, a pen\u00faltima. Nas proparox\u00edtonas, como f\u00f3sforo e fiz\u00e9ssemos a antepen\u00faltima. <\/p>\n<p>Quando o portugu\u00eas usava fraldas era pra l\u00e1 de dif\u00edcil acertar a s\u00edlaba t\u00f4nica dos voc\u00e1bulos Rubrica ou r\u00fabrica? Nobel ou N\u00f3bel? Que rolo! As palavras, ent\u00e3o, se reuniram em conselho. Discute daqui, briga dali, reconcilia-se dacol\u00e1, firmaram este acordo:<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Artigo 1\u00ba &#8212; As terminadas em A, E e O, seguidas ou n\u00e3o de S, s\u00e3o parox\u00edtonas.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-style: italic\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Artigo 2\u00ba &#8212; As terminadas em I e U, seguidas ou n\u00e3o de qualquer consoante, s\u00e3o ox\u00edtonas.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-style: italic\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Artigo 3\u00ba &#8212; quem se opuser ao acordo ser\u00e1 punido com acento gr\u00e1fico.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <\/p>\n<p>As primeiras a espernear foram as proparox\u00edtonas. Com raz\u00e3o. Com as cinco vogais ocupadas, n\u00e3o sobrou nenhuma para as coitadas. Se elas aderissem, desapareceriam da l\u00edngua. Por isso, todas s\u00e3o acentuadas (r\u00edtmico, \u00e1libi, sat\u00e9lite). As ox\u00edtonas tamb\u00e9m fizeram cara feia. Elas foram brindadas com duas vogais. As parox\u00edtonas, com tr\u00eas.&nbsp; Eis o motivo por que a maior parte das palavras em portugu\u00eas \u00e9 parox\u00edtona: a menor, proparox\u00edtona.<br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><br style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> <\/p>\n<p>Wagner, deu pra entender por que j\u00edtsu tem acento? Sem o grampinho, a palavra vira ox\u00edtona como tabu e tatu.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Wagner, atento leitor do blogue, n\u00e3o se conforma com o acento de j\u00edtsu. Ele n\u00e3o est\u00e1 sozinho. Muitos torcem o nariz diante do grampinho. Tratemos, pois, do delicado tema. O assunto \u00e9 velho como o para\u00edso de Ad\u00e3o e Eva. Mesmo assim, pega a gente pelo p\u00e9. Quest\u00f5es ardilosas roubam pontinhos valiosos em provas, vestibulares ou concursos. N\u00e3o faltam casos de profissionais que perderam [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-6664","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6664","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6664"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6664\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6664"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6664"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6664"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}