{"id":6812,"date":"2012-02-28T12:00:00","date_gmt":"2012-02-28T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/houaiss_no_banco_dos_reus\/"},"modified":"2012-02-28T12:00:00","modified_gmt":"2012-02-28T15:00:00","slug":"houaiss_no_banco_dos_reus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/houaiss_no_banco_dos_reus\/","title":{"rendered":"Houaiss no banco dos r\u00e9us"},"content":{"rendered":"<p><b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">  <\/p>\n<p><\/b>   <\/p>\n<p>Viver \u00e9 perigoso? Guimar\u00e3es Rosa dizia que sim. Ele n\u00e3o est\u00e1 sozinho. Muitos  concordam. N\u00e3o se referem s\u00f3 ao tr\u00e2nsito louco, aos amigos do alheio ou a balas  perdidas. Citam a l\u00edngua. H\u00e1 pessoas t\u00e3o atentas que nada lhes escapa. Com elas  \u00e9 assim: escreveu n\u00e3o leu, xilindr\u00f3 comeu.   <\/p>\n<p>A v\u00edtima mais recente \u00e9 o <i>Dicion\u00e1rio Houaiss<\/i>. Nas edi\u00e7\u00f5es anteriores \u00e0  de 2009, o paiz\u00e3o bobeou no verbete <i>cigano<\/i>. Uma das acep\u00e7\u00f5es: &#8220;que ou  aquele que trapaceia; velhaco; burlador&#8221;. Representante dos 600 mil ciganos que  vivem no Brasil entrou na Justi\u00e7a. Pediu a retirada de circula\u00e7\u00e3o da obra.  Alegou discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 etnia cigana. O MPF considerou pertinente a representa\u00e7\u00e3o  e requereu \u00e0 Justi\u00e7a que a acolhesse. <b>   <\/p>\n<p>E agora? <\/b>  <\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o atualizada cortou o trecho ofensivo. O que fazer com os volumes  espalhados Brasil afora? Sei l\u00e1. Os empres\u00e1rios que encontrem sa\u00edda. N\u00f3s, que  n\u00e3o nascemos ontem, ponhamos a barba de molho. Fujamos dos voc\u00e1bulos que ofendem  ou refor\u00e7am preconceitos. Cor, idade, peso, altura, origem, condi\u00e7\u00e3o social e  prefer\u00eancias sexuais s\u00e3o os principais alvos. A sociedade est\u00e1 atenta. Ao menor  descuido, l\u00e1 vamos n\u00f3s ver ver o sol nascer quadradinho. Valha-nos,  Senhor!<b>   <\/p>\n<p>Politicamente correto<\/b>   <\/p>\n<p>As palavras carregam carga ideol\u00f3gica. Algumas mais, outras menos. Negro \u00e9  ra\u00e7a. Nessa acep\u00e7\u00e3o, use o voc\u00e1bulo sem pensar duas vezes. Pel\u00e9 \u00e9 negro. N\u00e3o \u00e9  escurinho, crioulo, negrinho, moreno, negr\u00e3o ou de cor. Evite o adjetivo em  express\u00f5es de conota\u00e7\u00e3o negativa. Em vez de <i>nuvens negras<\/i>, prefira  <i>nuvens pretas,<\/i> <i>escuras <\/i>ou <i>carregadas<\/i>. Em lugar de <i>lista  negra<\/i>, fique com <i>lista dos maus pagadores<\/i>. Apague <i>denegrir <\/i>de  seu dicion\u00e1rio. Opte por <i>comprometer<\/i>. Quer indicar cor? O preto est\u00e1 \u00e0s  ordens.   <\/p>\n<p>Gord\u00e3o? Nem pensar. Diga o peso (100kg, 120kg). Para\u00edba e cabe\u00e7a-chata? \u00c9  preconceito. Identifique o estado de origem com precis\u00e3o (paraibano,  pernambucano, cearense). Bicha, veado, sapat\u00e3o? X\u00f4! Escolha homossexual, gay,  l\u00e9sbica. Judiar? Lembra judeu. Maltratar d\u00e1 o recado.<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\">   <\/p>\n<p>Sem exageros<\/b>   <\/p>\n<p>Ser mais real do que o rei? Qual o qu\u00ea! A informa\u00e7\u00e3o exige termos precisos.  <i>Deficiente visual<\/i> n\u00e3o \u00e9 necessariamente cego. <i>Deficiente auditivo<\/i>  n\u00e3o significa obrigatoriamente surdo. Dizer que algu\u00e9m \u00e9 cego, surdo ou  surdo-mudo n\u00e3o ofende nem demonstra intoler\u00e2ncia. Lance m\u00e3o deles sempre que  necess\u00e1rio. A regra vale para outros voc\u00e1bulos.<b style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"> &nbsp;<\/b>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viver \u00e9 perigoso? Guimar\u00e3es Rosa dizia que sim. Ele n\u00e3o est\u00e1 sozinho. Muitos concordam. 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