{"id":6974,"date":"2012-12-04T15:00:00","date_gmt":"2012-12-04T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/everardo_leitao_escreve\/"},"modified":"2012-12-04T15:00:00","modified_gmt":"2012-12-04T17:00:00","slug":"everardo_leitao_escreve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/everardo_leitao_escreve\/","title":{"rendered":"Everardo Leit\u00e3o escreve"},"content":{"rendered":"<div style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\" dir=\"ltr\">\n<p>Professora  Dad, <\/p>\n<p> &nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Queria comentar que a t\u00e3o  divulgada informa\u00e7\u00e3o de que a jabuticaba \u00e9 fruta brasileira parece menos fato  que patriotada do pa\u00eds do Fuleco. Como n\u00f3s todos vivemos repetindo, discursou  recentemente o senador \u00c1lvaro Dias: &#8220;No Brasil, sabemos que a jabuticaba \u00e9  aut\u00f3ctone, \u00e9 exclusivamente brasileira, n\u00e3o d\u00e1 em outro lugar do mundo&#8221;.  <i> <\/p>\n<p><\/i><i> <\/p>\n<p><\/i><i>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sabemos<\/i>, mas ser\u00e1 certo? O&nbsp;dogma \u00e9 mesmo t\u00e3o generalizado que virou at\u00e9  mote para ditados, por\u00e9m a decepcionante verdade \u00e9 que a fruta tamb\u00e9m ado\u00e7a a  boca e tinge a roupa de hermanos, alguns vizinhos e outros nem tanto.  <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o sou do ramo e n\u00e3o tenho  autoridade para&nbsp;expedir a certid\u00e3o de batismo da jabuticaba, mas posso dizer que  os paraguaios, por exemplo, ignorando solenemente nossa pretens\u00e3o a pais da  crian\u00e7a, chupam <i>yvapovo<\/i> como se n\u00e3o se tratasse de nossa jabuticaba. N\u00e3o  pagam royalties, n\u00e3o pedem licen\u00e7a nem ficam vermelhos por invadir o pomar  privativo do pa\u00eds da Riroca.&nbsp;  &nbsp;  &nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <\/p>\n<p>E pior: acham que est\u00e3o  chupando uma fruta paraguaia! Isso pelo simples detalhe de que colhem yvapovo no  quintal de casa desde o tempo dos av\u00f3s dos bisav\u00f3s. Tamb\u00e9m porque a \u00e1rvore nasce  l\u00e1 sem precisar plantar. Ah, tamb\u00e9m porque \u00e9 registrada na internet como &#8220;\u00e1rbol  tipicamente paraguayo&#8221;. S\u00f3 por isso. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; Na verdade, sofrem de uma esp\u00e9cie de miragem, porque a jabuticaba \u00e9 \u2013 como o  samba, a feijoada e a impunidade antes de Joaquim Barbosa \u2013 exclusividade do  pa\u00eds da Zabel\u00ea. N\u00e3o importa que seja nativa tamb\u00e9m da Argentina, da Bol\u00edvia e  at\u00e9, dizem, de Honduras e de El Salvador. \u00c9 nossa e ponto. &nbsp;  &nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp; Pois \u00e9: n\u00e3o \u00e9.  &nbsp;  &nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o \u00e9 fruta brasileira. Pelo  menos n\u00e3o <i>apenas<\/i> brasileira como se acredita. Par\u00eantese: nem o equ\u00edvoco  ufanista \u00e9 coisa nossa \u2013 cruzada a Ponte da Amizade, \u00e9 comum ouvir a express\u00e3o  &#8220;t\u00e3o paraguaio quanto a mandioca&#8221;. Diga-se uma coisa dessas a um nordestino  diante do escondidinho, da vaca atolada ou da macaxeira com mel do caf\u00e9 da  manh\u00e3!  <\/p>\n<p>&nbsp;  &nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ali\u00e1s, o certo \u00e9 que alguns  outros <i>frustrantes<\/i> golpes contra nosso grito de <i>Proced\u00eancia ou morte!  <\/i>podem ser apontados sem sair da vizinhan\u00e7a americana. Beiju ou tapioca \u00e9 o  mbeju guarani que meio mundo faz e come; canjica \u00e9 a mesma mazamorra que se  degusta em Assun\u00e7\u00e3o ou no interior da Argentina; p\u00e9 de moleque tem um s\u00f3sia no  ka&#8217;i ladrillo. Nossos p\u00e3o e biscoito de queijo flertam com a chip\u00e1 paraguaia.  <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pamonha, ent\u00e3o, \u00e9 um prato verdadeiramente internacional: chamada por nomes como  tamal, ka&#8217;i ku&#8217;a ou humita, frequenta mesas desde a Argentina at\u00e9 os enclaves  hispano-brasucas dos Estados Unidos, passando por Chile, Paraguai, Peru, Cuba e  M\u00e9xico. Sempre com pequenas varia\u00e7\u00f5es, \u00e9 claro. Mas na ess\u00eancia a mesma iguaria  de milho cozida na palha. &nbsp;  &nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como se v\u00ea, ainda que o pa\u00eds  da Nana Shara viva  de costas para os vizinhos, somos mais latino-americanos que sonha nossa v\u00e3  gastronomia.  &nbsp; Um  abra\u00e7o,  <\/p>\n<p>Everardo  Leit\u00e3o &nbsp;<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professora Dad, &nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Queria comentar que a t\u00e3o divulgada informa\u00e7\u00e3o de que a jabuticaba \u00e9 fruta brasileira parece menos fato que patriotada do pa\u00eds do Fuleco. 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