{"id":6870,"date":"2012-03-03T00:00:00","date_gmt":"2012-03-03T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/houaiss_no_banco_dos_reus_5\/"},"modified":"2012-03-03T00:00:00","modified_gmt":"2012-03-03T03:00:00","slug":"houaiss_no_banco_dos_reus_5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/houaiss_no_banco_dos_reus_5\/","title":{"rendered":"Houaiss no banco dos r\u00e9us 5"},"content":{"rendered":"<p>  <b> <\/p>\n<p><\/b>  <b> <\/p>\n<p><\/b><b>Al Martin<\/b>  &nbsp;  Dicion\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o manuais de boas maneiras. Est\u00e3o a\u00ed para registrar os fatos da l\u00edngua. N\u00e3o cabe a eles dar li\u00e7\u00e3o de civilidade, que essa se aprende em casa. Na falta de ber\u00e7o, a escola deveria servir de anteparo e de <i>ersatz<\/i> para as defici\u00eancias da educa\u00e7\u00e3o familiar.  &nbsp;  Aquele que passar por esses dois filtros, o familiar e o escolar, sem se impregnar de bons modos periga carregar sua grosseria pelo resto da vida. N\u00e3o ser\u00e1, certo, de dicion\u00e1rios que receber\u00e1 aulas de polidez. Altos dirigentes deste pa\u00eds j\u00e1 deram mostra de haver chegado l\u00e1 apesar de terem gazeteado todas as aulas de urbanidade. Em casos assim, n\u00e3o h\u00e1 no mundo dicion\u00e1rio capaz de lhe vir em aux\u00edlio.  &nbsp;  Uma colega comentarista chamou-me a aten\u00e7\u00e3o para a chamada de p\u00e9 de p\u00e1gina que o dicion\u00e1rio Priberam d\u00e1 para o voc\u00e1bulo <i>galego<\/i>. \u00c9 fato, os diversos usos desse gent\u00edlico \u2014 nem sempre charmosos, \u00e9 verdade \u2014 est\u00e3o l\u00e1. E deles n\u00e3o h\u00e1 como escapar.  &nbsp;  Ao contr\u00e1rio, seria inquietante que dicion\u00e1rios se pusessem a ceder a press\u00f5es de grupos diversos e a escamotear acep\u00e7\u00f5es seculares. Ora, sejamos coerentes: se dicion\u00e1rios continuam, ainda hoje, a registrar palavras como <i>polo<\/i> (= pelo) e <i>pera<\/i> (=para), ca\u00eddas em desuso desde os tempos da carochinha, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para deixarem de arrolar palavras que, embora deselegantes, ainda vivem.  &nbsp;  Fazer julgamento de valor n\u00e3o \u00e9 atribui\u00e7\u00e3o de dicionaristas. Encobrir, dissimular ou ocultar a verdade nunca foi um bom expediente. Toda mentira tem perna curta e acaba desmascarada. A\u00ed, sim, o esc\u00e2ndalo pode ser bem mais estrondoso.  &nbsp;  Seguem abaixo algumas acep\u00e7\u00f5es um tanto agressivas. Foram todas extra\u00eddas do Houaiss e se referem a palavras de uso corrente no Brasil.  &nbsp;  TURCO: ambulante que vende a presta\u00e7\u00f5es  &nbsp;  PARA\u00cdBA: mulher de aspecto e comportamento masculinos  &nbsp;  CIGANO: que ou aquele que faz barganha, que \u00e9 esperto ao negociar  &nbsp;  JUDEU: pessoa usur\u00e1ria  &nbsp;  CHINA:&nbsp; restaurante muito barato, pouco asseado (originalmente os mantidos por chineses)  &nbsp;  CABE\u00c7A-CHATA: indiv\u00edduo que nasceu no Nordeste do Brasil, esp. no estado do Cear\u00e1  &nbsp;  CARCAMANO: indiv\u00edduo nascido na It\u00e1lia; macarrone  Regionalismo Maranh\u00e3o:&nbsp;indiv\u00edduo de origem \u00e1rabe  &nbsp;  Que ningu\u00e9m se desespere! O vocabul\u00e1rio de um povo responde \u00e0s necessidades de comunica\u00e7\u00e3o do momento. Essas acep\u00e7\u00f5es hoje vistas como incorretas v\u00e3o desaparecendo, pouco a pouco, da fala brasileira. N\u00e3o h\u00e1 mais turcos nem mascates percorrendo estradas poeirentas com sua mala de bugigangas. Restaurantes chineses t\u00eam hoje reputa\u00e7\u00e3o de asseio aceit\u00e1vel. Carcamano \u00e9 termo praticamente desconhecido de quem tem menos de 50 anos.  &nbsp;  N\u00e3o h\u00e1 necessidade de brutalizar dicionaristas nem de passar a tesoura em acep\u00e7\u00f5es como se fazia nos tempos sombrios da ditadura. Mais alguns aninhos, e esses termos ser\u00e3o cobertos pela poeira do tempo. V\u00e3o para a mesma gaveta onde repousam hoje <i>polos<\/i> e <i>peras<\/i>.  &nbsp;  &nbsp;     <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al Martin &nbsp; Dicion\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o manuais de boas maneiras. Est\u00e3o a\u00ed para registrar os fatos da l\u00edngua. N\u00e3o cabe a eles dar li\u00e7\u00e3o de civilidade, que essa se aprende em casa. 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